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Candidatos aproveitam catástrofes para fazer campanha eleitoral

Richard Fuchs (mas)8 de junho de 2013

Especialista analisa efeito das demonstrações de solidariedade às vítimas por exemplo de enchentes ou furacões, praticadas por políticos antes de eleições.

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Foto: Reuters

Quanta campanha eleitoral pode ser feita com as enchentes? Essa é a pergunta que muitos se fizeram esta semana, quando a chanceler federal alemã, Angela Merkel, visitou áreas afetas pelas inundações na Saxônia, Turíngia e Baviera.

Equipes de televisão gravaram as imagens da chefe de governo em Passau, em um barco remado por soldados sujos de lama. Ela acenou para as vítimas das inundações, sobrevoou áreas alagadas e foi fotografada enchendo sacos de areia.

Para o especialista em comunicação Klaus Kocks, essas atitudes não demonstram ajuda, e sim fazem parte da campanha política, já que estamos a três meses de eleições nacionais e na Baviera. "A situação crítica das pessoas é usada porque, desde o dilúvio enfrentado por Noé, uma inundação é o símbolo de uma ameaça imediata, que exige a presença de um salvador".

Kanzler Schröder und Georg Milbradt, bei der Begutachtung der Hochwasserschäden
Visita aos locais das enchentes de 2002 ajudou na reeleição de SchröderFoto: AP

O ex-chanceler federal Gerhard Schröder já havia feito o mesmo quando disputou a reeleição em 2002. Na época, houve uma grande inundação no rio Elba. Schröder, candidato da coalizão entre social-democratas e verdes, estava atrás nas pesquisas. Ele visitou as áreas inundadas com suas galochas pretas e capa de chuva verde. Na opinião de Klaus Kocks, foi essa aparição que levou à reeleição de fez Schröder.

Eleição decidida

A maior lição de como políticos lidam com desastres naturais vem dos Estados Unidos. O furacão Katrina atingiu o país em agosto de 2005, época em que o governo de George W. Bush passava por uma crise de popularidade. Três dias depois da tempestade devastadora, ele saiu de férias, o que lhe valeu a reputação de mau gestor de crises. Diferente de seu sucessor, Barack Obama, que teve presença ativa depois da tempestade tropical Sandy, pouco antes de sua reeleição no ano passado.

Desde o começo, Obama estava presente nas áreas costeiras atingidas, sua esposa organizou eventos de caridade para as crianças e famílias afetadas, recebendo grande cobertura da mídia. Seu rival republicano Mitt Romney apareceu apenas alguns dias antes das eleições para marcar presença. O rival de Angela Merkel na eleição parlamentar alemã, Per Steinbrück, tem, atualmente, pouco poder político, e por isso dispõe de pouca margem de atuação como "salvador".

Kocks sabe que desastres naturais são "oportunidade para quem está no poder " – e não para a oposição. Kocks vai mais longe, afirmando que o fato de Steinbrück não viajar para a área em crise fez com que o candidato social-democrata jogasse fora sua última chance: "Eu acho que a eleição foi decidida".

Klaus Kocks
Klaus KocksFoto: picture-alliance/dpa

Os efeitos do "turismo político"

Outros partidos também tentam angariar votos. A Esquerda aproveita para fazer reivindicações fiscais, os verdes reivindicam mais proteção ambiental.

O Partido Liberal Democrático, parceiro do governo Merkel, solicitou ao banco alemão de desenvolvimento KfW uma verba extra para ajudar as vítimas das enchentes. São exigências formuladas em Berlim, enquanto a chanceler visitava in loco as áreas atingidas pela catástrofe.

O líder da bancada liberal-democrata no Parlamento alemão, Rainer Brüderle, alertou sobre o "turismo político" nas áreas alagadas. Mas para Kocks esta é uma forma indispensável de "reality show encenado". "Quem demonstra solidariedade junto às vítimas será recompensado com grande sucesso político", completa o especialista.