Campanha de Trump paga US$ 3 milhões por recontagem parcial em Wisconsin | Notícias internacionais e análises | DW | 18.11.2020

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ELEIÇÕES NOS EUA

Campanha de Trump paga US$ 3 milhões por recontagem parcial em Wisconsin

Biden ficou à frente no estado por 20 mil votos. Mesmo que consiga reverter resultado, o que é apontado como improvável por especialistas, republicano ainda ficaria atrás na contagem de delegados no Colégio Eleitoral.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Derrotado nas urnas, Donald Trump tem tumultuado transição e se recusado a aceitar o resultado do pleito

A campanha do candidato derrotado Donald Trump fez nesta quarta-feira (18/11) uma transferência de 3 milhões de dólares (R$ 16 milhões) para cobrir a recontagem de votos das eleições presidenciais em dois condados de Wisconsin. O democrata Joe Biden venceu no estado por uma margem superior a 20 mil votos, abocanhando os dez delegados de Wisconsin no Colégio Eleitoral.

A candidatura de Trump vem apontando que foram cometidas "graves irregularidades" nesses dois condados, de tendência democrata, embora não tenha apresentado nenhuma evidência de fraude. As autoridades eleitorais do estado, por sua vez, apontam que não registraram nada anormal na eleição.

Mesmo assim, os republicanos pagaram pela recontagem nos condados de Milwaukee e de Dane, e o processo deve ser iniciado na quinta-feira. Nos dois condados selecionados para recontagem, Biden recebeu 577.455 votos, e Trump, 213.157.

Pelas regras de Wisconsin, uma campanha pode solicitar recontagem se a diferença de votos entre os candidatos for inferior a 1% no estado. Na última contagem, a vantagem de Biden era de 0,7%.

Se a diferença for superior a 0,25%, o solicitante tem que pagar a conta da nova apuração. Se a equipe de Trump tivesse solicitado uma recontagem em todo o estado, o preço seria superior a 7 milhões de dólares. A recontagem nos dois condados deve ser concluída até 1º de dezembro.

"A população de Wisconsin merece saber se os seus processos eleitorais funcionaram de maneira legal e transparente", disse o advogado da candidatura de Trump em Wisconsin, Jim Troupis. "Lamentavelmente não se pode confiar na integridade dos resultados eleitorais sem uma recontagem nesses dois condados e sem a aplicação uniforme dos requisitos de votação, ausente em Wisconsin. Não saberemos os verdadeiros resultados da eleição até que apenas os votos legais sejam contados."

Historicamente, recontagens de votos em Wisconsin – e nos Estados Unidos em geral – resultam em muito poucas mudanças no resultado final. Uma recontagem solicitada em Wisconsin nas eleições de 2016 pela candidata do Partido Verde, Jill Stein, acabou rendendo a Trump apenas 131 votos adicionais.

E mesmo que Trump venha a conseguir reverter a vitória de Biden em Wisconsin, o democrata continuará a contar com um número suficiente de votos no Colégio Eleitoral para poder tomar posse em 20 de janeiro. O presidente teria de reverter os resultados em pelo menos três estados para ganhar a eleição, o que, segundo analistas, seria algo sem precedentes. Uma recontagem já está em andamento na Geórgia, onde Biden está 14.000 votos à frente.

O ex-governador de Wisconsin Scott Walker, um republicano e aliado de Trump, disse que o presidente tem poucas chances de vencer em uma recontagem no estado, classificando a margem de Biden de um "grande obstáculo" a ser superado.

O pedido de recontagem ocorreu no mesmo dia da divulgação de que Trump demitiu o chefe da agência de segurança cibernética eleitoral, que pouco antes contradisse suas alegações de fraude eleitoral, sinalizando que o presidente quer estar cercado de assessores que apoiem cegamente sua ofensiva para deslegitimar o sistema eleitoral.

Derrotado por Biden tanto na contagem do Colégio Eleitoral quanto no voto popular, segundo projeções, Trump tem se recusado a aceitar o resultado e vem ampliando sua ofensiva para contestar a eleição nos tribunais, levantando acusações de fraude, sem apresentar provas.

Nos últimos dias, ele também vem afirmando com insistência que é o verdadeiro vencedor do pleito, mesmo com Biden tendo acumulado mais delegados no Colégio Eleitoral e 5,8 milhões de votos populares a mais que Trump. O republicano também tem tumultuado o processo de transição, se recusando a compartilhar dados com a equipe de Biden.

Paralelamente, Trump também celebrou os bons resultados do Partido Republicano na eleição para a Câmara dos Representantes, mas neste caso evitou apontar qualquer suspeita de fraude no pleito.

Não é a primeira vez que Trump recorre a esse tipo de tática sem qualquer base. Em 2016, ele venceu no Colégio Eleitoral, mas perdeu no voto popular para Hillary Clinton. Com o ego ferido, disse que os democratas haviam arregimentado milhões de imigrantes ilegais para votar. Uma comissão foi formada pelo seu governo para investigar. Nenhuma evidência de irregularidade foi encontrada, e o colegiado foi extinto em 2018.

Oficialmente, o vencedor da eleição só é anunciado em 14 de dezembro, quando os delegados de todos os 50 estados se reúnem em Washington no Colégio Eleitoral para confirmar os resultados estaduais.

Não há nos EUA um órgão central que compile os resultados estaduais. Normalmente, o resultado é projetado logo após o pleito pela imprensa e institutos de pesquisa, que compilam dados das autoridades eleitorais estaduais. O anúncio do desfecho da eleição é facilitado quando um dos lados concede a derrota – o que não vem sendo o caso com Trump.

JPS/lusa/ots

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