Cabral é condenado a mais de 45 anos de prisão | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 21.09.2017
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Brasil

Cabral é condenado a mais de 45 anos de prisão

Juiz declara ex-governador do Rio culpado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele liderava esquema de propina em contratos do governo estadual, diz sentença. Esposa também é condenada.

Brasilien Sergio Cabral Ex-Gouverneur von Rio de Janeiro (Imago/Fotoarena)

Cabral está preso desde novembro do ano passado

O juiz Marcelo Bretas condenou nesta quarta-feira (20/09) o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) a 45 anos e dois meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação de organização criminosa.

A sentença está ligada a crimes investigados pela Operação Calicute, os mesmos que levaram à prisão de Cabral em novembro de 2016, quando foi deflagrada a ação derivada da Lava Jato.

Segundo a denúncia, o ex-governador comandava um esquema que desviou verbas de contratos do governo do Rio de Janeiro com empreiteiras. A lavagem do dinheiro resultante das propinas era feita por meio de aquisição de joias e do escritório de advocacia da ex-primeira-dama Adriana Ancelmo.

Brasilien Adriana Ancelmo Frau von Rios Ex Governeur Sergio Cabral (Reuters/R. Moraes)

Ancelmo era mentora dos esquemas ilícitos ao lado do marido, diz sentença

A esposa de Cabral também foi condenada, a 18 anos e três meses de prisão. Trata-se da primeira condenação de Ancelmo, que cumpre prisão domiciliar em seu apartamento na zona sul do Rio. O juiz determinou que ambos cumpram pena em regime fechado.

Bretas condenou ainda outras dez pessoas, incluindo os ex-secretários Wilson Carlos e Hudson Braga, além de ex-assessores e empresários. O bombeiro Pedro Ramos Miranda, ex-assessor de Cabral, foi absolvido.

Na sentença, o ex-governador é descrito como "idealizador do gigante esquema criminoso institucionalizado no âmbito do governo do estado do Rio de Janeiro".

"Era o chefe da organização, cabendo-lhe essencialmente solicitar propina às empreiteiras que desejavam contratar com o estado do Rio, em especial a Andrade Gutierrez, e dirigir os demais membros da organização no sentido de promover a lavagem do dinheiro ilícito", diz o texto.

O juiz ainda justificou a gravidade da pena afirmando que Cabral "protagonizou um gravíssimo episódio de traição eleitoral".

"Vendeu a empresários a confiança que lhe foi depositada pelos cidadãos do estado do Rio de Janeiro, razão pela qual a sua culpabilidade, maior do que a de um corrupto qualquer, é extrema", afirmou Bretas. "Não há nada mais repugnante do que a ambição desmedida de um agente público que (...) opta por exigir vantagens ilícitas a empresas."

Em vídeo, o advogado de Cabral, Rodrigo Roca, classificou a sentença como uma violência ao estado democrático de direito. "Só reforça a arguição de suspeição que nós fizemos contra o juiz que a prolatou. A condenação do governador pelo juiz Marcelo Bretas era um fato, era esperada e todo mundo sabia disso", disse ele, antecipando que vai apelar à instância superior.

Esta foi a segunda condenação de Cabral no âmbito da Lava Jato. Em junho deste ano, ele foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 14 anos e dois meses de prisão, além do pagamento de multa de 528 mil reais, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O político foi acusado de ter recebido 2,7 milhões de reais em propina pelo contrato de terraplanagem do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), firmado entre a Petrobras e a Andrade Gutierrez. Ancelmo foi absolvida nesse mesmo processo.

EK/abr/ots/lusa/dw

Leia mais