Bolsonaro ficará mais quatro dias afastado por recomendação médica | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 12.09.2019
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Brasil

Bolsonaro ficará mais quatro dias afastado por recomendação médica

Previsão inicial após cirurgia era de que o presidente voltasse ao cargo na sexta-feira. Com adiamento da alta, Hamilton Mourão segue interinamente na Presidência até a próxima terça-feira.

O Palácio do Planalto informou nesta quinta-feira (12/09) que Jair Bolsonaro vai permanecer mais quatro dias afastado da Presidência por recomendação médica. No último domingo, Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia para a correção de uma hérnia incisional. Foi a quarta operação desde que o presidente sofreu um facada durante a campanha de 2018. 

Inicialmente, a previsão era de que ele retornaria ao cargo na sexta-feira (13/09).

"A recuperação do Senhor Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, evolui positivamente. Entretanto, a equipe médica da Presidência da República decidiu mantê-lo afastado do exercício da função de chefe do Poder Executivo por mais quatro dias, a contar de 13 de setembro de 2019, com a finalidade de proporcionar maior tempo de descanso", informou o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros.

Assim, o vice-presidente, Hamilton Mourão, deve seguir interinamente na Presidência até a próxima terça-feira.

Ainda de acordo com Rêgo Barros, a ampliação do afastamento de Bolsonaro se deu por um conjunto de razões, entre as quais a continuidade do uso da sonda nasogástrica pelo presidente, o que poderia impedir que este exercesse plenamente o cargo. Ele ainda acrescentou que o quadro de Bolsonaro "evolui positivamente" e que o presidente caminhou duas vezes pelo quarto nesta quinta-feira.

Rêgo Barros também afirmou que não houve alteração na programação da viagem de Bolsonaro a Nova York para discursar na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 24 de setembro.

Após o anúncio do adiamento da alta, Bolsonaro fez uma breve aparição ao vivo nas redes sociais. "Essa live não pode durar mais de dois minutos por determinação médica", disse ele, antes de citar algumas iniciativas do seu governo ao longo da semana.  

No último domingo, a cirurgia de Bolsonaro já havia se estendido por cinco horas – quase três horas a mais do que o inicialmente previsto. Na ocasião, o cirurgião-chefe Antônio Macedo, que realizou o procedimento, disse que a cirurgia "transcorreu muito tranquila".

O médico ainda citou que a hérnia desenvolvida por Bolsonaro decorreu do ferimento da facada e das cirurgias posteriores. "Houve uma lesão grave da parede abdominal que ficou muito fraca. Além disso, durante a facada, ele desenvolveu uma peritonite, no dia 12 de setembro do ano passado ele foi operado já aqui em São Paulo dessa peritonite. Isso infectou muito a parede, deixou a parede muito enfraquecida, o que necessitou [agora] a correção dessa hérnia".

Segundo o médico, há uma pequena chance, de aproximadamente 6%, de o problema voltar a ocorrer no mesmo local. O cirurgião, no entanto, diz que encontrou tecidos em boa condição e que a probabilidade de isso ocorrer é muito pequena.

Bolsonaro foi alvo de um ataque com faca em 6 de setembro, quando participava de um ato de campanha em Juiz de Fora (MG).  Após o atentado, ele fez uma cirurgia inicial na Santa Casa de Juiz de Fora e depois uma segunda, em São Paulo. Ele permaneceu três semanas internado e recebeu alta no final de setembro.

Em janeiro, já ocupando a presidência, ele foi novamente submetido a uma cirurgia  para a retirada de uma bolsa de colostomia e reconstrução do trânsito intestinal.

O agressor de Bolsonaro, Adélio Bispo de Oliveira, foi preso logo depois do atentado. Em maio, um juiz da 3ª vara da Justiça Federal em Juiz de Fora decidiu que Adélio Bispo não poderia ser punido criminalmente em razão de sofrer transtorno mental. A decisão foi tomada com base em avaliações psiquiátricas, inclusive com uma entrevista feita por um médico indicado pela defesa de Bolsonaro. A investigação da Polícia Federal concluiu que ele agiu sozinho.

No mês seguinte, o juiz aplicou em Adélio o mecanismo da "absolvição imprópria", previsto quando uma pessoa não pode ser condenada por ser inimputável, e determinou a internação do agressor por tempo indeterminado na Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS).

Bolsonaro, que desde o atentado alimentava dúvidas sobre as conclusões do inquérito da PF e sugeria que Adélio fazia parte de uma conspiração, dizia que pretendia contestar a sentença, mas não apresentou nenhum recurso dentro do prazo.

JPS/ab/ots

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