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Bolsonaro quer alguém "terrivelmente evangélico" no STF

10 de julho de 2019

"O Estado é laico, mas somos cristãos", disse presidente, que poderá indicar dois ministros para o Supremo até 2022.

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Bolsonaro nimmt an Gottesdienst teil
Presidente compareceu a um culto da bancada evangélica na Câmara dos DeputadosFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (10/07) que indicará um ministro evangélico para o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Bolsonaro, o "resgate dos valores familiares" deve estar presente em todos os poderes do país. 

"O Estado é laico, mas somos cristãos e, entre as duas vagas que terei direito a indicar para o STF, um será terrivelmente evangélico", disse, durante sua participação em um culto da bancada evangélica na Câmara dos Deputados.

O presidente ainda elogiou a bancada evangélica, afirmando que, apesar das críticas, ela tem um "superávit enorme" junto à sociedade brasileira.

"A força do Executivo e do Legislativo juntos é inimaginável, ainda mais tendo paz e Deus no coração", afirmou. "Com todas as críticas que porventura vocês [membros da bancada evangélica] sofram, no final das contas, o saldo é muito positivo para todos os brasileiros, inclusive para aqueles que têm outras religiões", completou.

"Vocês sabem o quanto a família sofreu nos últimos governos. Vocês foram decisivos na busca da inflexão do resgate dos valores familiares", disse. "Quantos tentam nos deixar de lado dizendo que o Estado é laico. O Estado é laico mas nós somos cristãos. Ou para plagiar a minha querida Damares, nós somos terrivelmente cristãos", disse, em referência à declaração da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves.

No mês passado, ao criticar a decisão do STF de enquadrar a homofobia como um crime na legislação de combate ao racismo, Bolsonaro já havia sugerido a indicação de um evangélico para a Corte.

A indicação de ministros do STF é uma atribuição do presidente da República. Após a indicação, ela precisa ser aprovada pelo Senado. 

 Até 2022, Bolsonaro poderá indicar nomes para pelo menos duas vagas, que serão aberta com a aposentadoria compulsória dos ministros Marco Aurélio e Celso de Mello, que terão completado 75 anos

Em maio, Bolsonaro chegou a afirmar que havia reservado uma das vagas a Sergio Moro, seu ministro da Justiça, que deixou o Judiciário para assumir a vaga no governo. Na fala, Bolsonaro afirmou que havia formado um "compromisso" com Moro. "Eu falei: a primeira vaga que tiver lá, vai estar à sua disposição", disse na ocasião. 

Pouco depois, no entanto, Bolsonaro voltou atrás  e negou a existência de algum acordo e disse que estava apenas buscando alguém com o perfil do ex-juiz .

JPS/ab/ots

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