Bolsonaro autoriza uso das Forças Armadas para combater incêndios | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 23.08.2019
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Brasil

Bolsonaro autoriza uso das Forças Armadas para combater incêndios

Militares atuarão na Amazônia Legal em conjunto com órgãos de segurança pública e de proteção ambiental. Trump também oferece ajuda ao Brasil e cita "expectativas futuras de comércio".

Jair Bolsonaro

Bolsonaro enfrenta pressão internacional diante incêndios florestais

Em meio à pressão internacional, o presidente Jair Bolsonaro assinou nesta sexta-feira (23/08) um decreto que autoriza o uso das Forças Armadas para combater os incêndios florestais na Amazônia. O documento foi publicado em uma edição extra do Diário Oficial da União.

Segundo o decreto, as tropas poderão atuar a partir de sábado em "áreas de fronteira, terras indígenas, unidades de conservação ambiental e em outras áreas da Amazônia Legal". A medida vale incialmente até 24 de setembro.

No decreto, o governo não informa o número de militares que atuarão no combate aos incêndios. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, definirá a "alocação dos meios disponíveis e os comandos que serão responsáveis pela operação".

Cabe aos governadores, porém, solicitarem junto ao governo federal o emprego das Forças Armadas. Os militares atuarão ao lado de órgãos de segurança pública e de proteção ambiental. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, as tropas darão apoio logístico na luta contra o fogo.

O governador de Roraima, Antonio Denarium, foi o primeiro a pedir o envio das tropas. Ele afirmou que os estados não têm condições para combater o fogo sozinhos.

Os Estados Unidos também ofereceram ajuda ao Brasil. Em sua conta no Twitter, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que conversou com Bolsonaro e disse que seu governo está pronto para ajudar. "Acabei de falar com o presidente Jair Bolsonaro do Brasil. Nossas expectativas futuras de comércio são muito excitantes e nossa relação é forte, talvez mais forte do que nunca", escreveu.

O anúncio do governo ocorreu no mesmo dia que o presidente da França, Emmanuel Macron, propôs o fim do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. O líder francês afirmou que Bolsonaro mentiu sobre seu compromisso em defesa do meio ambiente durante a cúpula do G20 no Japão.

A proposta de Macron foi apoiada pelo governo da Irlanda. Alemanha, porém, se opôs ao bloqueio e disse que medida não contribuirá para reduzir o desmatamento da Amazônia. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, concordou, no entanto, que os incêndios sejam tema de reuniões do G7, que ocorre a partir de sábado em Biarritz, no sudoeste da França. 

Já a Finlândia, que no momento detém a presidência rotativa da União Europeia (UE), anunciou que vai propor aos países do bloco uma suspensão geral da importação de carne bovina brasileira por causa das queimadas que atingem a Amazônia.

Nas últimas semanas, a França e outros países europeus vêm criticando a política ambiental do governo brasileiro. Desde que tomou posse, Bolsonaro e membros do governo vêm defendendo a exploração de minerais em terras indígenas, contestando dados científicos sobre aumento do desmatamento, propondo a legalização de garimpos, esvaziando órgãos de proteção ambiental e promovendo mudanças unilaterais no Fundo Amazônia, que conta com financiamento europeu.

Bolsonaro também já ameaçou em algumas ocasiões deixar o Acordo de Paris sobre o clima e, mais recentemente, reagiu com desprezo quando a Alemanha e a Noruega suspenderam repasses para programas ambientais diante da nova guinada na política ambiental brasileira.

As atitudes do governo brasileiro em relação ao meio ambiente e o avanço do desmatamento e queimadas na Amazônia provocaram ainda dezenas de manifestações nesta sexta-feira em frente às representações diplomáticas do Brasil em várias cidades europeias, na Colômbia, Equador e Índia.

CN/rtr/ap/abr/ots

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