Bolsonaro anuncia general como vice | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 05.08.2018
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Eleições 2018

Bolsonaro anuncia general como vice

Militar da reserva filiado ao PRTB, Hamilton Mourão foi removido de cargo nas Forças Armadas em 2017 após defender “intervenção militar". Aliança com sigla nanica de Levy Fidelix deve render 4 segundos de tempo de TV.

Brasilien Jair Bolsonaro (Reuters/L. Benassatto)

Bolsonaro recebeu “nãos” de um senador, de outro general da reserva e de membro do seu próprio partido

Após ter vários convites recusados, o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, finalmente definiu neste domingo (05/08) o seu vice. Em convenção do partido em São Paulo, ele anunciou o nome general da reserva Hamilton Mourão como companheiro de chapa.

O militar é filiado ao PRTB, a sigla nanica comandada por Levy Fidelix. A aliança entre o PSL e o PRTB deve render pouco menos de 4 segundos extras de tempo de TV no horário eleitoral para a campanha de Bolsonaro, que já contava com oito segundos em cada bloco de 25 minutos.

Mourão, de 64 anos, é atualmente presidente do Clube Militar. Ele ganhou notoriedade em 2017, quando ainda estava na ativa, ao afirmar publicamente duas vezes em um período de três meses que as Forças Armadas poderiam intervir militarmente se as instituições, em especial o Judiciário, não retirassem da vida pública políticos envolvidos com atos de corrupção.

A primeira declaração do general ocorreu em setembro, quando ele ocupava a o cargo de secretário de Economia e Finanças das Forças Armadas. O caso não gerou nenhum tipo de punição por parte do governo.

Em dezembro, ele voltou a afirmar que a instituição poderia ter o papel de "elemento moderador e pacificador" se o "caos" fosse instalado no país e criticou o governo Michel Temer. Desta vez, as falas provocaram reação e o general foi removido do cargo.

No final de fevereiro deste ano, Mourão passou para a reserva. Na cerimônia de despedida do Exército, ele chamou de "herói” o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que durante o regime militar comandou um órgão de repressão responsável por vários casos de tortura.

Em 2015, Mourão já havia sido exonerado do Comando Militar Sul e transferido para a Secretaria de Finanças após ter criticado abertamente o governo Dilma Rousseff. Na ocasião, ele afirmou que a saída de Dilma do cargo teria como "vantagem” o "descarte da incompetência, má gestão e corrupção".

Em julho deste ano, ele chegou até mesmo a criticar os eleitores de Jair Bolsonaro, afirmando que existe um "certo radicalismo nas ideias, até meio boçal” entre os apoiadores do candidato. A declaração repercutiu mal entre o eleitorado do deputado e chegou a ser encarada inicialmente como um impeditivo para a sua indicação. 

Novela do vice

Com a escolha de Mourão, Bolsonaro também encerrou o suspense que cercava a dificuldade da escolha do seu vice. O deputado teve recusados vários convites. Ele chegou a oferecer a vaga para o senador Magno Malta (PR-ES) e ao general da reserva Augusto Heleno (PRP). Os dois acabaram declinando a oferta por pressão dos seus partidos.

Com as recusas, Bolsonaro se voltou para um nome do seu próprio partido e ofereceu a vaga à advogada Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment de Dilma Rousseff. No sábado (04/08), Janaína acabou recusou o convite. Outros nomes do PSL passaram a ser cogitados, entre eles o do astronauta Marcos Pontes, o do deputado Marcelo Álvaro Antônio e o de um membro da antiga família imperial, o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança.

Após a escolha de Mourão, como prêmio de consolação para o príncipe, Bolsonaro ofereceu a vaga de ministro das Relações Exteriores em um possível governo.

Por enquanto, Bolsonaro permanece como líder nas pesquisas na ausência do ex-presidente Lula no páreo. O militar da reserva tem até 19% das intenções de voto. Sua campanha, no entanto, lida com as dificuldades impostas pela falta de estrutura partidária do PSL e com falta de recursos dos fundos partidário e de campanhas.

A vice de Ciro

Também neste domingo, o PDT confirmou que a senadora Kátia Abreu foi indicada como vice do candidato Ciro Gomes. Assim, Ciro – que a exemplo de Bolsonaro vem enfrentando dificuldades para formar alianças – deve disputar a Presidência com uma chapa pura, já que Abreu é filiada ao PDT desde abril. No ano passado, ela foi expulsa do PMDB após criticar o presidente Michel Temer e se posicionar contra as reformas trabalhista e da Previdência. 

Abreu é próxima da ex-presidente Dilma Rousseff, tendo atuado como ministra da Agricultura entre 2015 e 2016. Ela também votou contra o impeachment da petista. Ex-presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNI), Abreu tem laços fortes com o setor do agronegócio.   

Por enquanto, o PDT conseguiu obter apenas o apoio do nanico Avante em sua coligação. Ciro tinha esperança de conseguir o apoio do PSB, mas o partido já havia indicado nesta semana que não iria aderir à sua candidatura após fechar um acordo com o PT para a disputa do governo de Pernambuco. Neste domingo, durante convenção, o PSB decidiu oficialmente permanecer neutro na disputa nacional. 

Com as definições dos vices de Ciro e Bolsonaro, apenas o ex-presidente Lula (PT) e Manuela D’ávila continuam a figurar entre os principais candidatos que ainda não indicaram vices. 

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