Bolsonaro admite intervenção nos preços da Petrobras | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 12.04.2019
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Brasil

Bolsonaro admite intervenção nos preços da Petrobras

"Não sou economista, já falei", diz presidente, que reconhece ter pressionado estatal a não reajustar diesel em 5,7%, por temor de uma nova greve de caminhoneiros. Ações da Petrobras operam em queda após interferência.

Jair Bolsonaro

No ano passado, quando ainda era pré-candidato à Presidência, Bolsonaro parabenizou caminhoneiros durante greve da categoria

O presidente Jair Bolsonaro admitiu nesta sexta-feira (12/04) que pressionou a Petrobras a cancelar um reajuste de 5,7% sobre o preço do diesel. Na quinta-feira, a estatal havia anunciando que aumentaria o preço do combustível, mas recuou horas depois.

Mesmo admitindo a intervenção, Bolsonaro disse que não se considera "intervencionista" e que não deseja repetir "as políticas que fizeram no passado".

"Liguei pro presidente, sim. Me surpreendi com o reajuste de 5,7%. Não vou ser intervencionista e fazer práticas que fizeram no passado, mas quero os números da Petrobras, tanto é que na (próxima) terça-feira convoquei todos da Petrobras para me esclarecer por que 5,7% de reajuste, quando a inflação desse ano tá projetada para menos de 5%", disse Bolsonaro, segundo o jornal o Estado de S. Paulo.

"Se me convencerem, tudo bem, se não me convencerem, tudo bem. Não é resposta adequada para vocês, não sou economista, já falei. Quem entendia de economia afundou o Brasil, tá certo? Os entendidos afundaram o Brasil", completou o presidente.

A decisão de Bolsonaro voltou a colocar em dúvida as credenciais liberais propagandeadas pelo governo e desanimou o mercado, que teme que a empresa passe por um novo processo de intervenção sistemática nos preços, tal como ocorreu no governo Dilma Rousseff – uma política que causou prejuízos bilionários para a estatal. 

Após o anúncio de que a Petrobras havia cancelado o reajuste, as ações da empresa passaram a operar com queda de 8%.

Na manhã desta sexta-feira, o vice-presidente, Hamilton Mourão, tentou tranquilizar o mercado, afirmando que a ordem de suspender o aumento do preço do combustível foi pontual.

"Julgo que é um fato isolado, justamente pelo momento que estamos vivendo. Acredito que o presidente está buscando a melhor solução para equacionar o problema", disse o vice em entrevista à rádio CBN.

A decisão de Bolsonaro foi influenciada pela pressão dos caminhoneiros. No ano passado, eles organizaram uma greve que emparedou o governo do então presidente Michel Temer, que se viu obrigado a subsidiar por um semestre o valor do diesel para encerrar a paralisação. À época, Bolsonaro, que ainda era pré-candidato à Presidência, parabenizou os caminhoneiros pela paralisação.

Após Temer intervir nos preços, o então presidente da estatal, Pedro Parente, deixou o comando da Petrobras. 

Nesta sexta-feira, Bolsonaro também sinalizou que a situação dos caminhoneiros pesou sobre a sua decisão. A categoria vinha ameaçando realizar uma nova greve este ano após o programa de subsídio instituído por Temer ter chegado ao fim.

Se tivesse ocorrido, o reajuste de 5,7% teria sido o maior desde que Bolsonaro assumiu o cargo. Desde 1° de janeiro, a maior reajuste do diesel havia sido o de 23 de fevereiro, quando o combustível subiu 3,5%.

"Estou preocupado também com o transporte de cargas no Brasil, com os caminhoneiros. São pessoas que realmente movimentam as riquezas, de norte a sul, leste a oeste, e que têm que ser tratados com devido carinho e consideração. Nós queremos um preço justo para o óleo diesel", disse Bolsonaro.

Em comunicado, a Petrobras justificou o recuo informando que "há margem para espaçar mais alguns dias o reajuste no diesel".

No fim de março, a Petrobras havia anunciado que pretendia reajustar o preço do diesel com intervalo mínimo de 15 dias. Em 2017, antes da greve dos caminhoneiros, a estatal vinha adotando uma política que permitia reajustes diários. À época, a medida ajudou a recuperar a saúde financeira da empresa, mas desagradou os caminhoneiros.

Bolsonaro tomou a decisão enquanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, cumpre viagem aos Estados Unidos. Nesta sexta-feira, Guedes sugeriu que não foi informado sobre a interferência promovida por Bolsonaro. 

Após participar de uma reunião em Washington, o ministro foi questionado várias vezes por jornalistas sobre sua participação na decisão.  "Eu não sei nem do que vocês estão falando", disse Guedes em um primeiro momento. Após ser perguntado diretamente se não ele não havia sido informado previamente por Bolsonaro, Guedes respondeu: "é uma inferência razoável, aparentemente".
 

JPS/ots

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