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Société Générale

25 de janeiro de 2008

Diante dos prejuízos bilionários causados por um único corretor de ações ao segundo maior banco da França, os articulistas europeus chamam atenção à fragilidade do sistema de controle de um setor já desacreditado.

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Foto: AP

"Se todas as questões ainda não esclarecidas não tiverem uma resposta rápida, a catástrofe do Société Générale prejudicará a credibilidade de todo o sistema bancário. [...] A possível sanção neste caso será a perda de sua independência. O banco está desestabilizado no mercado, suas ações perderam 40% do valor de seis meses para cá. Numa paisagem bancária abalada pela crise hipotecária norte-americana e prestes a ser reorganizada, o Société Générale se tornou uma presa. Se seu concorrente de longos anos, o BNP Paribas, não o atacar, um outro grande banco europeu poderia fazê-lo, por exemplo o Unicredit italiano", avalia o Les Echos, de Paris.

Outro diário parisiense, o Le Figaro, manifesta opinião semelhante, abordando ainda a questão da ineficiência do sistema de controle: "No fundo, o diretor do Société Générale sabe muito bem que isso que nos é apresentado como fraude na realidade revela um sistema de controle perigosamente frágil. [...] Já hoje está claro que o banco não sairá ileso desta crise. Além disso, este caso incrível – o qual esperamos que seja um caso único fora do comum – prejudica ainda mais um setor que já se encontra na berlinda dos críticos".

O Daily Telegraph, de Londres, compara as atividades dos bancos hoje em dia com o jogo de azar: "Em seu ímpeto de aumentar os lucros que normalmente podem ser alcançados por meio de aplicações e de créditos, os bancos modernos trabalham com produtos financeiros tão complexos, que só alguns poucos gênios são capazes de entender. [...] Quando os números se movimentam numa direção favorável, a recompensa é considerável. Por outro lado, os patrimônios podem ser lapidados de um instante para outro. São assim os negócios bancários de hoje. É como um dia no hipódromo ou uma noite no cassino. É como apostar nos números vermelhos ou nos pretos, nos pares ou nos ímpares, nos altos ou nos baixos".

"Só faltava mais esta. Desde o começo da semana, as bolsas estão em baixa, graças a executivos bancários que fazem negócios que extrapolam suas habilidades. [...] Talvez os ânimos pudessem se acalmar de novo, se não fosse a próxima notícia assustadora: um único funcionário de banco realizou negócios fictícios no valor de 4,9 bilhões de euros. De onde vem este atrevimento e esta inconsistência? Será que lidar com dinheiro se tornou algo abstrato, na era do computdor?", pergunta-se o Nürnberger Zeitung, diário de Nurembergue, no sul da Alemanha. (lk)