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A 'despalavra' de 2008

Agências (as)20 de janeiro de 2009

"Notleidende Banken" transforma os responsáveis pela crise em vítimas dela, justifica o júri responsável pela escolha. Ação visa maior objetividade e humanidade no vocabulário cotidiano.

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'Notleidende Banken': escolhida entre 1.129 sugestõesFoto: AP

O conceito notleidende Banken (bancos necessitados, uma analogia com pessoas necessitadas), usado no contexto da crise econômica, foi escolhido como a "despalavra" de 2008 na Alemanha. A escolha de um júri de linguistas e jornalistas foi apresentada nesta terça-feira (20/01). Foram enviadas 1.129 sugestões da Alemanha e do exterior.

Com a formulação, os bancos, responsáveis pela crise, são apresentados de forma estilizada como vítimas, explicou o porta-voz do júri, Horst Dieter Schlosser. "O conceito coloca de ponta-cabeça a relação de causa e efeito da crise econômica mundial", afirmou.

"Enquanto as economias nacionais estão sob sérias ameaças e os contribuintes precisam arcar com empréstimos bilionários, os bancos, que com sua política financeira causaram a crise, são apresentados de forma estilizada como vítimas dela", argumentou Schlosser.

Em segundo lugar ficou a palavra Rentnerdemokratie (democracia dos aposentados), usada pelo ex-presidente alemão Roman Herzog. "Quando foi cogitado elevar as aposentadorias em 1,1%, o ex-presidente Roman Herzog, ele próprio aposentado, pintou o terrível cenário de um Estado, uma Rentnerdemokratie, no qual os velhos exploram os jovens", declarou o júri.

O terceiro posto foi para Karlsruhe-Touristen (turistas de Karlsruhe), usada pelo presidente do sindicato dos policiais, Rainer Wendt. Ele se referiu a pessoas que já entraram com ações de inconstitucionalidade no Tribunal Constitucional Federal, em Karlsruhe, e cogitariam fazê-lo novamente no caso da recente lei que autoriza a espionagem residencial, a lei do BKA. Na opinião do júri, Wendt tem uma compreensão "preocupante" dos direitos fundamentais.

A "despalavra do ano" é escolhida desde 1991 na Alemanha e tem por objetivo chamar a atenção para conceitos equivocados, esdrúxulos ou que ofendam a dignidade humana. Os responsáveis pela iniciativa pleiteiam uma maior adequação e humanidade no vocabulário cotidiano.