Baixo-barítono Thomas Quasthoff anuncia encerramento de sua carreira | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 13.01.2012
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Cultura

Baixo-barítono Thomas Quasthoff anuncia encerramento de sua carreira

Ao anunciar que põe fim à sua trajetória musical de quase 40 anos, o cantor lírico alemão, que já se apresentou com as orquestras mais conhecidas do mundo, deixa os palcos por problemas de saúde.

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"Agradeço muito à minha profissão e vou sem amargura. Muito pelo contrário", afirmou Thomas Quasthoff no comunicado em que encerra, aos 52 anos, sua carreira artística. A despedida confirma o que muitos de seus admiradores já temiam, ou seja, que a saúde debilitada impede Quasthoff de manter seu cotidiano como baixo-barítono. A decisão implica o cancelamento de sua participação em diversos concertos já agendados.

"Depois de quase 40 anos, decidi me retirar da vida de músico, porque minha saúde não permite mais corresponder às exigências que faço a mim mesmo e à arte", justificou o cantor, deixando atônitos muitos de seus fãs. No último ano, ele já havia sido obrigado a cancelar quatro apresentações, devido a inflamações nas cordas vocais. Seu empresário não quis confirmar se esta enfermidade seria a razão da despedida dos palcos.

Lamentos de diversas partes

O diretor da Ópera de Viena, Dominique Meyer, lamentou a decisão de Quasthoff, ressaltando sua tristeza com a perda que isso representará "para os palcos e para as salas de concerto". Johannes Bultmann, diretor da Filarmônica de Essen, afirmou: "Sinceramente, confesso que esta notícia me chocou".

A voz grave de Quasthoff já foi apreciada em incontáveis palcos do mundo, seja na interpretação de Mahler, Schubert, Brahms, Bach, de canções de jazz ou nas suas poucas aparições em encenações de óperas. Segundo críticos, ele é um dos cantores líricos mais ecléticos da atualidade.

"Base emocional para a música"

Thomas Quasthoff 1

Despedida de baixo-barítono é lamentada na Alemanha

Vítima da talidomida, Quasthoff nasceu com uma deficiência nos braços e pernas, mas nunca encarou isso como uma desvantagem para seu trabalho. Em uma entrevista ao semanário Die Zeit, ele afirmou que, "até uma determinada idade, isso simplesmente foi um fato, para além do qual não se podia vislumbrar". Talvez por isso, completou o cantor, é que ele tenha conseguido criar a base emocional necessária ao trabalho com a música.

Nascido em Hildesheim, no norte da Alemanha, Quasthoff percebeu cedo que tinha uma voz especial. Depois de estudar Canto e Direito em Hannover, começou a trabalhar como locutor na emissora NDR. Em 1987, ganhou um concurso de interpretações de Mozart em Würzburg e, um ano mais tarde, outra competição de canto lírico em Munique.

Desde então, vem colecionando uma série de prêmios e condecorações, além de três Grammys e do Prêmio Karajan. No Festival de Salzburg de 2003, ele causou furor com Fidelio, de Beethoven, sob a batuta de Simon Rattle. "Thomas Quasthoff tem uma das vozes mais inteligentes e cativantes da música clássica", elogiou o britânico Graham Sheffield, por ocasião da entrega de um prêmio no último ano.

Profissional eclético

Paralelamente a suas apresentações de música clássica, Quasthoff sempre procurou se dedicar a outros gêneros musicais. "Sempre ouvi e sempre fiz jazz", disse. Em 2004, por ocasião da entrega do Prêmio Nobel Alternativo, ele cantou com o Berlin Philharmonic Jazz Group. Algum tempo depois, lançou um CD de jazz com o trompetista Till Brönner. Em 2010, foi a vez de um álbum de soul.

Como professor da Escola Superior de Música Hanns Eisler, em Berlim, Quasthoff, ao lado de sua esposa, Claudia, deverá dar sequência à competição Das Lied - International Song Competition", que acontece a cada dois anos em Berlim. Sua proposta para o futuro é incentivar músicos jovens. Além disso, o baixo-barítono anuncia que pretende dar continuidade a suas outras atividades, como "cursos, a competição musical em Berlim e um filme, que estou rodando com [a atriz alemã] Katharina Thalbach".

SV/dpa/afp
Revisão: Roselaine Wandscheer

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