Autoridades mundiais amenizam repercussão do caso WikiLeaks | Notícias internacionais e análises | DW | 30.11.2010
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Mundo

Autoridades mundiais amenizam repercussão do caso WikiLeaks

Depois do choque provocado por comentários norte-americanos sobre líderes mundiais, revelados pela WikiLeaks, autoridades atingidas amenizam repercussão. No ano que vem, fundador da plataforma promete novas revelações.

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Mal-estar: Hillary Clinton comenta revelações

Embora o vazamento dos novos documentos, através da plataforma WikiLeaks, tenha causado um claro mal-estar no âmbito da política internacional, diversas personalidades que foram alvo de comentários pouco diplomáticos nos relatórios norte-americanos amenizam agora os efeitos explosivos dos seus conteúdos.

"A relação teuto-americana é uma amizade madura e que não será gravemente abalada por essa divulgação", disse o porta-voz de Angela Merkel, Steffen Seibert. A chanceler federal alemã foi chamada de Angela "Teflon" Merkel num dos relatórios publicados pela WikiLeaks. O plástico, que possui uma superfície quase sem atrito, foi utilizado para definir Merkel como alguém sem posição definida.

Apesar de ter amenizado a repercussão dos relatórios, o porta-voz alertou que o material revelado pelo site pode "trazer problemas" em determinadas regiões do mundo e "perturbar importantes processos políticos".

Guido Westewelle, ministro alemão de Relações Exteriores, foi considerado incompetente pelos diplomatas norte-americanos, segundo os documentos distribuídos pela WikiLeaks. O ministro alemão disse que a publicação se baseava em "dados adquiridos de forma criminosa e ilegal". Ainda segundo Westerwelle, a cooperação entre os governos dos Estados Unidos e Alemanha continuará "próxima e amigável".

Do lado de lá

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, acusou a ação da WikiLeaks de prejudicar as relações diplomáticas do país, no que chamou de "atentado contra a comunidade internacional". Clinton disse que não comentaria diretamente as informações vazadas e seu conteúdo, mas disse que o governo agiria de forma agressiva para responsabilizar quem "roubou" os dados.

"Os Estados Unidos lamentam a publicação de qualquer tipo de informação confidencial, incluindo discussões privadas entre parceiros ou avaliações pessoais de diplomatas e observadores", afirmou Hillary Clinton.

A secretaria de Justiça norte-americana conduz uma investigação sobre o vazamento, enquanto a Casa Branca, o Departamento de Estado e o Pentágono disseram que estão trabalhando para evitar casos semelhantes no futuro.

O governo norte-americano suspeita que Bradley Manning, ex-analista de inteligência do Exército dos Estados Unidos no Iraque, tenha revelado o conteúdo de alguns documentos secretos. Manning está preso. Ele é acusado de ter distribuído um vídeo que mostra um ataque de helicóptero matando civis e dois jornalistas da agência de notícias Reuters no Iraque.

De acordo com a investigação militar, o ex-analista de inteligência teria obtido "mais de 150 mil dados diplomáticos". Oficiais norte-americanos não revelaram, no entanto, se os dados obtidos por Bradley seriam os mesmos em posse da WikiLeaks.

Reação dos atingidos

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, que teria uma "personalidade fraca" e seria acometido por "paranoia" segundo os relatórios vazados, disse que não há nada de substancial nos documentos que pudesse abalar a relação do Afeganistão com os Estados Unidos.

Um porta-voz do governo russo também amenizou a repercussão – os documentos descreviam Vladimir Putin como "megagrosseiro", e chamavam a dupla Putin e Medvedev de "Batman e Robin".

Nesta terça-feira, a China exigiu que os Estados Unidos "lidem propriamente" com a situação. O país asiático, protetor da Coreia do Norte de longa data, apoiaria uma reunificação na península coreana, segundo as revelações promovidas pela WikiLeaks.

Ainda assim, Pequim diz que "não quer ver qualquer distúrbio nas relações entre China e Estados Unidos". O governo chinês não se manifestou, no entanto, sobre a revelação da WikiLeaks quanto a mísseis norte-coreanos passando pelo território chinês e quanto aos ataques cibernéticos contra o Google com participação de lideranças chinesas.

Desconfiança no mundo árabe

O governo iraniano, por sua vez, duvidou da autenticidade dos documentos liberados pelo site. Mahmoud Ahmadinejad pediu aos vizinhos árabes que não caiam nessa "armadilha". Segundo os dados da WikiLeaks, os demais países da região temiam a ameaça nuclear iraniana e um conflito regional.

"Esta é uma conspiração muito suspeita. Eles a adornaram com alguns crimes ocidentais e norte-americanos para parecer mais confiável", disse o porta-voz do Ministério iraniano de Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast.

Segundo o porta-voz, os inimigos do mundo islâmico estão perseguindo um projeto de ódio ao Irã e de desunião. "Então os países na região precisam estar conscientes para que não caiam nessa armadilha e mostrem na prática que essas conspirações nunca terão qualquer resultado, convencendo a opinião publica através da cooperação e da união", disse Mehmanparast.

Outra tempestade a caminho

No começo do ano que vem, o fundador da WikiLeaks, Julian Assange, planeja liberar documentos internos de um grande banco norte-americano. A revelação foi feita pela revista Forbes. Assange se recusou a dizer o nome do banco em questão.

NP/rts/afp
Revisão: Carlos Albuquerque

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