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Aumentam mortes por coronavírus na Itália

24 de fevereiro de 2020

Surto no norte italiano cancela Carnaval de Veneza e gera preocupação em outros países europeus. OMS alerta para risco de possível pandemia. Na China, população retorna lentamente à normalidade após queda nas infecções.

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Foliã no Carnaval de Veneza, que foi cancelado em razão do surto de coronavírus no norte da Itália
Foliã no Carnaval de Veneza, que foi cancelado em razão do surto de coronavírus no norte da ItáliaFoto: Reuters/M. Silvestri

Autoridades italianas informaram nesta segunda-feira (24/02) que foram detectados cerca de 220 casos de infecção pelo coronavírus causador da doença Covid-19 no norte do país desde a última sexta-feira, resultando na morte de sete pessoas. Com o agravamento da situação, a Itália passou a ser o país mais afetado fora da Ásia.

Mais de uma dezena de cidades nas províncias da Lombardia e do Vêneto, com população combinada de cerca de 50 mil pessoas, foi colocada sob quarentena.

O surto levou ao cancelamento dos dois últimos dias do tradicional Carnaval de Veneza, gerando temores de novos prejuízos financeiros à cidade que, no ano passado, sofreu fortes danos causados por uma série de enchentes.

As autoridades identificaram 32 infecções pelo coronavírus na região do Vêneto, sendo quatro deles na cidade histórica, o que levou as autoridades a cancelarem o Carnaval.

Este é o primeiro cancelamento desde a reintrodução da festa na cidade nos anos 1970. Antes mesmo da suspensão, a temporada carnavalesca já havia começado em baixa. As reservas nos hotéis da cidade, normalmente lotados durante essa época, sofreram uma redução de 30%.

Veneza é um dos locais mais visitados em todo o mundo, atraindo mais 1 milhão de turistas somente da China todos os anos. Entretanto, o impacto das enchentes, somado ao surto do coronavírus, deverá trazer enormes prejuízos à economia da cidade.

A Comissão Europeia afirmou nesta segunda-feira que não considera suspender viagens entre países que integrem o espaço Schengen (onde há livre trânsito entre fronteiras), mas informou que prepara um plano de contingência após o agravamento do surto no norte da Itália.

As restrições de viagens no espaço Schengen devem ser coordenadas entre os países, afirmou a comissária de Saúde da União Europeia (UE), Stella Kyriakides. "Até o momento, a Organização Mundial da Saúde não sugeriu a imposição de restrições, tanto ao comércio quanto a viagens", afirmou, acrescentando que uma missão da OMS chegará à Itália nesta terça-feira.

Na noite de domingo, a Áustria chegou a suspender durante quatro horas o transporte ferroviário com o país vizinho em razão de suspeitas de infecção em dois passageiros. Após exames descartarem a contaminação pelo coronavírus, os trens voltaram a circular normalmente.

Policiais alertam foliões sobre o cancelamento do Carnaval em Veneza
Policiais alertam foliões sobre o cancelamento do Carnaval em Veneza Foto: Reuters/M. Silvestri

OMS: Cedo para declarar pandemia

Nesta segunda-feira, a OMS afirmou que o surto de Covid-19 ainda pode ser vencido, insistindo que ainda é muito cedo para declarar o caso uma pandemia, embora exista a possibilidade de atingir esse nível.

"A mensagem principal que deve dar a todos os países esperança, coragem e confiança é a de que o vírus pode ser contido, aliás muitos países já fizeram exatamente isso", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, em coletiva de imprensa em Genebra.

"Usar a palavra pandemia agora não se encaixa nos fatos, mas certamente pode causar medo", acrescentou. "Precisamos nos concentrar na contenção, enquanto fazemos tudo que podemos para se preparar para uma potencial pandemia."

Tedros afirmou ainda que o aumento repentino de casos em países como Itália, Irã e Coreia do Sul é "profundamente preocupante", mas disse que, por enquanto, as autoridades não registraram uma disseminação global incontrolável do vírus ou casos graves e generalizados de infecção ou morte.

"Esse vírus tem potencial pandêmico? Absolutamente, sim. Já chegamos lá? Segundo nossa avaliação, ainda não", concluiu Tedros.

A OMS declarou emergência de saúde pública internacional, seu "mais alto nível de alarme", no mês passado, quando havia menos de 100 casos registrados fora da China.

O lento retorno à normalidade na China

Ao mesmo tempo em que aumentam as preocupações com o surto de Covid-19 na Europa, a situação começa a demonstrar sinais de alívio na China.

Várias regiões do país relaxaram as proibições de viagem em áreas afetadas pelo surto do coronavírus após a diminuição do surgimento de novas infecções. Nenhum novo caso foi detectado desde o domingo em 24 das 31 províncias chinesas, incluindo Pequim – onde não houve registros pelo segundo dia consecutivo – e Xangai.
 
Esses foram os registros mais positivos no país desde que a Comissão Nacional de Saúde iniciou a divulgação diária das ocorrências, em 20 de janeiro. Segundo os números oficiais, desde o início do surto em dezembro, o coronavírus contagiou 77.936 mil pessoas e matou 2.442 mil na China.

Foram confirmados apenas 11 novos casos em seis províncias, enquanto em Hubei – o epicentro do surto de Covid-19 – as infecções caíram de 630 para 398 em um dia. As autoridades de Wuhan, onde o surto teve início, chegaram a anunciar que as pessoas que estivessem em boas condições de saúde poderiam deixar a cidade, mas acabaram cancelando a medida.

Neste domingo, o presidente Xi Jinping comemorou a tendência de queda e pediu a reativação das atividades econômicas e a reabertura do comércio nas províncias consideradas de baixo risco. As demais, segundo o líder chinês, devem permanecer concentradas no controle do surto.

Algumas fábricas, comércios e locais de construção fora de Hubei retomaram suas atividades, ainda que parcialmente. Muitos trabalhadores ainda não retornaram do feriado do Ano Novo chinês, que foi estendido em razão do surto. Em muitos lugares há escassez de matéria-prima e componentes industriais, o que fez com que as linhas de produção não pudessem ser totalmente restabelecidas.

Em razão do surto, o governo chinês adiou o Congresso Nacional do Povo, o encontro anual do Parlamento, com início marcado para 5 de março. Nos dez dias de duração do maior evento político do país, com cerca de 3 mil participantes, os parlamentares chineses aprovam leis e definem as metas econômicas para o ano que se inicia no calendário chinês. Ainda não foi divulgada uma nova data para a realização do congresso.

RC/rtr/dpa/ap

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