Atentados no Afeganistão causam ao menos duas mortes | Notícias internacionais e análises | DW | 18.09.2021

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Mundo

Atentados no Afeganistão causam ao menos duas mortes

São os primeiros ataques a bomba letais no país após a retirada das tropas americanas. Ocorrência mais grave foi em Jalalabad, cidade localizada em região tida como bastião do braço afegão do "Estado Islâmico".

Homens de turbante perto de um carro destruíido

Local de explosão na capital afegã, Cabul

Ao menos duas pessoas morreram e dezenas ficaram feridas após três explosões atingirem a cidade afegã de Jalalabad neste sábado (18/09). Pelo menos uma das detonações teve como alvo um veículo do Talibã. Este foi o primeiro ataque terrorista com mortes no país desde a retirada dos Estados Unidos.

"Um ataque visava um veículo do Talibã que patrulhava Jalalabad", disse à agência de notícias AFP um oficial talibã que pediu anonimato. "Mulheres e crianças estavam entre os feridos”, acrescentou.

Um funcionário do departamento de saúde da província de Nangarhar disse ter havido três óbitos e que pelo menos 18 pessoas ficaram feridas, enquanto vários meios de comunicação locais relataram que os ataques deixaram pelo menos dois mortos.

Fotos tiradas do local da explosão mostram uma caminhonete verde com uma bandeira branca do Talibã cercada por escombros, com combatentes armados observando a cena.

Jalalabad é a capital de Nangarhar, bastião do braço afegão do grupo "Estado Islâmico".

Explosões em Cabul

Pouco antes do atentado em Jalalabad foi registrada uma detonação em Cabul. Uma testemunha afirmou que o explosivo estava preso a um veículo e que não houve mortos. Diversos relatos falam de feridos e duas explosões.

O ataque ocorreu no distrito 13, zona com grande presença de membros da etnia hazara. Este tipo de atentado é similar aos executados pelos talibãs contra as forças de segurança afegãs e as tropas estrangeiras que ocuparam o país durante duas décadas.

Uma caótica operação de retirada liderada pelos EUA foi marcada por um devastador ataque a bomba reivindicado pelo EI, que matou dezenas de pessoas.

Mas desde a última tropa americana partiu em 30 de agosto, o país tem estado livre de grandes incidentes de violência.

Erro dos EUA matou 10 civis

Nesta sexta, o Pentágono reconheceu que um ataque de drone em Cabul, realizado em 29 de agosto, matou dez civis por engano, incluindo sete crianças, sem atingir nenhum terrorista do grupo "Estado Islâmico", como informado anteriormente, pedindo desculpas pelo erro.

Após o ataque, o Pentágono tinha sustentado que o alvo era um carro-bomba que se preparava para realizar um atentado no aeroporto da capital afegã, onde os Estados Unidos realizavam os últimos esforços para retirar seus cidadãos, a poucas horas do fim do prazo previsto da ocupação do país.

O Departamento de Defesa dos EUA realizou uma revisão interna sobre o ataque, e concluiu que ele não atingiu o alvo pretendido. "O ataque foi um erro trágico", afirmou o general Frank McKenzie, diretor do Comando Central militar dos Estados Unidos, em uma entrevista coletiva.

"Estou agora convencido que dez civis, incluindo até sete crianças, foram tragicamente mortas no ataque. Além disso, agora avaliamos que é improvável que o veículo e aqueles que morreram eram vinculados ao EI-K, ou uma ameaça direta às forças americanas", ele disse, referindo-se ao braço do "EI" no Afeganistão.

McKenzie pediu desculpas e disse que o governo americano está considerando pagar indenizações aos familiares das vítimas.

À época, uma reportagem do jornal americano The New York Times ouviu de uma família de Cabul que o ataque havia matado dez de seus membros, incluindo sete crianças, um funcionário de organização humanitária americana e um colaborador das Forças Armadas dos EUA. Mas o Pentágono mantinha a até poucos dias atrás a posição de que o ataque tinha sido justificado.

Retorno às aulas

Os ataques deste sábado ocorrem em momento em que o Talibã ordenou que meninos e professores voltem para a escola secundária no Afeganistão – mas as meninas foram excluídas.

A determinação do Ministério da Educação foi o mais recente movimento do novo governo para ameaçar os direitos das mulheres. "Todos os professores e alunos do sexo masculino devem frequentar suas instituições de ensino", disse um comunicado antes do recomeço das aulas no sábado, primeiro dia da semana no Afeganistão. A nota, divulgada na sexta-feira, não faz menção a professoras ou alunas.

As escolas secundárias, com alunos geralmente entre 13 e 18 anos, costumam ser segregadas por sexo. Durante a pandemia de covid-19, eles enfrentaram repetidos fechamentos e foram fechados desde que o Talibã tomou o poder.

As Nações Unidas disseram estar "profundamente preocupadas" com o futuro da escolaridade das meninas no Afeganistão. “É fundamental que todas as meninas, incluindo as mais velhas, possam retomar sua educação sem mais atrasos. Para isso, precisamos de professoras para retomar o ensino”, disse o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

md (AFP, EFE)

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