Atentados contra igrejas no Chile antecipam visita do papa | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 13.01.2018
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Terrorismo

Atentados contra igrejas no Chile antecipam visita do papa

A poucos dias da viagem do líder católico ao Chile, quatro igrejas são atacadas. Alvo seriam gastos públicos excessivos com o evento, mas um panfleto prometia: "Francisco, as próximas bombas serão na tua batina".

Polícia documenta estragos na igreja Santa Isabel de Hungria, em Santiago

Polícia documenta estragos na igreja Santa Isabel de Hungria, em Santiago

Desconhecidos atacaram na madrugada desta sexta-feira (12/01) quatro igrejas em Santiago do Chile com bombas incendiárias, em rejeição à visita do papa Francisco ao país, a partir da próxima segunda-feira. Os autores dos atentados ameaçaram expressamente o líder da Igreja Católica, informaram as autoridades.

"Dez bilhões para o papa e nós pobres morremos nos povoados", assinalava um escrito na muralha do santuário Cristo Pobre, onde a polícia conseguiu neutralizar um galão aparentemente cheio de combustível, deixado no local por sujeitos não identificados.

Algumas fontes atribuem os atos de destruição a membros do povo indígena mapuche, que se defendem de ações de desterro no sul do país. Corroborando essa versão, as autoridades chilenas divulgaram um panfleto encontrado junto a uma das igrejas atacadas, no município de Estación Central.

Seus autores prometem nunca se curvar à dominação externa, manifestando-se "contra todo religioso e pregador" e por "corpos livres, impuros e selvagens". Depois de proclamar "Wallmapu libre" ("Liberdade para a terra dos mapuche"), a nota se conclui com uma ameaça explícita: "Papa Francisco, as próximas bombas serão na tua batina".

Panfleto encontrado em um dos locais contém ameaça ao papa e sugere envolvimento dos indígenas mapuche

Panfleto encontrado em um dos locais contém ameaça ao papa e sugere envolvimento dos indígenas mapuche

"Corpos livres e selvagens"

Além dos ataques às igrejas, membros do Andha Chile, movimento que reúne devedores habitacionais, protestaram na Nunciatura Apostólica, no bairro de Providencia, onde o papa Francisco ficará hospedado em Santiago durante sua visita ao Chile, de 15 a 18 de janeiro.

"O problema não é a fé, mas os milhões que gastam", explicou a líder do Andhar Chile, Roxana Miranda, ex-candidata à presidência do Chile em 2013, segundo um vídeo gravado pelos manifestantes, publicado no Twitter. Os manifestantes foram levados pela polícia sem impor resistência.

O orçamento para a visita do papa ao Chile, segundo site da organização oficial, é de aproximadamente 4 bilhões de pesos chilenos (R$ 21,31 milhões). Fontes extraoficiais afirmam que o Estado gastará outros 7 bilhões de pesos (R$ 37,29 milhões) em segurança, transporte e logística, entre outras despesas.

Em Concepción, 515 quilômetros ao sul de Santiago, desconhecidos apedrejaram e lançaram tinta contra a sede da Direção do Trabalho. O ato teve a participação do Movimento Juvenil Lautaro (MJL), um grupo de extrema-esquerda que insistiu em ações armadas após o término da ditadura de Augusto Pinochet e foi desarticulado no começo dos anos 90.

Autoridades pedem paz e serenidade

Após uma reunião de coordenação sobre a visita papal no Palácio de La Moneda, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, lembrou que o dever do Estado é garantir a tranquilidade aos habitantes das cidades que o papa visitará. "Quero convidá-los a viver esta visita num clima de respeito, de solidariedade e de alegria entre nós, e também o façamos entre quem nos visitar de outros países", disse a presidente.

Em declaração, o arcebispado de Santiago manifestou sua dor pelos atentados, "que contradizem o espírito de paz que motiva a visita do papa ao país". "Com humildade e serenidade pedimos aos que realizaram estes atos – que consideramos não representarem em absoluto o sentimento da imensa maioria da população –, refletir sobre a necessidade de existir respeito e tolerância entre todos, para construir uma pátria de irmãos."

Por sua vez, o presidente eleito Sebastián Piñera condenou através do Twitter os ataques contra as igrejas católicas, enfatizando que "o ódio e a intolerância não podem sobrepor ao respeito e ao Estado de Direito. Recebamos o papa Francisco com alegria e em paz".

AV/lusa,kna,afp,dpa

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