Ataque requisitado por Exército alemão faz dezenas de mortos no Afeganistão | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 04.09.2009
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Alemanha

Ataque requisitado por Exército alemão faz dezenas de mortos no Afeganistão

Dezenas de pessoas foram mortas em ataque ordenado pelas Forças Armadas Alemãs (Bundeswehr) a dois caminhões sequestrados por talibãs na província de Kunduz, no norte do Afeganistão. Algumas fontes apontam vítimas civis.

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Aldeões enterram seus mortos após ataque da Otan

As tropas alemãs que requisitaram o ataque aéreo na madrugada desta sexta-feira (04/09) fazem parte da Isaf (Força Internacional de Assistência à Segurança), estacionada no Afeganistão sob comando da Otan.

O Ministério da Defesa em Berlim disse que se tratava de mais de 50 mortos, descartando que houvesse vítimas civis. O presidente afegão Hamid Karzai comunicou, no entanto, que "cerca de 90 pessoas foram mortas ou feridas". Ele declarou estar consternado e disse que "civis inocentes não devem ser mortos ou feridos em operações militares".

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, ordenou a abertura de investigação. Uma equipe de investigadores sob a direção de um almirante da Isaf já estaria no local do episódio. Segundo dados da Isaf e do Ministério alemão da Defesa, o ataque foi ordenado por um oficial alemão, quando os dois caminhões-tanque ficaram presos em um banco de areia no Rio Kunduz.

Vítimas civis

A presidência afegã informou que uma comissão de inquérito foi enviada para a região de Kunduz. Nos últimos tempos, diversos cidadãos civis foram mortos em ataques aéreos da Otan, fato criticado pelo governo afegão.

Stanley McChrystal, novo comandante-em-chefe da Isaf, ordenara em julho passado que aviadores só deveriam entrar em ação se houvesse a certeza de que a vida de civis não estaria em perigo. Segundo McChrystal, a segurança da população seria mais importante do que a caça aos talibãs.

Segundo a agência de notícias DPA, o primo de uma das vítimas da vila atingida declarou que "na região existem também talibãs, mas a maioria das vítimas era civil". No total, mais de 150 pessoas teriam sido mortas ou feridas, declarou.

Representantes da província de Kunduz explicaram que, no momento do ataque, os talibãs distribuíam gasolina dos caminhões à população. Como os cadáveres estariam embebidos de combustível, eles ainda não puderam ser resgatados, devido ao perigo de explosão. A gasolina era destinada às Forças Armadas alemãs.

Aviões da Otan

A Bundeswehr, por sua vez, explicou que os rebeldes talibãs teriam erguido um posto de controle próximo a Kunduz, de onde sequestraram os caminhões carregados de combustível. Os talibãs teriam então levado a gasolina a ser usada por eles próprios para o distrito rebelde de Char Darah.

Dois aviões da Otan requisitados pelas Forças Armadas alemãs teriam atacado os caminhões-tanque, quando atolaram, ao tentar atravessar um rio, a 6 km de distância das equipes alemãs de reconstrução, informou a Bundeswehr.

Diante da notícia de vítimas civis e das críticas à desproporção da missão, um porta-voz do Ministério alemão da Defesa defendeu o comandante alemão que ordenou o ataque. O oficial em questão seria extremamente cauteloso, afirmou. O porta-voz acresceu que, na região de ação da Bundeswehr, ainda não se praticara um ataque aéreo de tal dimensão, com tantas vítimas.

Reações na Alemanha

Três semanas antes das eleições parlamentares alemãs, o ataque aéreo provocou fortes reações entre políticos alemães de oposição. Oskar Lafontaine, presidente do partido A Esquerda, reiterou o pedido de retirada das tropas alemãs do Afeganistão.

A especialista em Defesa do Partido Liberal Democrata exigiu uma posição definida da chefe alemã de governo Angela Merkel de que a missão no Afeganistão trata-se de lutas perigosas e não da ajuda ao desenvolvimento.

O ministro alemão da Defesa, Franz Josef Jung, decidiu ainda não se pronunciar, porque o "quadro de informações" ainda não estaria claro, afirmou um porta-voz do ministério em Berlim.

A Alemanha possui aviões de reconhecimento, mas não de ataque no Afeganistão. Ao ser requisitado um ataque aéreo na Isaf, pilotos britânicos ou norte-americanos assumem a missão.

CA/dpa/afp/rtr
Revisão: Augusto Valente

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