Ataque ao Parlamento acirra caos político na Líbia | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 19.05.2014
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Mundo

Ataque ao Parlamento acirra caos político na Líbia

País teve mais de 80 mortos e 200 feridos no fim de semana. Sem um governo central forte, confrontos entre grupos armados crescem, e Ocidente e países vizinhos temem que instabilidade possa contaminar região.

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Fumaça do incêndio no Parlamento líbio no céu da capital, Trípoli

O ataque de forças leais a um ex-general contra o Parlamento em Trípoli, no fim de semana, jogou a já instável política Líbia na que acredita-se ser a maior crise no país desde a queda do ditador Muammar Kadafi, em 2011. Nesta segunda-feira (19/05), países vizinhos, a União Europeia e o mercado de petróleo expressaram preocupação com a situação no Estado norte-africano.

O Parlamento de transição, em Trípoli, foi atacado por unidades armadas no domingo. Eleito em julho de 2012, o Legislativo provisório é considerado ilegítimo por grandes segmentos da população. Ele deveria ser substituído por um novo em fevereiro, mas prorrogou seu mandato até dezembro.

General Khalifa Haftar Libyen 17.05.2014

Haftar: ex-general combate forças islâmicas

Os autores do ataque eram das chamadas Brigadas Sintan, que disseram agir em nome do general reformado Khalifa Heftar, ex-integrante da oposição a Kadafi. Batizadas com o nome de uma cidade a sudoeste de Trípoli, elas compõem um dos grupos armados mais poderosos do país. A investida contra o Parlamento teria como objetivo expulsar as milícias extremistas islâmicas e seus supostos apoiadores entre os deputados.

Coube ao coronel Mojtar Farnana, comandante da polícia militar, comunicar na TV líbia o ataque ao Parlamento. Evitando falar em golpe de Estado, ele disse que a intenção das milícias era autoproclamar um novo Legislativo e colocar em vigor uma nova Constituição, mas não deu mais detalhes. "Anunciamos ao mundo que o país não pode ser uma incubadora do terrorismo", afirmou.

Desde a queda de Kadafi, em 2011, o país tem sido abalado por confrontos entre grupos armados e milícias. O último deles começou na sexta-feira, com um ataque de homens armados liderados pelo ex-general Khalifa Haftar contra brigadas islâmicas radicais em Bengazi, matando 79 pessoas e ferindo mais de 140.

No ataque ao Parlamento, duas pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas. Ao todo no fim de semana, 81 pessoas foram mortas e cerca de 200 ficaram feridas em combates em Trípoli e Bengazi.

Temor regional

Não se sabe qual é o real apoio a Heftar entres as instituições líbias. Seu nome passou a ganhar destaque apenas nos últimos meses, com o aumento da violência, e elevou a instabilidade da caótica transição do país à democracia. A incerteza, dizem especialistas, aumentou a percepção entre vizinhos de que a Líbia, sem um governo central forte e com uma série de milícias fortemente armadas e de interesses distintos, possa ser um foco de instabilidade para toda a região.

Libysche Armee vor Parlamentsgebäude 19.5.2014

Exército líbio cerca o Parlamento após ataque contra edifício

O governo, o Parlamento e o Exército acusam uma tentativa de golpe tramada por Haftar. Ele diz não reconhecer o Parlamento provisório que, segundo ele, já "expirou". Ex-militar de 71 anos, Haftar se tornou, após a queda do ditador Kadafi, um dos mais importantes líderes militares líbios.

Ele já era militar sob o regime Kadafi, foi membro da oposição, tendo vivido nos EUA por quase duas décadas, antes de retornar do exílio em março de 2011. É tido como ligado à agência de inteligência americana (CIA) desde quando integrava a oposição a Kadafi. Segundo informações da emissora de notícias Al Arabia, ele estaria sendo ajudado também pela Arábia Saudita e pelo Egito em sua luta contra islamistas.

Haftar já tinha tentado no ano passado derrubar o governo, sem sucesso. O coronel Mochtar Fernana, que anunciou na televisão líbia o ataque ao Parlamento, seria, segundo analistas, aliado de Haftar. Entretanto, ambos se negam a falar em golpe de Estado. Desde a queda de Kadafi, cresce na Líbia a influência de grupos islamistas que também teriam ligações com rede terrorista Al Qaeda.

O chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, expressou preocupação com a situação no país africano. "A União Europeia está profundamente preocupada com a deterioração significativa da situação política e de segurança na Líbia", disse o porta-voz de Ashton em Bruxelas nesta segunda-feira. "Apelamos a todos os lados para que evitem mais derramamento de sangue e que abram mão da violência".

Devido à crise, a Arábia Saudita fechou sua embaixada na Líbia, e a Turquia suspendou as atividades consulares em Benghazi. A Argélia fez o mesmo, e a companhia estatal de energia argelina ordenou a retirada de todos os seus trabalhadores do país vizinho.

MD/afp/dpa

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