Assembleia Geral da ONU rejeita reconhecimento de Jerusalém | Notícias internacionais e análises | DW | 21.12.2017
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Mundo

Assembleia Geral da ONU rejeita reconhecimento de Jerusalém

Nações Unidas aprovam resolução contra decisão dos Estados Unidos. Com o apoio de mais de 100 países, medida estabelece que status da cidade deve ser resolvido por meio de negociações de paz.

Sessão de emergência da Assembleia Geral da ONU debateu o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel

Sessão de emergência da Assembleia Geral da ONU debateu o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel

Por 128 votos a favor, nove contra e 35 abstenções, os Estados-membros da ONU aprovaram numa sessão de emergência nesta quinta-feira (21/12) uma resolução rejeitando a medida dos Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

No texto, a Assembleia Geral reafirmou que o status de Jerusalém é uma questão que deve ser resolvida por meio de negociações de paz. Além disso, a resolução diz que qualquer decisão contrária não possui efeito legal e deve ser rescindida.

Leia também: Perguntas e respostas sobre o status de Jerusalém

Diferentemente do Conselho de Segurança da ONU, nenhum país-membro das Nações Unidas tem poder veto na Assembleia Geral, cujas resoluções não são vinculativas, mas sim mensagens de peso político.

Os nove países que votaram contra a resolução foram: EUA, Israel, Guatemala, Honduras, Ilhas Marshall, Micronésia, Nauru, Palau e Togo. Brasil, Alemanha e a maioria dos países da União Europeia (as exceções foram no Leste, com Hungria, Letônia, República Tcheca, Romênia, Croácia e Polônia, que se abstiveram) votou a favor. Outra abstenção de peso foi do Canadá.

Uma porta-voz do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, saudou a decisão da ONU e afirmou que ela representa uma vitória para os palestinos. "Continuaremos nossos esforços nas Nações Unidas para acabar com a ocupação e criar o Estado palestino", acrescentou.

Em 6 de dezembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, reconheceu Jerusalém como a capital de Israel e, dessa forma, rompeu com um consenso internacional e desencadeou protestos no mundo muçulmano. Em seguida, vieram ondas de apelos às Nações Unidas.

Demonstranten verbrennen Fahne mit Davidstern in Berlin

Decisão unilateral de Trump de declarar Jerusalém como capital de Israel desencadeou protestos mundo afora

Além disso, políticos aproveitaram e foram a público defender suas causas. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aproveitou para pressionar países europeus a seguir o exemplo dado por Trump. Por outro lado, o governo da Turquia incentivou países muçulmanos a declararem Jerusalém Oriental capital palestina. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, prometeu abrir uma embaixada da Turquia no lado oriental da cidade sagrada. 

Antes da reunião da Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira, Trump advertiu que Washington observaria atentamente como os países iriam votar, sugerindo que poderia até haver represálias.

"Eles tomam centenas de milhões de dólares – e até bilhões de dólares – e depois votam contra nós", disse Trump. "Bem, estamos assistindo a estes votos. Deixe que votem contra nós. Iremos economizar bastante. Não nos importa."

EUA usaram veto no Conselho de Segurança

Na segunda-feira, os Estados Unidos vetaram uma resolução apoiada por 14 países no Conselho de Segurança da ONU, que solicitava que Washington voltasse atrás em seu reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel e na decisão de mudar sua embaixada para essa cidade.

Apresentada pelo Egito, a resolução recebeu o apoio inclusive de tradicionais aliados americanos, como Reino Unido, França e Japão. O texto pedia que fosse rescindida qualquer decisão contrária ao estabelecido pelas Nações Unidas em relação a Jerusalém e, especificamente, solicitava que os países evitassem estabelecer missões diplomáticas na cidade.

A resolução lamentava as "recentes decisões" sobre o status da cidade, em referência à decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

"Nenhum país vai dizer aos Estados Unidos onde podemos colocar nossa embaixada", disse a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, após usar pela primeira vez o seu direito de veto desde que assumiu o cargo.

Haley alegou que a medida de Trump sobre Jerusalém é uma decisão soberana de seu país e insistiu que o movimento não prejudica em nada o processo de paz no Oriente Médio, que está travado há anos. "O que vimos no Conselho de Segurança é um insulto e não será esquecido", ressaltou Haley.

Esse foi o primeiro veto do governo Trump no Conselho de Segurança. A última vez que a Casa Branca tinha utilizado o poder de bloquear decisões contrárias aos interesses no principal órgão de decisão da ONU foi em 2011. Além dos EUA, o Reino Unido, a China, a França e a Rússia possuem o poder de vetar resoluções do Conselho de Segurança.

Jerusalem Blilck auf Klagemauer und Felsendom

Palestinos defendem que a porção leste da Cidade Sagrada deve ser a capital de seu almejado Estado palestino

Cidade disputada

O status de Jerusalém é uma das questões centrais no conflito entre israelenses e palestinos. Israel capturou a parte oriental, predominantemente árabe, da cidade sagrada durante a Guerra dos Seis Dias (1967). Sua reivindicação para toda a cidade, a qual Israel vê como a antiga capital do povo judeu, nunca foi reconhecida internacionalmente. 

Israel considera a Cidade Sagrada a sua capital "eterna e indivisível", enquanto os palestinos defendem que a porção leste de Jerusalém deve ser a capital de seu almejado Estado, sendo este um dos maiores desentendimentos entre as duas partes.

As Nações Unidas estabelecem que o status de Jerusalém deve ser definido em negociações entre israelenses e palestinos, razão pela qual os países com representação diplomática em Israel têm suas embaixadas em Tel Aviv e imediações.

PV/CN/AV/efe/ap/afp/lusa/rtr

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