Assad acusa Reino Unido de querer militarizar rebeldes sírios | Notícias internacionais e análises | DW | 03.03.2013
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Mundo

Assad acusa Reino Unido de querer militarizar rebeldes sírios

Em rara entrevista a um órgão de imprensa ocidental, presidente sírio diz que iniciativa dos ingleses não ajudará a diminuir a violência, e reafirma que não vai renunciar. Ministro britânico tacha declaração de "insana".

O presidente sírio Bashar al-Assad acusou o Reino Unido de querer "militarizar" a guerra da Síria, ao ajudar no armamento dos rebeldes que lutam para tirá-lo do poder. Em uma rara entrevista, publicada pelo jornal britânico Sunday Times neste domingo (03/03), Assad disse ainda que "assim como qualquer patriota sírio", não está preparado para renunciar e viver no exílio, e repetiu que está disposto a negociar.

"Como podemos pedir a eles [britânicos] que ajudem a situação a melhorar, a ficar mais estável, como podemos esperar que ajudem a diminuir a violência, se eles querem enviar suprimentos militares aos terroristas?", questiona Assad na entrevista.

O líder sírio afirmou, ainda, que o Reino Unido vem aumentando a pressão para que a União Europeia suspenda o embargo ao envio de armas aos rebeldes na Síria, "para começar a apoiar grupos equipados com armas pesadas".

Syrien / Aleppo / Aufständische

Reino Unido e França devem oferecer treinamento militar a rebeldes na Síria

Declarações "insanas"

O ministro britânico do Exterior, William Hague, classificou as declarações do presidente sírio como "insanas". Hague não descarta a possibilidade de enviar futuramente armamento às tropas da oposição. Mas por enquanto, o governo em Londres divulgará nos próximos dias apenas o repasse de outros materiais para ajudar os rebeldes – excluindo armas. Hague declarou à imprensa inglesa que não se pode ignorar a situação na Síria, pois ela é bastante perigosa para a paz e a estabilidade mundiais.

Assad concedeu a entrevista no final de fevereiro, em sua residência em Damasco. Há mais de um ano o presidente sírio não dava declarações a jornais do Ocidente. A publicação ocorre um dia após o ministro sírio do Exterior, Walid al-Moallem, ter acusado os Estados Unidos de financiarem terroristas na Síria. Há uma semana Washington prometeu aos opositores de Assad mais 60 milhões de dólares em ajuda não letal.

O Reino Unido e provavelmente também a França devem oferecer treinamento militar para os rebeldes sírios, segundo divulgou neste domingo a revista alemã Der Spiegel, acrescentando que a UE já deu sinal verde para o envio de treinadores. Oficialmente, porém, Bruxelas fala apenas em "apoio técnico". Nos bastidores, os países europeus teriam deixado claro que o treinamento incluiria também o manuseio de armas. O governo alemão declarou que não pretende enviar especialistas à Síria.

Syrien Aleppo Februar 2013

Confrontos entre tropas do governo e rebeldes em Aleppo causaram 200 mortes em uma semana

Batalha sangrenta em Aleppo

Segundo o Observatório dos Direitos Humanos na Síria, pelo menos 200 pessoas, entre rebeldes e integrantes das tropas do governo, morreram na última semana em confrontos pelo controle de uma academia de polícia. Os combates em Aleppo, no norte do país, terminaram neste domingo, com os insurgentes obtendo o domínio da área considerada um dos últimos bastiões do Exército.

Também neste domingo, grupos rebeldes dominaram um batalhão de artilharia na província de Daraa, ao sul, próximo à fronteira com Israel.

O Exército do Iraque fez disparos de alerta na fronteira com a Síria nesta madrugada. Os tiros foram dados após tropas insurgentes terem vencido forças do governo sírio na cidade de Yaarabiya, próxima à fronteira. Segundo a polícia iraquiana, as autoridades receberam ordens para atirar contra a fronteira "por causa de falta de controle do governo sírio do outro lado".

A situação ilustra que o conflito na Síria pode facilmente se espalhar para além das fronteiras do país, desestabilizando a região. Mais de 70 mil pessoas já morreram desde o início dos confrontos entre rebeldes e tropas leais a Assad.

MSB/dpa/afp/rtr
Revisão: Augusto Valente

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