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Arábia Saudita exibe armas usadas em ataque e acusa Irã

18 de setembro de 2019

Riad diz que atentado a instalações petrolíferas foi "patrocinado" por Teerã, mas evita afirmar que iranianos orquestraram ação. Segundo governo saudita, 25 drones e mísseis foram usados. Trump amplia sanções ao Irã.

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Destroços de armas que teriam sido usadas no ataque na Arábia Saudita
Ataque no sábado interrompeu a produção de 5,6 milhões de barris de petróleo por dia – cerca de 5% da produção mundialFoto: picture-alliance/dpa/Bildfunk/A. Nabil

O Ministério da Defesa da Arábia Saudita exibiu nesta quarta-feira (18/09) uma série de destroços de drones e mísseis de cruzeiros que, segundo os investigadores sauditas, foram usados no ataque a duas instalações petrolíferas da estatal Aramco, entre elas a refinaria de Abqaiq, a maior do mundo.

De acordo com um porta-voz da pasta, coronel Turki al-Malki, a análise do material e da trajetória das armas mostra "que o ataque foi sem dúvida patrocinado pelo Irã".

Segundo Malki, foram encontrados destroços de 18 drones e sete mísseis de cruzeiro na área. Ele ainda afirmou que as armas foram lançadas de algum ponto ao norte da Arábia Saudita e que os destroços indicam que o material tinha origem iraniana.

O porta-voz, no entanto, evitou apontar explicitamente que militares de Teerã orquestraram diretamente os ataques ou que as armas foram lançadas do território iraniano.

Segundo ele, os investigadores ainda estão tentando determinar o local exato dos lançamentos. Malki também não deixou claro como os investigadores concluíram que as armas foram lançadas do norte, e não do Iêmen, que fica ao sul.

O ataque no último sábado interrompeu a produção de 5,6 milhões de barris de petróleo por dia – cerca de 5% da produção mundial, provocando na segunda-feira a maior alta do preço da commodity em quase 30 anos.

Rebeldes houthis, que dominam parcialmente o Iêmen e que são apoiados pelo Irã, reivindicaram a autoria da ação no noroeste da Arábia Saudita. Segundo os rebeldes, os ataques foram lançados em retaliação à violenta intervenção liderada pelos sauditas no Iêmen, que desde 2015 combate os houthis. 

Os houthis não escondem que usam armamento enviado pelo Irã no conflito, e eles já lançaram ataques a outras instalações sauditas no passado, mas nenhuma dessas ações anteriores teve a mesma escala e nível de coordenação dos ataques às instalações da Aramco do último sábado. 

Pouco depois do ataque, os sauditas e seus aliados americanos logo levantaram a suspeita de que os iranianos estavam por trás do atentado. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, chegou a afirmar no domingo que "o Irã lançou um ataque sem precedentes contra o fornecimento de energia do mundo". Nesta quarta-feira, Pompeo viajou a Riad para se reunir com membros do governo saudita e discutir a crise.

O governo iraniano nega qualquer envolvimento no ataque e disse que as acusações contra o país visam prejudicar sua "reputação" e "criar um quadro para ações futuras".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não adotou a mesma retórica explícita de seu secretário, mas sugeriu que os iranianos podem estar por trás do ataque. Ao mesmo tempo, disse que prefere evitaruma guerra com Teerã. 

Mas Trump também tem usado a ocasião para aumentar a pressão contra o Irã na queda de braço que envolve o programa nuclear de Teerã. Ainda nesta quarta-feira, ele anunciou que ordenou um "aumento substancial" das sanções aplicadas ao país.

"Acabo de instruir o secretário do Tesouro a aumentar substancialmente as sanções contra o Irã", afirmou o presidente em mensagem publicada no Twitter.

Trump não divulgou mais detalhes sobre as sanções adicionais, e o Departamento do Tesouro também não informou sobre essas medidas. A expectativa é que o governo se pronuncie nas próximas horas.

JPS/afp/efe/ots

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