Aproximação EUA-UE exige maior engajamento de europeus | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 06.04.2009
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Mundo

Aproximação EUA-UE exige maior engajamento de europeus

Depois do encontro do G20 e da comemoração dos 60 anos da Otan, norte-americanos fortalecem laços e dividem obrigações e responsabilidades com europeus durante a cúpula Estados Unidos-União Europeia (UE), em Praga.

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Europeus saúdam fortalecimento de laços transatlânticos

Na cúpula EUA-UE, realizada neste domingo (05/04), na República Tcheca, o presidente norte-americano Barack Obama foi mais uma vez o centro das atrações. A cúpula teve sobretudo um caráter simbólico. Obama e os demais chefes de Estado e governo da UE estiveram reunidos somente durante duas horas.

O comentário do ex-premiê tcheco Mirek Topolanek, atual presidente rotativo do Conselho da UE, ilustrou bem os poucos temas concretos discutidos na cúpula na capital tcheca. "Acho que o resultado concreto do nosso encontro em Praga é a declaração conjunta da UE e dos EUA sobre o lançamento do foguete norte-coreano hoje", comentou Topolanek.

O foguete, supostamente um teste de mísseis de longo alcance, foi lançado na manhã do domingo pelo governo da Coreia do Norte. O lançamento abriu uma oportunidade de aproximação entre a Europa e os Estados Unidos, dando maior atualidade ao discurso contra as armas nucleares, feito pelo presidente norte-americano em Praga.

Crise econômica e mudanças climáticas

Após a discussão sobre o combate à crise econômica e financeira durante a cúpula do G20, em Londres, os chefes de Estado e governo reiteraram em Praga o desejo de trabalhar de forma próxima e construtiva com vista ao reaquecimento da economia.

Quanto às medidas de proteção climática, os europeus ficaram contentes com o fato de Barack Obama ter cumprido a promessa eleitoral e querer estabelecer metas, pelo menos de médio prazo, para redução das emissões de CO2.

Obama declarou que há um consenso sobre a necessidade de discutir as mudanças climáticas, levando a segurança energética também em consideração. O objetivo é garantir que a Europa e também os Estados Unidos disponham de diferentes fontes energéticas, explicou.

Turquia na União Europeia

Obama Merkel Baden-Baden

Obama e Merkel na cúpula da Otan

No entanto, a sugestão feita por Obama com vista ao ingresso da Turquia como membro efetivo da União Europeia não agradou especialmente aos franceses. A premiê alemã Angela Merkel também reagiu reservadamente à proposta do presidente norte-americano. "Ainda não sabemos de que forma isso irá ocorrer – se através de um ingresso efetivo ou de uma parceria privilegiada. Mas o compromisso fundamental de uma ligação mais estreita da Turquia com a Europa está correto e recebe nossa aprovação", declarou Merkel.

Ou seja, os alemães continuam a favorecer a ideia de uma UE sem a Turquia. E, de forma geral, os participantes da cúpula enfatizaram estar satisfeitos com a cooperação confiável entre Europa e Estados Unidos. José Manuel Barroso, presidente da Comissão Europeia, declarou que "sem este forte laço transatlântico não seria possível dar ênfase ao compromisso dos nossos valores comuns: a liberdade e a democracia".

Isso não significa, todavia, que os países da União Europeia queiram acolher de bom grado prisioneiros de Guantánamo dos Estados Unidos, como propôs Obama em Praga antes de seguir viagem para a Turquia.

"Qual é a sua contribuição?"

Comentando a visita de Obama à capital tcheca, o jornal austríaco Kurier escreveu nesta segunda-feira (06/04) que a estratégia de Obama como estadista é dividir o peso e, desta forma, também a responsabilidade de um possível fracasso, em várias questões, com o maior número possível de países.

Isso vale não somente em relação à redução dos arsenais atômicos, mas também à luta contra a crise econômica, às mudanças climáticas e ao terrorismo internacional. Os EUA sob Obama prometem cumprir sua parte na busca de soluções em todas essas áreas – "mas somente uma parte", acresceu o jornal vienense.

Isso indica uma maior responsabilidade por parte do resto do mundo. Não basta mais apontar o dedo para "os norte-americanos dominantes e arrogantes, que desperdiçam recursos e destroem o meio ambiente". Segundo o jornal austríaco, a desagradável pergunta colocada por Obama aos outros países é: "Estamos fazendo nossa parte. E qual é a sua contribuição?".

Autor: Susanne Henn/Carlos Albuquerque

Revisão: Soraia Vilela

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