Apartamentos de sobra | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 11.09.2003
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Economia

Apartamentos de sobra

No Leste da Alemanha, as cidades têm um problema incomum: sobram moradias. Empecilhos jurídicos impedem pessoas que se interessam por elas o acesso à oferta.

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Demolição: destino dos feios edifícios pré-moldados do Leste

"Para cada um que chegasse, eu daria um apartamento", afirma o prefeito de Frankfurt, não a metrópole financeira às margens do Meno, e sim sua xará do Leste, situada à beira do Oder, na fronteira com a Polônia.

A questão não é tão simples assim. A cidade tem apartamentos vazios em profusão, e quem se interessa por eles são os poloneses. Do Oeste do país, dificilmente alguém planeja mudar-se para aquela região. A Polônia ainda não faz parte da União Européia, o que acarreta outras dificuldades.

Tudo começou com a queda do Muro

A população das cidades do Leste alemão, o território da antiga República Democrática Alemã (RDA), vem diminuindo constantemente desde a grande virada iniciada com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e consolidada com a reunificação do país, em 1990. Em busca de melhores possibilidades no mercado de trabalho, são principalmente os jovens que dão as costas à sua região de origem e mudam-se para o Oeste.

Em conseqüência, uma enorme quantidade de apartamentos estão vazios, principalmente os dos feios conjuntos habitacionais de pré-moldados, construídos em grande quantidade a partir dos primeiros anos da década de 60.

Frankfurt do Oder é um exemplo: nos tempos da RDA, a cidade tinha 90 mil habitantes, que se reduziram hoje a 67 mil. Só de construções pré-moldadas, 7 mil residências estão desabitadas há muito tempo, e a prefeitura, que os administra, gostaria de mandar demolir todas. Mas isto também custa dinheiro.

Na Polônia, o problema é inverso

Plattenbauten in Dresden

Do outro lado do Rio Oder, os poloneses sofrem com a falta aguda de moradias. Na cidadezinha de Slubice, existem 500 a 600 famílias em busca de um lar, afirma Heinz Dieter Walter, porta-voz do prefeito de Frankfurt. Por ironia da história, Slubice era no passado um subúrbio de Frankfurt, antes de passar para a Polônia em resultado da Segunda Guerra Mundial.

Ao longo da fronteira formada pelo Oder, existem inúmeras "cidades duplas", que na verdade são cidades divididas. As maiores são Görlitz, Guben e Frankfurt do Oder. Hoje, enquanto a população decresce no lado alemão e a economia está quase parada, no lado polonês as cidades passam por uma renascença.

Regras de transição na UE

O ideal seria que as pessoas pudessem viver no lado alemão e trabalhar no polonês, ou vice-versa. Mas até que se chegue lá, pode demorar. Mesmo após o 1º de maio de 2004, quando a Polônia entrar oficialmente para a União Européia, vai demorar anos até que reine a liberdade de locomoção e domicílio de que as pessoas gozam nos países da comunidade.

Com a Polônia, foi fechado um acordo que estabelece regras de transição, levando em consideração o receio dos poloneses de que os alemães comprassem terras e imóveis no país, por causa dos preços baixos. E o receio dos alemães de que os poloneses inundassem o mercado de trabalho com sua mão-de-obra barata.

Primeira exceção

A prefeitura de Frankfurt do Oder conseguiu das secretarias estaduais do Interior e da Justiça do Estado de Brandemburgo a permissão para conceder visto de residência a um interessado polonês. Mas não sem condições.

O candidato deve dispor de receitas regulares, renunciar ao auxílio social alemão e estar disposto a pagar na Alemanha um aluguel que é quase o triplo do que se paga na Polônia. Heinz Dieter Walter sabe que não será fácil encontrar alguém que preencha estas condições. "Também não queremos simplesmente ocupar as moradias."

Demolição inevitável

O caminho trilhado por Frankfurt do Oder poderia ser uma solução para sanar os problemas mais prementes. Mas a demolição dos edifícios pré-moldados é inevitável. Heike Liebmann, do Instituto Leibniz de Desenvolvimento Regional e Planejamento Estrutural, situado nas proximidades de Berlim, calcula que pelo menos 20% dos edifícios pré-moldados do Leste alemão serão demolidos nos próximos tempos.

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