Alemanha paga pensão a colaboradores dos nazistas na Bélgica | Notícias internacionais e análises | DW | 20.02.2019
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Europa

Alemanha paga pensão a colaboradores dos nazistas na Bélgica

Parlamentares belgas apelam ao governo do seu país para que encerre pagamentos a 27 cidadãos que colaboraram com o regime nazista. Também no Reino Unido haveria pessoas que recebem essas pensões da Alemanha.

Imagem de um filme de 1934 sobre a ocupação da Bélgica pelos nazistas

Imagem de um filme de 1934 sobre a ocupação da Bélgica pelos nazistas

Cidadãos belgas e britânicos continuam recebendo pensões do governo alemão por sua colaboração com o regime nazista, durante a Segunda Guerra Mundial, afirmaram parlamentares belgas. Eles encaminharam um projeto para que o governo da Bélgica aborde a questão com o governo da Alemanha.

Os nomes dos pensionistas são conhecidos apenas pelas embaixadas da Alemanha, responsáveis por encaminhar os pagamentos. Mas o jornal De Morgen afirmou que 27 cidadãos belgas recebem o dinheiro, em valores mensais estimados entre 435 e 1.275 euros.

Os quatro parlamentares belgas – Olivier Maingain, Stephane Crusniere, Veronique Caprasse e Daniel Senesael – acrescentaram que antigos membros da SS no Reino Unido também recebem pagamentos.

Os parlamentares belgas apelaram ao governo em Bruxelas que "restabeleça a justiça – fiscal, social e memorial – respeitando compromissos históricos e morais assumidos pelos fundadores da União Europeia, incluindo a Bélgica e a Alemanha".

A deputada oposicionista Ulla Jelpke, do partido alemão A Esquerda, declarou que os partidos no governo, em especial a União Democrata Cristã (CDU), repetidamente bloquearam tentativas de acabar com os pagamentos.

"É inaceitável que colaboradores do regime nazista estejam recebendo pensões há décadas, enquanto vítimas dos nazistas tenham que lutar por compensações", declarou Jelpke à DW. "Isso vale tanto para voluntários estrangeiros da SS como para os internos. Qualquer um que tenha voluntariamente participado das práticas assassinas e destrutivas dos nazistas não pode receber qualquer tipo de recompensa."

A Alemanha alterou suas leis de pensão em 1998 para incluir uma cláusula que impede criminosos de guerra ou suas esposas de receber pensões. Mas, em 2014, o governo admitiu, num questionamento de Jelpke, que a cláusula foi aplicada em apenas 99 casos de um total de 940 mil pessoas que recebiam pensões. Acredita-se que cerca de 10 mil pessoas foram voluntárias na SS, uma das mais poderosas organizações paramilitares da Alemanha nazista.

Ao responder ao questionamento da deputada, o governo argumentou que é difícil identificar criminosos de guerra entre os pensionistas, já que os documentos disponíveis não informam sobre as atividades dos beneficiários durante a guerra.

O historiador alemão Martin Göllnitz disse que muitos colaboradores podem ter se aproveitado de uma brecha, pois membros da Waffen-SS estavam sob ordens da Wehrmacht (Forças Armadas) durante a Segunda Guerra. "Isso significa que eles não contam como membros do partido nazista, mas como servidores do império", explica.

Foi o próprio Adolf Hitler que, em 1941, assegurou o pagamento das pensões, que até 38 mil cidadãos belgas chegaram a receber, segundo estimativas.

País neutro no início da Segunda Guerra Mundial, a Bélgica entrou na guerra em maio de 1940, após uma invasão alemã de 18 dias que quase não encontrou resistência e que acabou com a rendição do então monarca Leopoldo 3º.

A Bélgica permaneceu ocupada até 1944, e desde 1995 sua legislação entende como crime o negacionismo do Holocausto.

AS/dw/efe

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