Alemanha construirá centro para desterrados da Segunda Guerra | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 20.03.2008
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Alemanha

Alemanha construirá centro para desterrados da Segunda Guerra

Depois de anos de debate, Alemanha decide erguer centro de documentação para os milhões de alemães desterrados depois da Segunda Guerra. Por medo de relativização da culpa alemã, sobretudo a Polônia se opunha ao projeto.

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Exposição na Casa da História em Bonn será base para Centro dos Desterrados

Desde que a Federação dos Desterrados Alemães (BdV) lançou em 2000 a idéia da construção de um centro dos desterrados, o tema se tornou motivo de controvérsias entre os governos de Berlim e Varsóvia. A Polônia via na iniciativa uma tentativa de relativização da culpa alemã na Segunda Guerra Mundial.

Após a apresentação do projeto pelo ministro alemão da Cultura, Bernd Naumann (CDU), em Varsóvia em fevereiro último, o governo do premiê Donald Tusk declarou não ter intenção formal de participar do projeto, mas que não estaria excluída a participação de historiadores poloneses.

A visita de Naumann abriu assim o caminho para que o gabinete de governo alemão aprovasse, nesta quarta-feira (19/03), a construção de um centro de documentação em memória dos 12 milhões a 14 milhões de desterrados alemães de regiões que hoje pertencem à Polônia e República Tcheca, como a Prússia Oriental, Silésia, Pomerânia Oriental e Sudetos.

Exposição sobre os desterrados

Deutschlandhaus in Berlin

Deutschlandhaus será reformada

O governo alemão disponibilizou 29 milhões de euro para o início do projeto, cujos custos de manutenção anuais girarão em torno dos 2,4 milhões de euros. O centro de documentação terá como base a exposição sobre os desterrados no museu Casa da História da República Federal da Alemanha, em Bonn. A Deutschlandhaus (Casa da Alemanha), localizada no bairro de Kreuzberg em Berlim, será completamente reformada para receber o novo centro de documentação.

Também está planejada a documentação de destinos pessoais dos milhões de desterrados, como também de membros de outros povos cujo desterro foi provocado por alemães, como os 1,5 milhões de poloneses que foram expulsos da Polônia Oriental anexada pelos soviéticos.

O Museu Histórico Alemão ficará encarregado da organização do centro. Ainda está em aberto se a Federação dos Desterrados Alemães, com sua controversa presidente Erika Steinbach, participará da iniciativa. O chefe da bancada social-democrata na Baviera, Franz Maget, se posicionou contra a participação de Steinbach no novo centro. "Ela só provoca irritações nos nossos vizinhos do Leste", afirmou Maget.

Segundo o porta-voz do governo alemão, Thomas Steg, a participação de um representante dos desterrados está planejada somente de forma genérica na futura fundação. O nome da organização ainda não está estipulado. Steg afirmou que uma conferência internacional de especialistas no tema será organizada ainda neste ano.

Causa da migração forçada e expulsão

Deutschland Bund der Vertriebene Erika Steinbach

Erika Steinbach provoca controvérsias

Por medo de relativização da culpa alemã na Segunda Guerra Mundial, o projeto foi, durante anos, criticado por países vizinhos da Alemanha, em especial a Polônia. No entanto, este medo deverá ser afastado pelo fato de o Centro basear-se na "muito elogiada" exposição da Casa da História em Bonn, explica Steg. Na exposição de Bonn, o destino dos desterrados não é separado do regime nacional-socialista, acrescentou o porta-voz do governo.

A decisão do governo alemão foi bem aceita pela maioria dos políticos, partidos e associações. Somente o partido A Esquerda criticou a decisão do gabinete, que "teria aberto o caminho para o revisionismo histórico subvencionado pelo Estado", afirmou a deputada Ulla Jelpke.

A vice-chefe da bancada social-democrata, Angelica Schwall-Düren, salientou que a intervenção de seu partido evitou uma visão histórica parcial por parte do novo centro. O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier (SPD), teria exigido que, no conceito, "os crimes nacional-socialistas fossem apresentados como causa da migração forçada e expulsão", explicou Schwall-Düren.

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