Alemanha acusa médico sírio de crimes contra a humanidade | Notícias internacionais e análises | DW | 29.07.2021

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Mundo

Alemanha acusa médico sírio de crimes contra a humanidade

Residente na Alemanha desde 2015, médico é acusado de cometer 18 crimes de tortura em hospitais militares na Síria. Locais abrigavam presos contrários ao regime de Assad.

Foto mostras ítens de tortura, como machados, barras de ferro, uma prancha de madeira com presilhas e um cilindro grande.

Itens usados ​​por rebeldes para torturar civis mantidos em cativeiro em uma prisão subterrânea

Promotores federais da Alemanha acusaram nesta quarta-feira (28/07) um médico sírio de assassinato e crimes contra a humanidade.

O suspeito enfrenta 18 acusações de tortura contra pacientes de hospitais militares nas cidades sírias de Homs e Damasco, informou em nota o Ministério Público Federal em Karlsruhe.

Alla Mousa se mudou para a Alemanha em 2015 e exerceu a profissãoaté ser preso, em junho do ano passado. Ele é acusado de assassinato, lesão corporal grave, tentativa de lesão corporal e lesão corporal perigosa.

De acordo com os promotores, após o início da Primavera Árabe em 2011, com o levante da oposição contra o presidente sírio Bashar al-Assad, manifestantes contrários ao governo foram presos. Civis feridos, considerados membros da oposição, foram levados a hospitais militares, onde foram torturados e, às vezes, mortos.

Os promotores alemães acusam o médico sírio de, entre outras coisas, pendurar pessoas no teto e espancá-las com um bastão de plástico.

Ele ainda teria derramado álcool e ateado fogo nos órgãos genitais de um adolescente e de um homem em um hospital militar de Homs. O sírio também é acusado de torturar mais nove pessoas no mesmo hospital, em 2011.

O médico teria espancado um prisioneiro, derramando líquido inflamável em suas feridas e ateado fogo, além de chutá-lo no rosto, quebrando três dentes. Outra acusação é de administrar uma injeção letal em um prisioneiro que tentou resistir a ser espancado.

A acusação também alega que Mousa chutou e espancou um homem preso que sofria de um ataque epiléptico. Poucos dias depois, o médico deu ao homem um medicamento. O paciente veio a óbito, sem que a causa exata da morte fosse identificada.

Além das alegações de tortura no hospital militar de Homs, Mousa também é acusado de abusar de presos de um hospital militar em Damasco, entre o final de 2011 e março de 2012.

Importante sinal para sobreviventes

O secretário-geral do Centro Europeu para os Direitos Constitucionais e Humanos elogiou a decisão dos promotores alemães.

"Graves crimes contra a sociedade civil da Síria não estão ocorrendo apenas nos centros de detenção dos serviços de inteligência. O sistema de tortura e extermínio da Síria é complexo e só existe graças ao apoio de uma ampla variedade de atores", disse Wolfgang Kaleck. "Com o julgamento [de Mousa], o papel dos hospitais militares e equipes médicas neste sistema poderá ser abordado pela primeira vez."

Kaleck também observou que o julgamento pode ser importante em termos de abordagem da violência sexual.

"A violência sexual está sendo usada como arma, sistemática e intencionalmente, contra a oposição na Síria. Os afetados não só sofrem consequências físicas e psicológicas, mas também são estigmatizados e discriminados pela sociedade", afirmou Kaleck.

Para ele, o julgamento de Mousa pode ser um importante sinal para os muitos sobreviventes que permaneceram em silêncio até agora.

Precedente

Em fevereiro, um tribunal alemão condenou um ex-membro da polícia secreta de Assad por facilitar a tortura de prisioneiros, em uma decisão histórica que, segundo ativistas de direitos humanos, abriria precedente para outros casos.

Eyad al-Gharib, de 44 anos, foi condenado a quatro anos e meio de prisão por ajudar a prender pelo menos 30 manifestantes na cidade síria de Duma em 2011 e entregá-los ao centro de detenção de Al-Khatib, em Damasco, onde pessoas eram torturadas.

Foi a primeira vez que um tribunal fora da Síria decidiu um caso que alegava que funcionários do governo sírio cometeram crimes contra a humanidade. Para que fosse possível abrir o caso, os promotores alemães invocaram o princípio da jurisdição universal para crimes graves, já que envolvia vítimas e réus na Alemanha.

A guerra civil na Síria matou mais de 380 mil pessoas e deslocou quase metade da população do país. A Alemanha acolheu mais de 700 mil refugiados sírios desde o início do conflito.

le (AFP, AP, DPA)