Albergue nas montanhas bávaras de Sudelfeld convida à paz e reflexão | Conheça os destinos turísticos mais famosos da Alemanha | DW | 09.07.2011
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Turismo

Albergue nas montanhas bávaras de Sudelfeld convida à paz e reflexão

A subida até o albergue Bayrischzell-Sudelfeld é cansativa, ainda mais com a mochila nas costas. Mas a vista e a hospitalidade dos proprietários, que largaram tudo para administrar o local, compensam o esforço.

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Albergue Bayrischzell-Sudelfeld: paraíso nas montanhas bávaras

Angie e Mike Sebrich tiveram que andar montanha acima os últimos 300 metros de sua primeira visita ao albergue da juventude Bayrischzell-Sudelfeld. Isso foi há dez anos, quando eles ainda viviam em Munique. Mike trabalhava com eventos e sua namorada, Angie, viajava como diretora de comunicação do canal MTV de Londres para Los Angeles.

Para fugir do estresse por alguns dias, reservaram um voo para a Tunísia, onde conheceram os Herbergseltern ("pais de albergue", como são chamados em alemão os proprietários) de Lindau. Eles lhes contaram sobre o Bayrischzell-Sudelfeld, um albergue da juventude perdido nas montanhas do sul da Baviera, e a ideia não lhes saiu mais da cabeça. "Nunca havíamos pensado em administrar um albergue", diz a proprietária, de 45 anos.

DJH Jugendherberge Bayrischzell-Sudelfeld

O albergue fica 1200 metros de altura e a cinco quilômetros das termas de Bayrischzell

O casal encantou-se com o lugar paradisíaco, a 1.200 metros de altura e a cinco quilômetros das termas de Bayrischzell. A vista para o vale do rio Inn e para os Alpes era linda. O sol brilhava o dia todo e a tranquilidade reinava. Somente o prédio cinza não parecia convidativo. "Era uma casa sem clima", lembra Mike. "O hóspede entrava no quarto e ia embora dois dias depois."

Reforma da casa

A casa, construída em 1938, foi usada como local de descanso por militares nazistas durante o Terceiro Reich, enquanto prisioneiros do campo de concentração de Dachau eram obrigados a prestar serviços na casa. Num quadro negro na parede do albergue está escrito que soldados americanos libertaram esses prisioneiros no dia 6 de maio de 1945.

Angie e Mike queriam dar vida à casa novamente. A moça fina de Munique e o seu namorado musculoso acabaram sendo contratados. Seu entusiasmo e seus planos convenceram os administradores de Sudelfeld. E começaram pintando a casa de amarelo.

DJH Jugendherberge Bayrischzell-Sudelfeld

Mike Sebrich trocou o agito de Munique pela paz das montanhas

Nesse meio tempo, foram colocadas cortinas com estampas de pele de leopardo para decorar as janelas, e lustres artesanais pendem do teto. Nas paredes, há fotos do Pacífico Sul. "Às vezes, as pessoas trazem algum presente, porque já vieram aqui vários anos seguidos", diz Mike, que tem pendurados na parede bastões de hockey e pranchas de snowboard autografados.

O artesão habilidoso pintou camurças e veados nas paredes do refeitório e, no inverno, acende o fogo da lareira. Assim se cria o clima caseiro para os hóspedes. "Nossa casa deve ser simples e aconchegante", diz Angie sobre a sua filosofia.

Vida nova

A mudança de vida e os momentos que lhe proporcionaram verdadeira felicidade são descritos por Angie em seu livro Nichts gesucht und viel gefunden (Algo como "Não ter procurado nada, mas encontrado muito"). Ela o escreveu durante a noite, pois não tinha tempo de dia. O leitor descobrirá também que, durante o período de mudança, ela ficou grávida: gêmeos estavam a caminho. Desde então, Angie Sebrich é tratada pela mídia alemã como a "alternativa" que deu um novo sentido à própria vida. Admiradores vêm ao albergue para ver a mulher extraordinária ao vivo e a cores.

Ao chegar, muitos hóspedes perguntam pelos Herbergseltern e ficam espantados ao descobrirem que Angie e Mike dirigem o local: eles não se encaixam no estereótipo. "A maioria espera um Herbergsvater (pai de albergue) com barba e um olhar severo e uma Herbergsmutter (mãe de albergue) de avental", contam os dois ao mesmo tempo.

DJH Jugendherberge Bayrischzell-Sudelfeld

Angie Sebrich, amante da vida tranquila no albergue


Como uniforme de trabalho, ele veste jeans e camiseta; ela, uma blusa rosa que marca a barriga arredondada. Aos 45 anos, Angie está gravida outra vez. "O bebê também crescerá aqui em cima e em meio à administração do albergue", alegra-se.

Aliás, o trabalho no albergue não é nada alternativo, é preciso dedicar-se tanto quanto a outros trabalhos. Exige versatilidade, mas também é bastante flexível, diz Angie, explicando os motivos que a deixam satisfeita com o trabalho.

Ofertas para os hóspedes

Os Sebrichs elaboraram pacotes e programas de visitação completos. Eles incluem passeios de bicicleta, asa delta e caminhadas pelas montanhas no verão. A casa fica numa região de esqui e, por isso, no inverno o albergue oferece também a possibilidade de esquiar e fazer snowboard. E como tanta atividade em altitudes alpinas dá muita fome, uma refeição de cinco cursos, preparada com ingredientes frescos, está incluída na diária que custa menos de 20 euros. "Um hotel não é melhor que isso", diz uma professora acompanhando uma turma escolar.

Enquanto os hóspedes chegam e partem, os Sebrichs já estão ali há dez anos. "Com um albergue não se fica rico, mas satisfeito", diz Angie. É claro que ela levou um susto quando descobriu os prejuízos com os quais teria de arcar. "Sim, você pode não ter lucro algum", reconhece. Ela se vira com o que têm. "De que adianta um monte de dinheiro no banco e não poder ver meus filhos, ter que pagar três babás?", questiona. Nas montanhas, ela tem uma vida plena e com as crianças sempre por perto.

Autora: Karin Jäger (lf)
Revisão: Francis França

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