Ahmadinejad continua foco da atenção internacional cinco anos após tomar posse | Notícias internacionais e análises | DW | 04.08.2010
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Mundo

Ahmadinejad continua foco da atenção internacional cinco anos após tomar posse

Cinco anos após ter assumido presidência do Irã, Mahmud Ahmadinejad continua um dos políticos mais criticados do mundo. Notícias contraditórias sobre suposto atentado contra o presidente iraniano têm grande repercussão.

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Presidente foi reeleito em 2009

Relatos da mídia sobre um suposto atentado contra o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, repercutiram em todo o mundo nesta quarta-feira (04/08). Segundo a agência iraniana de notícias Fars, um oposicionista atirou uma granada de mão contra o comboio do presidente nas imediações do aeroporto de Hamedan, no norte do país. Ahmadinejad teria escapado ileso da explosão e ninguém teria saído ferido do incidente.

Posteriormente, a mídia estatal iraniana desmentiu a notícia. A emissora de televisão Al-Alam relatou que a explosão foi de fogos de artifício acesos enquanto a multidão saudava a chegada do presidente.

Outras fontes, por sua vez, divulgaram que a explosão foi por animosidade. Segundo o site conservador Chabaronline.ir, o explosivo detonou cerca de cem metros do carro de Ahmadinejad, ao lado de um veículo lotado de jornalistas. O responsável teria sido preso.

Diversas agências oficiais se referiram a um "rojão". A agência iraniana Mehr mencionou uma "bomba sonora artesanal" que teria soltado bastante fumaça. De acordo com esta fonte, a polícia prendeu várias pessoas após o incidente.

Após o ocorrido, o presidente iraniano fez – em um estádio – um comício transmitido ao vivo pela televisão. Em seu pronunciamento, ele não se referiu a nenhum incidente.

Após a controversa reeleição de Ahmadinejad, em junho do ano passado, o Irã se tornou palco dos maiores protestos de massa desde a chamada Revolução Islâmica, há mais de 30 anos. Dezenas de manifestantes foram mortos, milhares foram presas.

Nas últimas semanas, o presidente iraniano acusou Israel reiteradamente de pretender assassiná-lo. Na segunda-feira, ele declarou que "sionistas" teriam contratado agentes para matá-lo.

Em janeiro de 2006, oito pessoas foram mortas em um atentado em uma localidade no sudoeste do Irã que o presidente pretendia visitar. Na época, ele cancelara de última hora sua visita anunciada.

Desde a posse como presidente

Flash Galerie Proteste von Exiliranern Deutschland

Iranianos protestam, em Hamburgo, contra o resultado das eleições de junho de 2009

Mahmud Ahmadinejad está há cinco anos na presidência do Irã. Nesse período, a recuperação econômica do país deixou a desejar, a situação dos direitos humanos permanece alvo de críticas e o conflito com a comunidade internacional por causa de seu programa nuclear continua se acirrando.

Quando Ahmadinejad assumiu o poder, ele era um político praticamente desconhecido no exterior. Apesar de ter sido anteriormente o prefeito de Teerã, foi na presidência que exacerbou sua retórica linha-dura. "Acreditamos que o islamismo seja uma religião perfeita, a única capaz de salvar. Sim, a única salvação da humanidade e alegria do mundo. O futuro da humanidade está ligado ao exercício do islã e ao respeito às suas regras", declarou ele já na presidência do país.

Apesar de fazer grandes promessas às camadas mais baixas da população, o abismo entre ricos e pobres aumentou durante seu governo. De acordo com informações oficiais, um em cada cinco iranianos vive abaixo do nível de pobreza. Dados não oficiais revelam uma situação social ainda mais precária.

Inimigo mortal EUA

O programa nuclear iraniano e a inimizade com os Estados Unidos são pontos centrais de sua política externa. Apesar de Ahmadinejad ter saudado a mudança de governo nos EUA e a posse do atual presidente norte-americano, Barack Obama, nunca chegou a haver um encontro entre os dois governantes.

O fato de Ahmadinejad continuar se recusando a acatar as reivindicações da comunidade internacional relativas ao seu programa nuclear agravou as relações de Teerã com Washington. Em junho passado, sob pressão dos EUA, o Conselho de Segurança da ONU tornou mais rigorosas as sanções já existentes contra o Irã.

A existência de um eterno inimigo político é um dos pilares da política de Ahmadinejad. Mesmo que o presidente faça questão de se mostrar religioso e próximo do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, grande parte da elite religiosa do Irã se mantém distante de Ahmadinejad.

Afinal, ele não é considerado um homem do espírito, e sim um militar. Ahmadinejad iniciou sua carreira política na chamada Guarda Revolucionária do Irã e durante seu mandato como presidente foi adquirindo cada vez mais poderes.

Aparições públicas constrangedoras

Seus adversários políticos observam com grande preocupação o rumo do país. Afinal, embora muitos iranianos favoreçam o programa nuclear do governo, as aparições públicas de Ahmadinejad costumam ser consideradas descabidas, exaltadas e constrangedoras.

Em um pronunciamento à televisão estatal iraniana transmitido nesta segunda-feira, por exemplo, ele desafiou o presidente Obama a um diálogo "de homem para homem sobre as questões do mundo", anunciando seu comparecimento à assembleia geral da ONU em setembro, em Nova York.

Além disso, grande parte dos iranianos acredita que a reeleição de Ahmadinejad em junho do ano passado não foi lícita. Diante das suspeitas manifestadas em protestos de rua, o governo se recusou a ordenar uma nova apuração dos votos, reprimindo com grande violência todos os que colocaram em dúvida a legitimidade do pleito.

O fato de esses conflitos terem provocado diversas mortes e deixado inúmeros feridos só contribuiu para desgastar ainda mais a imagem do presidente iraniano dentro e fora do país.

Proximidade relativa do Brasil e da Turquia

O impasse em torno do programa nuclear iraniano ganhou uma nova faceta com a intervenção do Brasil e da Turquia. Em um acordo selado em meados de maio com os dois países, Teerã se comprometeu a armazenar urânio levemente enriquecido na Turquia enquanto aguardaria a troca por urânio enriquecido em um grau superior.

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Presidente Lula com Recep Tayyip Erdogan e Mahmud Ahmadinejad assinam acordo em maio passado

A Turquia foi eleita por Ahmadinejad o local ideal para a eventual continuidade das negociações sobre o programa atômico iraniano. Na semana passada, o governo em Teerã se declarou disposto a retomar o diálogo no início de setembro, favorecendo a participação do Brasil e da Turquia, ao lado da Alemanha e dos países com direito a veto no Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido).

O Irã também reivindica que as negociações sejam feitas a partir de agora com base no acordo selado com o Brasil e a Turquia. Desde o início, no entanto, as potências mundiais haviam reagido com ceticismo a esse acerto, impondo sanções mais rigorosas contra o país pouco depois.

Quanto aos direitos humanos, o Irã se mantém intransigente. No sábado, o presidente Lula interveio pessoalmente no caso que indignou a comunidade internacional, fazendo à condenada uma oferta de asilo. No entanto, o ministério iraniano das Relações Exteriores comunicou imediatamente sua recusa.

Campanha pelo exílio de condenada

Após protestos internacionais, o Irã havia suspendido em julho passado o planejado apedrejamento da mulher de 43 anos acusada de adultério. Ela também fora condenada à morte pelo assassinato de seu marido em 2006, apesar de não haver provas nesse sentido e os filhos negarem a culpa da mãe.

Os EUA exigiram que o Irã aceite a oferta de asilo feita pelo Brasil. "Apedrejamento no século 21 é um ato bárbaro e deveria ser proibido", declarou um porta-voz do Departamento de Estado em Washington.

O advogado da condenada está tentando lançar uma campanha para que o governo iraniano a autorize a aceitar asilo em outro país. Foi ele que divulgou o caso pela internet, desencadeando uma onda internacional de protestos.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, o advogado se encontra agora na Turquia. Há uma semana, a Anistia Internacional divulgara que o jurista havia desaparecido numa prisão de Teerã, no dia 23 de julho, após um interrogatório de várias horas de duração.

Autores: Ulrich Pick / Simone Lopes (dpa/afp)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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