Acidente em Cuba: empresa acumulava problemas de segurança | Notícias internacionais e análises | DW | 20.05.2018
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AMÉRICA LATINA

Acidente em Cuba: empresa acumulava problemas de segurança

Companhia mexicana que alugava aeronaves para estatal cubana recebeu reclamações sobre manutenção. Avião que caiu já havia sido banido de operar na Guiana por voar com excesso de carga.

Kuba Flugzeugabsturz (picture-alliance/dpa/XinHua/J. Hernandez)

Acidente provocou a morte de 110 pessoas - entre elas 99 cubanos e seis tripulantes mexicanos.

A companhia mexicana cujo avião caiu em Cuba na última sexta-feira (18/05) matando 110 pessoas acumulava problemas de segurança envolvendo a manutenção de aeronaves e com a disciplina e experiência dos funcionários, apontaram dois ex-pilotos. Já autoridades da Guiana apontam que em pelo menos uma ocasião a empresa violou normas de segurança ao transportar grandes quantidades de bagagem extra de sacoleiros cubanos. 

A Aerolíneas Damojh, que também opera com o nome Aerolíneas Global Air, havia alugado aeronaves para a estatal Cubana de Aviación.

No momento, investigadores cubanos estão apurando as causas do acidente. Uma das caixas-pretas da aeronave já foi recuperada nos destroços.

Problemas

Segundo o chefe da autoridade de aviação guianense, Egbert Field, a mesma aeronave da Damojh que caiu em Cuba foi proibida de entrar no espaço aéreo da Guiana no ano passado quando autoridades do país apontaram que a tripulação estava permitindo o transporte de bagagem além do permitido em aeronaves.

De acordo com Field, dezenas de malas foram encontradas empilhadas nos banheiros da aeronave, que à época estava sendo alugada para uma companhia hondurenha. Ele apontou ainda que a rota Georgetown-Havana é popular entre sacoleiros, já que os cubanos não precisam de visto para viajar à Guiana.

Já um ex-piloto da Cubana de Aviación escreveu em sua conta no Facebook que um avião da Damojh, que também havia sido alugado pela companhia cubana, sumiu por alguns momentos do radar enquanto sobrevoava a cidade de Santa Clara em 2010. Segundo o ex-piloto Ovidio Martinez Lopez, tanto o piloto e o copiloto desse voo foram suspensos por "problemas e falta grave de conhecimento técnico”.

Ele também apontou que nos últimos anos, vários funcionários da Cubana de Aviación se recusaram a voar em alguns aviões da empresa.

Um ex-piloto da Damojh, por sua vez, disse a um jornal mexicano que ele apresentou ao longo dos anos várias queixas à empresa sobre a falta de manutenção adequada das aeronaves. "Eu testemunhei vários incidentes nessa companhia, como falhas elétricas ou dos motores quando decolamos do México em uma ocasião”, afirmou o piloto Marco Aurelio Hernandez.

A Damojh/Global Air não comentou as acusações.

Segundo o Ministério dos Transportes de Cuba, a companhia mexicana era totalmente responsável pela manutenção e operação da aeronave. De acordo com o titular da pasta, Adel Yzquierdo Rodriguez, é comum que Cuba recorra a esse tipo de negócio por causa do embargo econômico americano, que dificulta a compra de aeronaves e de peças de reposição. A aeronave Boeing 737-200 que caiu em Cuba tinha 39 anos e era de um modelo considerado obsoleto, que não é mais usado por nenhuma companhia dos EUA, União Europeia e do Brasil.

Ainda segundo Yzquierdo, Cuba não conta com pilotos treinados para operar aviões da americana Boeing então pilotos mexicanos também foram contratados para operar os aviões da Damojh.

Vítimas

O acidente deixou 110 mortos –  entre eles cinco crianças. Três pessoas sobreviveram, segundo as autoridades cubanas, que apontou que elas são todas mulheres. Um quarto passageiro chegou a ser retirado com vida dos destroços, mas morreu pouco depois no hospital. As três sobreviventes permanecem internadas em estado crítico.

Entre os mortos, estão 99 cubanos, seis tripulantes mexicanos, um turista mexicano, um casal de argentinos e dois passageiros do Saara Ocidental (um território disputado que foi anexado pelo Marrocos).

JPS/ots/ap

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