A possível sucessora de Merkel | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 26.02.2018
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Alemanha

A possível sucessora de Merkel

Escolha da governadora Annegret Kramp-Karrenbauer para ser nova secretária-geral da CDU mostra que chanceler quer manter seu curso e rejeita guinada à direita pelo partido.

Deutschland Annegret Kramp-Karrenbauer ist neue Generalsekretärin der CDU (imago/S. Zeitz)

Merkel e Kramp-Karrenbauer são parecidas na personalidade e no jeito de fazer política

A governadora do Sarre, Annegret Kramp-Karrenbauer, foi eleita nesta segunda-feira (26/02) pela União Democrata Cristã (CDU), da chanceler federal alemã Angela Merkel, a nova secretária-geral do partido.

O cargo, o segundo mais importante na hierarquia partidária, já foi ocupado pela própria Merkel entre 1998 e 2000 e pode significar um grande impulso na carreira política de Kramp-Karrenbauer.

A nomeação de Kramp-Karrenbauer, também conhecida pelas marcantes iniciais AKK, pode reafirmar essa lei não escrita da política alemã. É o que indicam as primeiras reações: Merkel estaria, na prática, encaminhando sua sucessão.

Kramp-Karrenbauer é uma pessoa de confiança de Merkel. Ambas pensam de forma semelhante e representam uma CDU moderna, que se mostra aberta em questões sociais e corteja o Partido Verde como possível parceiro numa coalizão de governo.

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As personalidades de ambas também se assemelham: calmas, de presença discreta, sempre inclinadas a uma avaliação sóbria dos fatos. O cientista político Karl-Rudolf Korte descreve a geração de políticos que se formou em torno de Merkel como condizente com o "anseio dos alemães por estabilidade e orientação".

Korte descreve a imagem de Merkel como "de certa forma impassível e sóbria, porém séria e autenticamente a serviço dos eleitores, alheia a seus próprios interesses." Kramp-Karrenbauer também se encaixa nessa descrição. Mas, por detrás dessa imagem, tanto Merkel quanto AKK possuem ambições políticas muito elevadas.

Uma governadora forte

Merkel já vinha há muito tentando levar para Berlim a mulher que, desde 2011, governa o pequeno estado do Sarre, na fronteira com a França. Kramp-Karrenbauer faz parte do diretório da CDU desde 2010, ou seja, Merkel e a política de 55 anos já trabalham juntas há muitos anos dentro do partido. O nome de AKK também já foi cogitado para o cargo de presidente da Alemanha.

Diferentemente da protestante Merkel, Kramp-Karrenbauer é católica, além de ser mãe de três filhos. Ela tem um humor diferente. Recentemente participou de um evento carnavalesco e fez um tradicional discurso satírico de Quarta-Feira de Cinzas, conhecido na Alemanha como Bütten-Rede – algo difícil de imaginar para Merkel.

Cerca de um ano atrás,  AKK obteve na eleição para governador um resultado surpreendente de quase 40% dos votos para a CDU no Sarre. Pela segunda vez, ela forjou uma coalizão de governo com os social-democratas, ou seja, uma "grande coalizão".

Em dezembro de 2017, uma pesquisa indicou que 45% dos membros da CDU disseram ver Kramp-Karrenbauer como uma sucessora apropriada para Merkel. O percentual foi superior ao de qualquer outro político da CDU incluído no levantamento.

Rejeição a uma guinada à direita 

Alguns meses atrás, a notícia de que Merkel optou por AKK passaria quase despercebida para muitos observadores políticos, já que não seria nada de inesperado. Mas, nos dias atuais, há muito mais por trás dessa escolha.

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Desde a eleição de setembro, quando a CDU sofreu grandes perdas, e os populistas de direita da Alternativa para a Alemanha (AfD) conseguiram um resultado de dois dígitos, a CDU debate se o partido deve se reposicionar politicamente e se o curso escolhido por Merkel, de levar o partido para o centro do espectro político, foi acertado.

Recentemente, essa discussão se tornou ainda mais forte, depois de as difíceis negociações para a formação de uma coalizão de governo entre a CDU e o Partido Social-Democrata (SPD) terminarem num resultado frustrante, para muitos pessoas dentro do partido de Merkel, quanto à distribuição de cargos.

Os críticos afirmam que Merkel negociou mal ao entregar o Ministério das Finanças e o do Exterior ao SPD. As críticas vão até o ponto de alguns exigirem um novo programa partidário. O atual data de 2007 e reflete o curso de modernização e estabilidade adotado por Merkel.

A União Social Cristã (CSU), partido-irmão da CDU na Baviera, reagiu nas últimas semanas à concorrência por parte da AfD com uma guinada à direita: o seu secretário-geral exigiu uma nova virada "conservadora". O novo presidente do partido – e governador da Baviera – deverá ser Markus Söder, um representante da direita da CSU.

A opção por AKK indica que Merkel não quer uma guinada à direita do partido. A eleição de Kramp-Karrenbauer no congresso extraordinário, com 98% dos votos, confirmou que a maioria no partido pensa assim. 

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