A nova seleção alemã | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 26.03.2019
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Coluna Halbzeit

A nova seleção alemã

A vitória sobre a Holanda, com uma porção de sorte, deu uma mostra de como será o novo time de Joachim Löw, sem alguns de seus principais medalhões. Da equipe titular de 2014, sobraram apenas Manuel Neuer e Tony Kroos.

Leroy Sané comemora com Schulz o gol que abriu o placar contra a Holanda

Leroy Sané comemora com Schulz o gol que abriu o placar contra a Holanda

Não basta ser bom, é preciso ter sorte

O técnico Joachim Löw deve ter se lembrado deste dito popular logo após o apito final do jogo da sua seleção com a Holanda domingo último (24/03). Era a primeira partida oficial após a desastrosa campanha na Liga das Nações no ano passado e, desta vez, com o time rejuvenescido, sem alguns dos seus principais medalhões. Da equipe titular campeã mundial de 2014 sobraram apenas Manuel Neuer e Tony Kroos.

Já fazia dois anos que a Alemanha não ganhava de uma das seleções de renome do futebol mundial. Foi em março de 2017: uma vitória magra sobre a Inglaterra por 1 a 0 com gol de Podolski que estava dando adeus à Mannschaft

Desde então, o time vinha caindo pelas tabelas, e o resultado foram as pífias campanhas nos dois últimos torneios internacionais de que participou.

A Holanda, por sua vez, começou seu trabalho de renovação logo depois de ter dado vexame na fase eliminatória da Copa da Rússia. Ronald Koeman, no comando dos Orange desde fevereiro de 2018, tratou de renovar o time, e os primeiros resultados já apareceram no segundo semestre do ano passado, com uma campanha respeitável na recém-criada Liga das Nações, inclusive com uma vitória retumbante sobre a própria Alemanha por 3 a 0.

Joachim Löw agora se encheu de coragem e fez aquilo que, a rigor, deveria ter feito logo depois da Copa das Confederações em 2017.

Escalou Sané e Gnabry, ambos ausentes na Rússia, como titulares no ataque. Na defesa fez uma verdadeira revolução com três zagueiros (Ginter, Süle e Rüdiger) e dois laterais (Kehrer e Schulz). Lembrou-se de Pep Guardiola e colocou Kimmich no meio campo na função exercida durante muitos anos por Schweinsteiger. Goretzka fez o papel de meia de ligação.

Mudou também a forma de jogar. Em vez de posse de bola e troca interminável de passes, a ordem agora é transição rápida da defesa para o ataque e aproveitamento da velocidade dos dois jovens atacantes, com constante infiltração nos espaços vazios deixados pela defesa holandesa. Funcionou a contento na primeira etapa, e, a exemplo do último confronto entre os dois, a Alemanha foi para os vestiários ganhando por 2 a 0.

Já na etapa complementar, os Orange mudaram seu sistema e fizeram os alemães provarem do seu próprio veneno. Marcação alta, ataques pelos flancos e o resultado não se fez esperar. Aos 18 minutos do segundo tempo, o jogo estava empatado em 2 a 2. Marcaram dois gols em seis minutos. A defesa germânica, sempre um dos pontos altos da seleção, batendo cabeça mais uma vez.

Holanda pressionando em busca da virada, e a Alemanha à espera de um contra-ataque mortal.

Foi nesta fase do predomínio holandês que o fator sorte pendeu para o lado alemão. Löw, como de hábito, demorou demais para fazer mudanças no time. Gündogan só entrou faltando 20 minutos para o fim, e Reus só teve três minutos para jogar. Foram suficientes. Os dois tiveram participação fundamental no gol da vitória marcado pelo lateral esquerdo Schulz, considerado o homem do jogo pelo portal Kicker, com nota 9.

A impressão que Joachim Löw às vezes passa para o espectador comum é que parece não dispor de um plano B quando o plano A não está dando certo ou quando o adversário muda sua tática de jogo. O próprio treinador reconheceu depois da partida que o fator sorte foi fundamental na obtenção desta importante vitória fora de casa sobre o principal adversário do grupo, que tem ainda Irlanda do Norte, Belarus e Estônia.

No frigir dos ovos, Löw acertou a mão na montagem do time. Agora se trata de lapidar os talentos e trabalhar variações táticas para não precisar contar com a sorte nem abusar dela como foi diante da Holanda.   

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Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Desde 2002, atua nos canais ESPN como especialista em futebol alemão. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast "Bundesliga no Ar". A coluna Halbzeit sai às terças. Siga-o no TwitterFacebook e no site Bundesliga.com.br

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