A hora dos verdes na Alemanha | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 16.06.2019
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Alemanha

A hora dos verdes na Alemanha

Se o declínio social-democrata continuar e o governo Merkel realmente ruir, o Partido Verde poderá ser o grande beneficiado. Segundo pesquisa, a legenda ambientalista é hoje a maior força política do país.

Europa, por isso nós lutamos: Annalena Baerbock é atualmente copresidente do Partido Verde

"Europa, por isso nós lutamos": Annalena Baerbock é atualmente copresidente do Partido Verde

O Partido Verde é atualmente a maior força política da Alemanha, segundo uma pesquisa divulgada neste sábado (15/06). Se as eleições fossem hoje, a legenda ambientalista teria 27% dos votos dos alemães, à frente do bloco conservador liderado pela chanceler federal Angela Merkel (24%).

A pesquisa do instituto Forsa confirma uma tendência já mostrada nas eleições ao Parlamento Europeu, no mês passado, quando o Partido Verde obteve o maior resultado de sua história numa votação nacional, 20,5%.

É a terceira semana seguida que a legenda aparece à frente na pesquisa. Na deste sábado, os verdes aparecem ainda em tendência de crescimento, com um ponto percentual a mais que na semana anterior

O resultado favorável para os ambientalistas coincide com a onda de protestos de adolescentes e estudantes na Alemanha e em outros países em prol de uma política climática mais responsável.

Outra tendência confirmada pela pesquisa, que é divulgada semanalmente, é o declínio do Partido Social-Democrata (SPD). A sondagem coloca a legenda mais antiga da Alemanha com apenas 11%, o menor patamar de sua história.

Parceiro de coalizão da União Democrata Cristã (CDU), partido da chanceler federal Angela Merkel, o SPD vem acumulando reveses em eleições nos últimos anos.

Na última delas, as eleições para o Parlamento Europeu, o partido recebeu apenas 15,8% dos votos, uma queda de 11 pontos em relação ao resultado de 2014 (27,5%).

A crise do partido é tratada como um terremoto político na Alemanha. Enfraquecido e atualmente sem presidente – Andrea Nahles renunciou no início do mês – ele pode não resistir a lutas internas de poder e abandonar o governo Angela Merkel.

A situação precipitaria novas eleições na Alemanha. E, nesse cenário, a julgar pelas pesquisas mais recentes, é uma possibilidade real que o próximo chanceler federal da Alemanha possa ser do Partido Verde, em parceria com outra legenda.

Guinada à esquerda: possível cenário

O Partido Verde propôs realizar negociações de coalizão na cidade-estado de Bremen com os social-democratas e A Esquerda, num lembrete aos conservadores de Merkel que, mesmo que se recuperem e obtenham o primeiro lugar nas eleições, eles não têm o poder garantido.

Nas eleições estaduais em Bremen, em maio, os social-democratas não foram os mais votados pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Isso fez do estado um laboratório importante para o futuro político da Alemanha.

A pressão dos verdes a favor de uma coalizão de esquerda em Bremen é significante porque o partido, segundo mais votado nas eleições ao Parlamento Europeu, quer eleições antecipadas se a coalizão de Merkel entrar em colapso.

Esse cenário tem se tornado mais provável com o declínio do SPD. De acordo com a sondagem deste sábado, os social-democratas foram superados inclusive pelos populistas de direita do Alternativa para a Alemanha (AfD), que teria 13% dos votos se as eleições fossem hoje.

Embora Bremen seja um pequeno estado com uma longa história de esquerda, uma coalizão entre verdes, SPD e A Esquerda seria a primeira do gênero no Oeste da Alemanha, demonstrando a capacidade da legenda ambientalista de buscar alianças à esquerda ou à direita como lhe convir.

A pesquisa, feita com mais de 2 mil eleitores entre 11 e 14 de junho, mostrou ainda o liberais (FDP) com 9% e o partido A Esquerda com 8%. Quase 70% dos entrevistados disseram não acreditar que o SPD possa algum dia retomar a confiança dos eleitores.

A crise social-democrata

Desde 2013, o SPD governa em "grandes coalizões" com o bloco conservador formado pela CDU de Merkel e pela União Social Cristã, ramificação bávara dos conservadores. 

Mas depois de um resultado historicamente baixo nas eleições gerais de 2017, quando o partido obteve apenas 20,5% dos votos nacionais, houve uma intensa pressão da base de membros do partido e da esquerda para não unir forças com Merkel mais uma vez.

A percepção generalizada entre os analistas políticos e membros do partido era de que governar sob a sombra de Merkel havia apenas prejudicado a elegenda, deixando-o incapaz de encontrar um perfil político claro. No entanto, o SPD foi crucial na formulação de algumas das políticas governamentais de Merkel, incluindo a introdução de um salário mínimo nacional.

Foi somente após o colapso das negociações de Merkel com os liberais do partido FDP e o Partido Verde no final de 2017 que a liderança do SPD optou por ajudar a chanceler a formar um novo governo.

Para observadores, os social-democratas não conseguiram responder ao problema fundamental de encontrar um lugar num cenário partidário alemão em que uma CDU mais liberal capitaliza com muitos temas que eram historicamente do SPD. 

Se a ala esquerda do SPD ganhar a luta interna pelo poder, há uma chance, segundo especulam analistas alemães, de que o tradicional partido saia da coalizão com Merkel, provocando novas eleições no país. 

RPR/ap/afp

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