A economia pré-eleitoral na Argentina | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 20.10.2017
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América Latina

A economia pré-eleitoral na Argentina

Estão marcadas para o dia 22 de outubro eleições para renovar metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado argentino. Chance ou derrota para Macri?

Argentinien - Börse (picture-alliance/dpa/D. Fernandez)

Corretores durante sessão da Bolsa de Valores de Buenos Aires: será que a economia vai decidir as eleições?

Às vésperas das eleições legislativas na Argentina, tudo indica que os candidatos do atual governo vão triunfar com uma relativa folga em todo o país. E isso também na província de Buenos Aires, onde a ex-presidente Cristina Kirchner é candidata ao Senado.

Uma vez com a maioria parlamentar assegurada, Macri poderia realizar mais reformas econômicas, aprofundando as mudanças que a Argentina tem experimentado desde o início de seu governo, no final de 2015: liberalização, desregulamentação, ajuste de preços, abertura para o exterior, realismo cambial e um ajuste gradual das contas públicas. A isso, foi acrescentada uma política de luta contra a corrupção, defesa do Estado de Direito e do pluralismo que caracterizam sua política econômica.

A estratégia tem dado resultados. Após uma retração econômica de 2,2% em 2016, concentrada nos primeiros meses do ano e atribuída a problemas da gestão anterior, a economia começou a se recuperar.

"Existem setores que estão crescendo a um ritmo bom, principalmente construção e agricultura. O ano eleitoral significou também um forte aumento nas obras públicas. O consumo de asfalto e cimento está no auge", diz Amílcar Collante, economista-chefe da consultoria econômica argentina CESUR.

Indicadores

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (INDEC), de meados de 2016 a meados de 2017, o PIB cresceu 2,7%, a atividade industrial 5,1%, e a construção, 13%. A taxa de pobreza caiu de 32% para 28,6%.

"Algo que movimenta a economia é o grande impulso do crédito, especialmente o pessoal, acima de tudo hipotecário, que ultimamente teve um crescimento de mais de 70% ano-a-ano. Em 2018, espera-se que, se o Brasil crescer a um bom ritmo, também haja uma retomada do setor automotivo", acrescenta o especialista.

Mas ainda existem problemas. O déficit fiscal permanece considerável: 5% do PIB em 2017, segundo o serviço de consultoria Moody's. E o déficit comercial provavelmente alcançará cerca de US $ 4,5 bilhões neste ano. A projeção de exportações para 2017 é de 59 bilhões (+ 2,2%), enquanto as importações chegariam a 63,5 bilhões de dólares (+ 14%).

O aumento das importações, consequência da liberalização do mercado cambial, reflete um aumento no consumo de bens importados, até 2015 reprimido, mas também na importação de bens de capital e maquinário, que sustentam o crescimento econômico.

Outro fator que o governo ainda não conseguiu dominar completamente é a inflação: para este ano, calcula-se que ela fique em 22%, bem acima dos 17% previstos pelo governo, embora muito inferior aos 40% registrados em 2014. E a tendência é que siga em baixa: até 2018, o FMI prevê um aumento de preços de 18%.

Presidente fortalecido

O governo está confiante de que os bons índices econômicos palpáveis no dia a dia, o aumento do emprego e dos salários reais serão traduzidos em votos nas eleições de 22 de outubro. As pesquisas, até agora, dão asas ao otimismo oficial.

"De acordo com as pesquisas, a Cambiemos (coalizão oficial) alcançaria um resultado eleitoral muito positivo em 22 de outubro. A definição mais importante será a da Província de Buenos Aires, onde a Cambiemos tentará superar o kirchnerismo. De acordo com as pesquisas, venceria por dois ou três pontos, o que daria maior governança para os dois anos de gestão que resta a Mauricio Macri", disse o especialista.

"Isso permitiria a implementação das reformas estruturais necessárias. A mais importante é a reforma tributária. E a província de Buenos Aires anunciou que reduziria o imposto de renda bruto. Certamente também se trabalha em uma reforma para reduzir os custos trabalhistas. Também um possível corte de impostos seria fundamental", conclui Collante.

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