Ação da polícia contra migrantes em Paris gera críticas | Notícias internacionais e análises | DW | 24.11.2020

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França

Ação da polícia contra migrantes em Paris gera críticas

Forças de segurança desmontam de forma violenta acampamento improvisado no centro da capital francesa. Ministro do Interior diz que imagens são chocantes. Ação ocorre na véspera de votação de lei que favorece polícia.

A ação da polícia no desmonte de um acampamento improvisado de migrantes no centro de Paris, na noite desta segunda-feira (23/11), gerou críticas e indignação, e o governo francês pediu um relatório imediato sobre o que aconteceu.

Na segunda-feira à noite, a polícia dispersou algumas centenas de migrantes e ativistas que haviam montado um acampamento improvisado, com dezenas de pequenas barracas, na Praça da República para exigir alojamentos emergenciais.

Depois de derrubarem as tendas, as forças policiais recorreram ao uso de gás lacrimogêneo para dispersar as pessoas, como mostram vídeos feitos por testemunhas. Alguns desalojados foram perseguidos pelas ruas, e há relatos de agressões com cassetetes.

A atuação das forças policiais gerou críticas de vários setores da sociedade, principalmente de partidos de esquerda, sindicatos e associações de ajuda a migrantes.

"O Estado presta-se a um espetáculo lamentável", declarou o deputado da Câmara de Paris Ian Brossat, responsável pela recepção dos refugiados. "Há uma resposta da polícia a uma situação social. Só sairemos daqui se encontrarmos soluções de acomodação para essas pessoas", acrescentou.

Ainda na noite de segunda-feira, o ministro do Interior, Gérald Darmanin, qualificou as imagens da ação de chocantes e pediu um relatório "em até 48 horas" sobre os incidentes ao chefe da polícia de Paris, Didier Lallement.

Acampamento na Place de la Republique

Ativistas e migrantes montaram campamento improvisado, com dezenas de pequenas barracas, na Praça da República

A polícia de Paris comunicou que o acampamento foi desmontado porque era ilegal e que "convidou" os migrantes a procurarem alojamento em locais disponibilizados pelo Estado ou por organizações de ajuda.

Nesta terça-feira, as ministras da Cidadania, Marlène Schiappa, e da Habitação, Emmanuelle Wargon, defenderam um apoio sem demora para esses migrantes, entre 200 e 300 pessoas, que estão novamente nas ruas parisienses.

Migrantes oriundos de outro acampamento

A maioria dos migrantes que estavam neste acampamento são oriundos do Afeganistão, da Somália e da Eritreia. Segundo Corinne Torre, chefe da organização Médicos Sem Fronteiras na França, alguns deles tiveram o pedido de refúgio rejeitado, enquanto outros estão num limbo burocrático enquanto tentam solicitar refúgio.

O acampamento improvisado foi montado no centro de Paris uma semana depois de a polícia ter desmantelado um grande acampamento de imigrantes em situação irregular erguido junto do Stade de France, na zona norte de Paris, onde cerca de 2.400 pessoas haviam se fixado gradualmente desde agosto, ao longo de um entroncamento rodoviário.

Véspera de votação no Parlamento

As críticas à ação policial ocorrem no mesmo dia em que o Parlamento deverá votar um projeto de lei que visa expandir alguns poderes e fornecer uma maior proteção às forças policiais. Uma das medidas prevê que a publicação de imagens de agentes policiais com a intenção de prejudicá-los passe a ser crime, o que gerou fortes protestos por parte de organizações de defesa das liberdades civis e da liberdade de imprensa.

"Para mim parece evidente que, se a polícia se permite agir dessa maneira nas ruas de Paris, isso parece ter que ver com o projeto de lei", comentou o deputado Éric Coquerel, do partido de esquerda França Insubmissa.

AS/lusa/dpa

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