1962: Fundação da Schaubühne de Berlim | Os acontecimentos que marcaram o dia de hoje na História | DW | 21.09.2008
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Calendário Histórico

1962: Fundação da Schaubühne de Berlim

No dia 21 de setembro de 1962, a Schaubühne de Berlim iniciava um novo capítulo da história do teatro alemão, com a encenação do "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, por Konrad Swinarski.

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Schaubühne: o edifício de Erich Mendelsohn, construído como cinema em 1927/28, virou a sede do teatro em 1981

No início do teatro berlinense Schaubühne está um dramaturgo brasileiro: Ariano Suassuna. Com uma encenação do "Auto da Compadecida", por Konrad Swinarski, o teatro estreou sua primeira programação, no início do outono de 1962.

Fundada em Berlim, no bairro de Kreuzberg, como teatro off , a "Schaubühne am Halleschen Ufer", transferida em 1981 para um antigo cinema projetado pelo arquiteto expressionista Erich Mendelsohn, perto do Kurfürstendamm, conquistou seu renome nos anos 70, com o diretor e co-fundador Peter Stein. A eclética programação de Stein incluía desde a reinterpretação de clássicos gregos até a montagem de grandes inovadores do teatro de língua alemã da época, como Peter Handke e Botho Strauss.

Deutschland Schriftsteller Peter Stein

Peter Stein

Várias de suas encenações de clássicos europeus viraram cult , como Peer Gynt , de Ibsen (1971), Henrique, Príncipe de Homburgo , de Kleist (1972) e As Três Irmãs , de Tchecov (1984). Tudo isso, com atores como Bruno Ganz, Angela Winkler, Jutta Lampe e Otto Sander, entre outros.

Teatro como democracia de base

Acompanhando a efervescência do movimento de 68, Peter Stein e os outros fundadores da Schaubühne criaram uma nova forma de cooperação artística, opondo-se ao pacato cenário teatral de Berlim Ocidental. A escolha das peças da programação e outras decisões internas eram tomadas em assembléia, sendo que todos os funcionários tinham direito de voto.

Quanto à linguagem teatral, a Schaubühne não seguiu a tendência brechtiana dos teatros de Berlim Oriental, como o Berliner Ensemble, tendo desenvolvido um estilo próprio de interpretação psicológica, mostrando maior fidelidade a textos e reconstruções de época.

Apesar de não ter promovido nenhuma grande revolução artística, a Schaubühne – com sua resistência política – incomodava público e políticos, tendo enfrentado inclusive uma ameaça de fechamento dos democrata-cristãos de Berlim.

"Na temporada de 1970/71, as subvenções foram suspensas de repente", recorda o co-fundador Jürgen Schitthelm. "Eles queriam investigar se o trabalho da Schaubühne era anticonstitucional. O teatro foi avaliado de acordo com os mesmos critérios usados pelo Tribunal Constitucional Federal para a proibição do Partido Comunista. Dá para imaginar uma coisa dessas?"

De Wilson a Waltz

Luc Bondy

Luc Bondy

Após a demissão de Peter Stein, em 1985, a Schaubühne começou a adquirir um maior caráter internacional, sendo dirigida até 1988 pelo diretor suíço Luc Bondy e marcada pelo estilo de encenação de Bob Wilson durante a década de 90.

Em janeiro de 2000, a direção do teatro foi assumida por Thomas Ostermeier, Sasha Waltz, Jens Hillje e Jochen Sandig. Até 2004, essa equipe renovou o elenco e o repertório do teatro, apostando em autores jovens e na transferência de clássicos do drama europeu para contextos sociais atuais. Com o Festival Internacional de Nova Dramaturgia (F.I.N.D.), o teatro valorizou a produção dramatúrgica contemporânea.

No início do milênio, o programa na Schaubühne era revitalização do teatro político com novas estratégias. No entanto, a concretização estética ficou aquém da expectativa da crítica e do público. Reiterando o lema de 68, Ostermeier acreditava que o político começa com a esfera privada, enquanto a coreógrafa Sasha Waltz, que deu continuidade à vertente mais gestual do teatro-dança alemão, remetia a atuação política à ação corporal.

Quanto ao manifesto divulgado em 2000, o "dogma" da Schaubühne, Ostermeier depois se arrependeu de tê-lo formulado, afirmando que isso acabou virando um peso nas costas dos idealizadores. Na visão da crítica, um gesto programático desses teria que ser acompanhado de uma linguagem que convencesse melhor uma sociedade que já começou a questionar sua postura despolitizada.

Era Ostermeier

Thomas Ostermeier

Thomas Ostermeier

"No início dos anos 90", lembra Ostermeier - remetendo-se à sua iniciativa como diretor e autor na "Barracke" do Deutsches Theater, um dos espaços alternativos de teatro, entre outros surgidos e reformulados depois da reunificação da Alemanha - "havia um movimento pioneiro em Berlim, com fenômenos como a Barracke, os Sophiensäle, o Podewil, a Volksbühne. Ah, este lugar está vazio: vamos reunir uma direção artística e começar alguma coisa! Em nenhuma outra cidade isso teria sido possível. Havia um grande entusiasmo, porque todos esperavam que Berlim viesse a se tornar a cidade do futuro."

Ao serem rapidamente incorporados ao mainstream, artistas como Ostermeier e Waltz, que mal tinham iniciado uma trajetória de experimentação, acabaram adotando uma linguagem mais moderada

Após Sascha Waltz ter se afastado do comando da Volksbühne, para se dedicar exclusivamente à sua companhia de dança, o teatro passou a ser administrado, a partir de 2005, somente por Thomas Ostermeier e Jens Hillje. Ao lado de Ostermeier, diretores como Luk Perceval e Falk Richter, marcaram o estilo de direção teatral da Schaubühne. (sm)

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