1954: Criada a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear | Fatos que marcaram o dia | DW | 29.09.2020

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Calendário Histórico

1954: Criada a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear

Em 29 de setembro de 1954, foi criado o maior centro de pesquisas de física elementar do mundo, que conservou a sigla Cern, do nome em francês. Ali não se pesquisa só a origem do cosmo, mas também foi criada a internet.

Situado no oeste de Genebra, na fronteira entre a Suíça e a França, a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear estuda as origens do universo, as menores partículas que lhe dão consistência e o mantêm unido. Ele havia sido criado em dezembro de 1951, como Conselho Europeu para Pesquisa Nuclear (mais conhecido como Cern, da sigla em francês).

A convenção do Cern foi estabelecida em 1953, sendo ratificada pelas 12 nações fundadoras: Bélgica, Dinamarca, França, Grécia, Itália, Noruega, Holanda, Alemanha, Reino Unido, Suécia, Suíça e a então Iugoslávia. E em 29 de setembro de 1954, depois da ratificação pela Alemanha e pela França, tornou-se Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, mas manteve o acrônimo Cern.

Devido a sua equipe altamente especializada de cientistas, é uma incubadora de tecnologias. Lá também são desenvolvidas técnicas que escapam ao campo da pesquisa nuclear. A maior delas é a world wide web, desenvolvida no centro em 1990.

Questão de convenções

Se houvesse um Prêmio Nobel de Informática, Tim Berners-Lee, o criador da rede mundial, seria o primeiro a recebê-lo. Até 1990, a internet ainda era um meio de comunicação difícil de usar, acessível apenas a um grupo seleto de cientistas e oficiais militares. Foram Berners-Lee e seu colega Robert Caillau a transformá-lo num meio acessível às massas.

"Até há poucos anos, eu ainda me orgulhava, mas hoje isso é passado. A web simplesmente existe, como o ar, as nuvens, os animais", conta Caillau. 

A internet surgiu da necessidade de interconectar vários computadores. "Quando você precisa trabalhar com dados que estão parte em seu computador, parte no de seu colega, é precisa encontrar um modo de conectá-los", explica Caillau. A solução seria desenvolver uma linguagem comum.

"Precisávamos fazer certas convenções. Foi isso que levou à criação da web: estipulamos o html como linguagem comum e o http como protocolo para a troca de informações. O acesso se daria através do www. No momento em que isso foi convencionado, estava criada a internet."

Reconhecimento tardio

Logo seguiu a decisão de torná-la acessível não apenas a funcionários do Cern, mas ao mundo todo. "Estávamos diante do dilema de quem ficaria responsável pela rede no futuro. Tínhamos a esperança de que, se a tornássemos acessível a todos, algumas firmas criariam browsers e outros serviços, e o Cern seria apenas um entre muitos usuários."

Tim Berners-Lee e Robert Caillau poderiam ser hoje multimilionários, caso tivessem criado uma patente para sua invenção. Mas não é tão fácil assim. "Se trabalhássemos para um instituto privado, jamais teríamos criado a internet. Ela só pôde ser criada em um ambiente aberto, sem vínculos comerciais. Muitos tentaram, mas ninguém conseguiu", explica Caillau.

Em 2004, Berners-Lee foi premiado com o importante prêmio tecnológico Millennium Technology Prize. Um reconhecimento tardio, mas merecido, segundo Caillau: "Por que demoraram tanto? Recebemos diversos prêmios de instituições culturais, e acho surpreendente o fato de elas mostrarem um reconhecimento maior que o da própria comunidade científica." 

Acelerador de partículas

O LHC – conhecido como o colisor do "Big Bang" – o maior acelerador de partículas do mundo, fica no CERN. Ele possui um túnel de 27 quilômetros de extensão sob a fronteira franco-suíça e está sendo usado por pesquisadores para estudar a "matéria escura" – partículas subatômicas que compõem cerca de 96% do universo conhecido –, assim como as forças que as mantêm unidas.

O colisor chegou às manchetes em 2012, com a descoberta do bóson de Higgs, uma partícula subatômica que faz a matéria ser matéria, cuja existência era prevista em teoria desde 1968, mas que não havia sido confirmada.