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Hitler cumprimenta Joseph Tiso (dir.) na Alemanha, em 26/10/1941
Hitler cumprimenta Joseph Tiso (dir.) na Alemanha, em 26/10/1941Foto: picture-alliance/dpa
História

14 de março de 1939

Em 14 de março de 1939, aconteceu o desmembramento da Tchecoslováquia. Já um ano antes, Hitler havia anexado a região dos Sudetos, e no dia seguinte invadiu Praga e ocupou a Boêmia e a Morávia.

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Embora fossem responsáveis pela segurança dos tchecos, a Inglaterra e a França não agiram contra a Alemanha quando, em 15 de março de 1939, esta invadiu Praga e ocupou a Boêmia e a Morávia. Sua resistência à operação se limitou a protestos formais.

Adolf Hitler, por seu lado, assegurou aos dois governos que não buscava nada além da paz. Garantia enganosa, pois já em outubro de 1938, havia ordenado à Wehrmacht (Forças Armadas da Alemanha nazista) que "acabasse com o resto do território tcheco".

A Tchecoslováquia havia surgido no final da Primeira Guerra Mundial, a partir do que sobrara da monarquia austro-húngara. Sua população era formada por 46% de tchecos, 13% de eslovacos, 28% de alemães e alguns húngaros.

Objetivo armamentista

Como a Tchecoslováquia era um país altamente industrializado, o objetivo de Hitler era criar lá a segunda maior área alemã produtora de armas, depois da região do Ruhr.

A tradicional rivalidade entre tchecos e eslovacos foi explorada pelos nazistas para atingir seus objetivos. Uma das táticas de Hitler foi incentivar os eslovacos a lutar pela independência.

A estratégia deu certo. Josef Tiso, líder dos eslovacos, visitou Hitler em Berlim no dia 14 de março de 1939, quando o líder nazista lhe prometeu uma espécie de proteção. Fortalecida, a etnia declarou-se independente.

Anexação forçada

Ao mesmo tempo, as tropas do Reich invadiram a Tchecoslováquia sob o pretexto de proteger os eslovacos. No dia seguinte, o presidente tcheco, Emil Hacha, e seu ministro do Exterior viajaram às pressas a Berlim, a fim de garantir a autonomia de sua etnia.

Depois de um longo chá de cadeira, ouviram a ameaça de Hitler: se não se deixassem anexar voluntariamente à Alemanha, Praga seria bombardeada.

Paul Schmidt, intérprete dos tchecos na ocasião, lembra das feições dos incrédulos visitantes, que haviam chegado na esperança de poder negociar. Como as tropas alemãs já estivessem a caminho, só lhes restava telefonar ao ministro da Guerra em Praga para impedir que ordenasse a resistência.

Pelo rádio

Mesmo tendo sofrido um infarto, Hacha assinou no dia seguinte a ocupação imposta por Hitler. A declaração foi lida mais tarde no rádio pelo ministro nazista da Propaganda, Joseph Goebbels.

As tropas alemãs hastearam a bandeira com a suástica em Praga ainda no mesmo 14 de março, e realizaram uma parada militar na Praça de São Venceslau. Seguiu-se uma ampla perseguição, principalmente contra intelectuais, esquerdistas, refugiados do Reich e judeus. Quanto aos trabalhadores tchecos, estes foram protegidos, pois seriam úteis na indústria de guerra.

Da noite para o dia, a Tchecoslováquia simplesmente deixara de existir, cedendo lugar, por um lado, a um Estado eslovaco protegido por Hitler e, por outro, aos protetorados da Boêmia e da Morávia.

Gerda Gericke (rw)