Último líder da era soviética no poder, presidente do Cazaquistão renuncia | Notícias internacionais e análises | DW | 19.03.2019
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Mundo

Último líder da era soviética no poder, presidente do Cazaquistão renuncia

Nursultan Nazarbayev comandava o maior país da Ásia Central há quase 30 anos. Presidente do Senado assume o cargo interinamente até próxima eleição, marcada para março de 2020.

Nursultan Nazarbayev anunciou renúncia durante pronunciamento

Nursultan Nazarbayev anunciou renúncia durante pronunciamento

O último líder da era soviética no poder, o presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, anunciou nesta terça-feira (19/03) sua renúncia durante um pronunciamento na televisão. O líder estava há quase 30 anos no comando do país.

"Tomei essa difícil decisão de encerrar o exercício de meus poderes como presidente", disse Nazarbayev, de 78 anos. "Neste ano se completarão 30 anos desde que ostento esse cargo. O povo me deu a oportunidade de ser o primeiro presidente de um Cazaquistão independente", acrescentou.

Nazarbayev não especificou o motivo para a sua inesperada decisão, porém, disse que sua missão é garantir uma transição tranquila de poder. "Como fundador do Estado independente do Cazaquistão, vejo minha tarefa futura assegurar a ascensão ao poder de uma nova geração de líderes que continuarão as reformas", destacou.

Na mensagem, o presidente disse ainda que continuará na liderança do partido governista Nur Otan e do Conselho de Segurança do país. O mandato de Nazarbayev terminaria em abril de 2020.

Sem deixar um sucessor óbvio, Nazarbayev anunciou que a presidência será assumida interinamente pelo presidente do Senado, Kazim-Zhomart Tokayev, até o fim do atual mandato. Eleições estão programadas para março de 2020.

Nazarbayev chegou ao poder da república soviética do Cazaquistão em 1989 e, foi então um dos principais apoiadores de Mikhail Gorbatchov em seus esforços de impedir a desintegração da superpotência. Uma vez proclamada à independência em 1991, assumiu a presidência do maior país da Ásia Central.

Após o colapso do império soviético, ele defendeu ativamente a conservação dos laços entre as repúblicas soviéticas, sendo um dos mais fervorosos apoiadores da nova Comunidade de Estados Independentes (CEI).

Além de conservar as boas relações com Moscou, o líder cazaque abriu seu país à cooperação com Ocidente e Oriente, uma política que lhe permitiu posicionar o Cazaquistão na comunidade internacional. Um exemplo disso foi a presidência rotativa da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) exercida em 2010 pelo Cazaquistão, que tem cerca de 18 milhões de habitantes e é o nono maior país do mundo em extensão territorial.

Nazarbayev é constantemente elogiado por manter a estabilidade e paz étnica no Cazaquistão, uma das poucas ex- repúblicas soviéticas que não foi palco de violência ou se viu envolvida em conflitos armados.

O presidente cazaque considera que a transição à democracia deve se assentar sobre uma base econômica sólida e propôs como meta que o país, possuidor de grandes reservas de petróleo, gás e urânio, se situe entre os 30 países mais desenvolvidos do mundo antes de 2050.

Em 2010 ele foi declarado pelo Parlamento "pai da nação", título que obriga que sejam pactuados com ele, inclusive depois de sua aposentadoria, todos os assuntos relacionados com a segurança do país, assim como com sua política externa e interna.

Os opositores o acusam de ter criado um regime corrupto e de tentar acabar com qualquer oposição política. Ele foi reeleito unanimemente em várias ocasiões, a última em 2015, quando obteve mais de 97% dos votos.

Enquanto Nazarbayev estava no comando, a estabilidade no país era garantida, mas fazia um tempo que a avançada idade do líder tinha colocado sobre a mesa o problema da sucessão. Casado com a economista Sara Nazarbayeva, ele tem três filhas. A mais velha, Dariga, exerceu o cargo de vice-presidente do governo e atualmente ocupa uma cadeira no Senado.

Alguns analistas chegaram a ver a possibilidade de uma sucessão dinástica, como ocorreu no Azerbaijão, onde em 2003 Ilham Aliyev sucedeu ao pai, Heydar, no poder, mas atualmente esta opção parece ter sido descartada.

CN/efe/ap/afp

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