Índia se torna o novo epicentro da pandemia | Notícias internacionais e análises | DW | 23.04.2021

Conheça a nova DW

Dê uma olhada exclusiva na versão beta da nova DW. Sua opinião nos ajudará a torná-la ainda melhor.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Coronavírus

Índia se torna o novo epicentro da pandemia

Pelo segundo dia consecutivo, país bate recorde mundial de infecções, com mais de 330 mil novos casos em 24 horas. Em meio a colapso da saúde, paciente morrem em incêndio em hospital.

Pacientes aguardam atendimento em hospital lotado em Nova Délhi

Hospitais estão lotados em várias cidades indianas

A Índia se tornou o novo epicentro da pandemia de covid-19 no mundo. O país enfrenta uma severa segunda onda da doença, com recordes diários de novos casos e mortes. O aumento das infecções levou ainda ao colapso do sistema de saúde em diversas localidades, onde há falta de leitos, medicamentos e oxigênio para tratar os pacientes.

Pelo segundo dia consecutivo, a Índia bateu nesta sexta-feira (23/04) o recorde mundial de casos diários de covid-19. O país registrou 332.730 novas infecções em apenas 24 horas. Com o isso, o total de casos contabilizados passou de 16,2 milhões. É também o segundo dia que o número de novos casos fica acima de 300 mil.

O aumento de novos casos nesta segunda onda tem sido vertiginoso e cresceu cerca de 100 mil novos casos diários na última semana, o que contrasta com as menos de 10 mil infeções registadas em fevereiro, quando muitos pensavam que o pior já tinha passado. Somente em abril, o país já registrou mais de 4 milhões de infecções pelo coronavírus.

A Índia contabilizou ainda 2.263 novas mortes em decorrência da doença. Foi o terceiro dia consecutivo em que os óbitos por covid no país asiático ultrapassaram a marca de 2 mil. Com isso, o total de mortes no país subiu para 186.920. As autoridades de saúde relacionam algumas mortes com a crise de falta de oxigênio em muitas regiões.

Falta de oxigênio

A maioria dos hospitais no norte e oeste do país, incluindo na capital Nova Délhi, estão lotados e sem oxigênio. Na quarta-feira, 22 pacientes de um hospital no estado de Maharashtra, o mais rico do país, morreram após o oxigênio acabar devido a um vazamento num tanque.

Assistir ao vídeo 01:01

Índia enfrenta tsunami de novos casos de covid-19

Imagens dramáticas como as registradas em Manaus, em janeiro, estão sendo circulando na Índia. Em algumas cidades, pacientes agonizam do lado de fora de hospitais e em ambulâncias à espera de um leito.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, se reuniu nesta sexta com lideranças das regiões afetadas e afirmou que seu governo está fazendo "um esforço contínuo" para aumentar o fornecimento de oxigênio, incluindo medidas para enviar oxigênio de uso industrial para os hospitais.

Aviões da força aérea indiana estão sendo usados para transportar oxigênio para as regiões onde há falta. Um trem também foi destinado para levar o gás disponível no sul do país para Maharashtra.

O Ministério da Defesa anunciou ainda que pretende trazer 23 usinas móveis de geração de oxigênio da Alemanha em uma semana.

Tragédia em incêndio

Em meio a esse cenário de caos, um incêndio atingiu um hospital nos subúrbios de Mumbai nesta sexta-feira, matando 13 pacientes que estavam internados na UTI com covid. As causas do incêndio estão sendo investigadas.

O aumento no número de mortos no país também sobrecarregou o serviço funerário, que passou a realizar enterros em massa em Nova Délhi.

Especialistas avaliam que a segunda onda da pandemia, que começou em meados de fevereiro, ainda não alcançou o pico, e eles não sabem estimar quando os casos começarão a cair.

A Índia é o segundo país do mundo mais afetado pela pandemia, atrás apenas dos Estados Unidos, que registrou mais de 31,8 milhões de casos.

Embora alguns especialistas acreditem que uma nova variante do coronavírus esteja por trás da alta de casos, outros fatores também contribuíram para a disseminação desenfreada da doença. Após meses de estabilidade no verão, com um índice baixíssimo de casos diários, o país permitiu reuniões e festas, relaxando as medidas de distanciamento social. Cinco estados realizaram eleições e até mesmo um jogo de críquete com a presença de mais de 130 mil espectadores foi autorizado.

"Os indianos baixaram a guarda coletiva. Ouvimos declarações de nossos líderes de autoelogio da vitória, agora expostas cruelmente como mera arrogância confiante", afirmou o pneumologista Zarir Udwadia, da força-tarefa de Maharashtra.

Apesar de o governo indiano ter imposto um extenso lockdown no ano passado no início da pandemia, Modi afirmou que a aplicação de um confinamento rígido no momento é a última opção.

Nova mutação

Ainda não foi comprovado que a variante indiana do coronavírus seja mais transmissível, mas especialistas acreditam que ela pode estar relacionada ao grande aumento de casos no país nas últimas semanas. Batizada de B.1.617, a nova cepa carrega duas mutações na proteína spike do vírus que já foram identificadas em outras variantes pelo mundo. Elas foram associadas a uma capacidade reduzida de neutralização do coronavírus por anticorpos ou células T.

A proteína spike é a parte que o vírus usa para penetrar nas células humanas. Já os linfócitos T são células com funções imunológicas de respostas antivirais, seja através da produção de citocinas ou eliminando ativamente células infectadas.

Isso significa que pessoas vacinadas ou que já tenham sido contaminadas podem estar menos protegidas contra a variante indiana.

cn/ (Reuters, Lusa, APF)

Leia mais