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Índia anuncia envio de vacinas para o Brasil

21 de janeiro de 2021

Carregamento com doses do imunizante da AstraZeneca-Oxford será exportado na sexta-feira. De Guarulhos, lote será levado para a Fiocruz no Rio de Janeiro para etiquetagem.

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Duas doses da vacina AstraZeneca-Oxford
Maior produtor de vacinas do mundo, Instituto Serum fabrica imunizante da AstraZeneca-Oxford na ÍndiaFoto: Leon Neal/Getty Images

A Índia afirmou nesta quinta-feira (21/01) que autorizou a exportação comercial da vacina contra a covid-19 e enviará os primeiros carregamentos ao Brasil e Marrocos já nesta sexta-feira, segundo o secretário de Relações Exteriores indiano disse à agência de notícias Reuters.

O aval chega uma semana após uma tentativa frustrada do governo de Jair Bolsonaro de ir buscar 2 milhões de doses do imunizante na Índia. O governo do país asiático havia suspendido a exportação até o início da campanha de vacinação local. Na terça-feira, a Índia deu início ao envio das vacinas, mas o Brasil não apareceu na lista dos seis países que receberiam os primeiros lotes.

As doses do imunizante da AstraZeneca-Oxford estão sendo produzidas pelo Instituto Serum, maior fabricante de vacinas do mundo, que recebeu pedido de vários países.

O secretário das Relações Exteriores indiano, Harsh Vardhan Shringla, afirmou à Reuters que as exportações comerciais começariam na sexta, alinhadas com o compromisso do primeiro-ministro Narendra Modi de usar as capacidades industriais do país para ajudar toda a humanidade de lutar contra a pandemia.

"Ao seguir essa visão, nós temos respondido de forma positiva aos pedidos de países do mundo todo, começando pelos nossos vizinhos", disse ele, referindo-se ao envio das doses gratuitas. Shringla acrescentou que a exportação comercial começará com a entrega de lotes ao Brasil e Marrocos, seguidos por África do Sul e Arábia Saudita.

O início do envio das doses ao Brasil foi confirmado pela TV Globo com o consulado indiano em São Paulo. Os lotes devem chegar ao aeroporto de Guarulhos no sábado, de onde serão transportados para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, para a etiquetagem.

A vacina, inicialmente a única aposta do governo Bolsonaro, requer duas doses para atingir sua eficácia máxima de proteção contra a covid-19, e pode ser armazenada em temperatura de geladeira, o que facilita a logística de distribuição.

Novela da vacina

A Índia recebeu dezenas de pedidos de várias nações, inclusive apelos urgentes do Brasil, para o início da exportação da vacina. O país asiático, no entanto, aguardava o começo de sua campanha de vacinação interna, que ocorreu no último sábado, para enviar as doses.

Diante da iminência da aprovação de uma vacina contra a covid-19 no Brasil e sem ter nenhuma dose em mãos para o início da campanha de vacinação, em 8 de janeiro Bolsonaro enviou uma carta ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, pedindo urgência no envio ao Brasil, para, assim, tentar garantir o protagonismo da imunização.

O pedido de urgência para a importação das doses ocorreu após a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), entidade do governo federal, ter informado que ocorreria um atraso na chegada ao país do insumo necessário para a produção local do inoculante da AstraZeneca. Até o fim do ano, o governo brasileiro espera contar com mais de 200 milhões de doses do imunizante produzidos pela Fiocruz.

Pouco depois, o Ministério das Relações Exteriores afirmou em nota que o Brasil adquiriu as doses do Instituto Serum e que a embaixada brasileira teria feito os preparativos junto às autoridades indianas para receber os lotes. Na semana passada, um avião chegou a iniciar viagem para buscar a vacina no país asiático. Tanto Bolsonaro quanto o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, prometiam a chegada do imunizante em dois dias.

O voo, porém, acabou sendo adiado depois que o governo indiano declarou que não poderia ainda dar uma data para a exportação de doses produzidas no país. "Parece que o Brasil queimou a largada ao anunciar oficialmente o envio de uma aeronave para transportar 2 milhões de doses de vacina", afirmou uma reportagem do jornal indiano Hindustan Times.

Na terça-feira, o governo da Índia anunciou o início da exportação de vacinas contra a covid-19, mas não citou o Brasil entre os países de destino. O anúncio da Índia causou preocupação no governo.

CN/rtr/ots