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Foto mostra Helcio de máscara. Ele usa óculos de grau e terno.
Helcio franco permaneceu a maior parte do depoimento em silêncio, por ter obtido habeas corpus no STFFoto: Leopoldo Silva/Agência Senado

À CPI, Hélcio Bruno nega envolvimento em irregularidades

11 de agosto de 2021

Em depoimento, tenente-coronel da reserva disse que já havia marcado reunião com Ministério da Saúde quando conheceu representantes da Davati. Ele é apontado como responsável pela aproximação da empresa com o governo.

https://www.dw.com/pt-br/%C3%A0-cpi-helcio-bruno-nega-propina-e-diz-que-queria-facilitar-compra-de-vacinas-pelo-setor-privado/a-58824399

A CPI da Pandemia ouviu nesta terça-feira (10/08) o depoimento do tenente-coronel da reserva Helcio Bruno de Almeida, presidente da ONG Instituto Força Brasil (IFB) e apontado como responsável pela aproximação entre a Davati e o Ministério da Saúde.

O tenente-coronel foi convocado pela comissão depois de ter participado de conversas em que foram discutidas ofertas de vacinas e ter sido alvo da CPI das fake news no Congresso.

Ouvido na condição de testemunha, Helcio teve um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o permitia ficar em silêncio em questões que pudessem incriminá-lo.

Amparado pela decisão, ele não respondeu a várias perguntas. Nas vezes em que se manifestou, negou proximidade com o governo, mas confirmou que havia agendado uma reunião com o Ministério da Saúde para tratar da compra de vacinas pelo setor privado.

Helcio, no entanto, negou ter participado de qualquer oferta ou pedido de propina envolvendo a negociação de vacinas.

"Jamais participei de qualquer reunião ou encontro no qual teria sido oferecida ou solicitada vantagem indevida por quem quer que seja e também informo que jamais estive presente em qualquer jantar com o senhor Luiz Paulo Dominghetti [representante da Davati] muito menos no que teria ocorrido em 25 de fevereiro", disse.

A CPI investiga se, no jantar citado, teria sido pedida pelo então diretor de Logística do ministério, Roberto Dias, propina de 1 dólar por dose na compra de 400 milhões de vacinas da AstraZeneca, que estavam sendo oferecidas pela Davati ao Ministério da Saúde. Dias nega a acusação.

Reunião compartilhada

Helcio afirmou aos senadores que no dia 3 de março solicitou ao Ministério da Saúde uma reunião para saber como seria operacionalizada a participação do setor privado na agenda nacional de vacinação. A reunião ocorreu em 12 de março.

Antes do encontro, segundo Helcio, o IFB foi procurado pelo reverendo Amilton de Paula,dirigente da ONG Secretaria Nacional de Assuntos Religiosos (Senah), para falar sobre a Davati e avaliar a possibilidade de compartilharem a reunião previamente agendada com o Ministério da Saúde.

Helcio explicou que, acreditando na boa-fé da Davati, aceitou compartilhar o encontro. Aos senadores, ele disse que fez uma pesquisa na internet sobre a empresa e que na ocasião não encontrou "nada que a desabonasse".

Segundo o militar, somente nessa reunião conheceu os representantes da Davati, Cristiano Carvalho  e Luiz Paulo Dominguetti. A intenção dele no encontro, destacou, era acelerar a venda de vacinas para o mercado privado, apesar da impossibilidade legislativa disso à época.

"Nesse sentido, imbuído de boa-fé e acreditando na seriedade da Davati a partir do pedido da Senah, aceitou-se compartilhar a agenda do IFB no Ministério da Saúde com a referida empresa. E foi somente nessa ocasião que vim a conhecer o senhor Cristiano Carvalho e o senhor Luiz Paulo Dominguetti", disse Helcio aos senadores.

Ele, no entanto, não revelou qual era a sua relação com o reverendo Amilton de Paula. À CPI, Helcio disse que, desde a reunião em 12 de março, não viu mais Carvalho e Dominguetti.

De acordo com Helcio, na reunião, que durou cerca de 20 minutos, o IFB "informou que estava à disposição para discutir e encontrar medidas ou aperfeiçoamentos normativos que pudessem acelerar a vacinação privada no país". Segundo ele, não foi firmado nenhum negócio com o governo.

Envolvimento com Elcio Franco e Roberto Dias

No depoimento, Hélcio negou à CPI ter feito negócios com Roberto Dias, assim como conhecer o ex-assessor do Ministério da Saúde Marcelo Blanco, que estava no jantar em que teria havido o suposto pedido de propina.

Ele também destacou que nunca teve proximidade com o então secretário executivo da pasta, coronel Elcio Franco.

"Nunca tive relação de amizade ou qualquer proximidade com o coronel Elcio Franco, apenas podendo eventualmente tê-lo encontrado em alguma solenidade militar de que não me recordo. Nunca frequentei a sua residência, não conheço a sua família, jamais almoçamos ou jantamos juntos, não fomos contemporâneos na Aman [Academia Militar das Agulhas Negras], e tampouco servimos [o Exército] juntos", disse.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) chegou a afirmar durante a sessão que está em poder da CPI uma cópia de documento que comprova a participação de Helcio como lobista na intermediação entre a empresa Davati e o Ministério da Saúde para eventual compra de vacinas. Em resposta, Helcio limitou-se a dizer que sua atividade profissional é a de "consultor operacional”. 

Apesar de não ter respondido muitas perguntas, Helcio trouxe novos elementos à CPI, ao entregar uma ata da reunião, em que constam o nome de 12 participantes. Chamou a atenção dos senadores a participação no encontro da BR Med Saúde Corporativa, empresa que nunca havia sido mencionada em depoimentos à CPI.

Nesta quarta-feira, a CPI ouve o diretor-executivo da farmacêutica Vitamedic, Jailton Batista. Ele deve falar sobre as vendas do "kit covid”, um conjunto de medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus.

le (Agência Senado, Agência Brasil, ots)