Zambézia: População acusa empresa chinesa e autoridades de expropriações forçadas | Moçambique | DW | 06.04.2019
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Moçambique

Zambézia: População acusa empresa chinesa e autoridades de expropriações forçadas

Moradores de Inhassunge dizem-se obrigados a ceder as suas terras para exploração de areias pesadas por empresa chinesa. Por sua vez, Governo nega uso de força policial para pressionar população a ceder terrenos.

Mosambik Quelimane schwerer Sand (DW/M. Mueia)

Exploração de areias pesadas será feita pela empresa chinesa Africa Great Wall Meaning Company Development

Arrancou esta sexta-feira (05.04), nas ilhas de Olinda e Mualane, em Inhassunge, província da Zambézia, a segunda fase do pagamento das compensações às famílias que vão ceder as suas terras para a exploração de areias pesadas pela empresa Africa Great Wall Meaning Company Development.

O primeiro pagamento às famílias, por parte desta empresa chinesa, foi feito no início desta semana num clima de tensão. Em entrevista à DW, um morador contou que, "na terça-feira (02.04), veio um grupo de chineses com o secretário, para entregar o dinheiro das machambas à população de Mualane. Dissemos-lhe que não queríamos, porque levaram as machambas à força. Então, às 12 horas, o secretário voltou com os polícias e começaram a andar de casa em casa, de acordo com a lista que têm. Metiam-se dentro da casa com uma arma de fogo e davam o dinheiro, querendo ou não".

Quini Aly, representante da empresa chinesa de exploração de areias pesadas, desvaloriza o sucedido. À DW conta que "houve rebelião porque muitos [dos moradores] não estavam inscritos na lista dos que iam receber compensação das suas machambas". "[As alegações] são daqueles agitadores que estavam lá. Então foi se fazer visita de casa em casa às famílias afetadas, mas não houve problemas", acrescenta.

"Cedência" forçada?

Questionado sobre se a população está a ser obrigada pela empresa a abandonar as suas terras, o responsável não é claro: "A isso quem deve responder é o Governo”, disse Quini Aly, acrescentando que "o Governo está presente nestes pagamentos e que ele é que pode responder se [estas pessoas] estão a ser obrigadas ou não".

A mesma questão foi colocada ao Governo. E Dioclesiano Augusto Muaramuara, diretor dos serviços distritais de planeamento e infraestrutura do distrito de Inhassunge, negou que esteja a ser usada a força policial para pressionar a população. "Não é verdade! A força policial está lá desde a altura em que houve aquelas manifestações, das quais os jornalistas têm o conhecimento. As pessoas que estão dar esse tipo de informação são as mesmas que, desde há muito, não querem que este projeto avance".

Dioclesiano Augusto Muaramuara acrescenta ainda que "a área onde as indemnizações estão a ser pagas é muito pacífica. As pessoas estão a receber de livre e espontânea vontade [as indemnizações]. Não está a ser usada força para as pressionar".

"Quem recusar, é algemado", conta moradora

No entanto, uma moradora, que não se quis identificar, diz que entregou a sua terra por temer confrontos com a polícia, como aconteceu em 2017 e 2018, onde pelo menos quatro pessoas morreram. "Nós recebemos dinheiro por causa do medo. Quem recusasse era logo algemado pela polícia. Não temos como recusar, porque temos medo das armas e das algemas", diz.

Até agora já foram pagas compensações a 200 famílias, que devem abandonar, em breve, as suas zonas de origem, para irem para o bairro de reassentamento.

O valor da compensação depende da extensão de terra que cada família possui na ilha. E rondam os 1500 a 20.000 meticais, o equivalente a 280 euros no máximo.

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