Veteranos de guerra angolanos vão até o fim para receber benefícios prometidos | Angola | DW | 27.06.2012
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Angola

Veteranos de guerra angolanos vão até o fim para receber benefícios prometidos

Sexta-feira é dia de manifestação no Lubango. Ex-combatentes e veteranos de guerra não estão dispostos a abrir mão de seus direitos. Além de salários atrasados, exigem do governo de Angola pensão e promoção.

Os ex-militares angolanos que protagonizaram manifestações em Luanda nos dias sete e 20 de junho ameaçam voltar às ruas se os problemas para os quais estão a procurar uma solução não forem resolvidos.

A última manifestação dos antigos combatentes angolanos foi dispersada com tiros para o ar, granadas de gás lacrimogénio. Dezenas deles foram presos. Com exceção daquele que terá sido um dos organizadores do protesto, todos os outros já foram libertados.

Os militares angolanos provenientes das extintas FAPLA, FALA e ELNA, braços armados do MPLA, UNITA e FNLA, respectivamente, chamam a atenção para os diferentes tipos de combatentes envolvidos, entre os quais os desmobilizados das FAPLA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola) antes dos Acordos de Bicesse, assinados em 1992. Até agora, eles não receberam nada do que lhes foi atribuído por lei.

A próxima manifestação dos ex-combatentes está marcada para esta sexta-feira (30.06) no Lubango, como contou em entrevista à DW África Henriques Fula, membro da Comissão de Reclamação dos Sargentos e Soldados Não desmobilizados.

DW África: Quais são as principais exigências dos ex-combatentes angolanos?

Henriques Fula (HF): O pagamento do nosso salário, que vai para 20 anos. Queremos promoção. E em terceiro lugar, queremos integração na segurança social.

DW África: Há 20 anos que reclamam isso e o governo não tem dado uma resposta?

HF: Nenhuma resposta. Fizemos tantas reclamações por escrito. Já entregamos carta ao Estado Maior, inclusive já entregamos carta à Procuradoria Militar da República e à Procuradoria Geral da República. Nenhuma delas foi respondida. Em fevereiro deste ano, pedimos ao governo angolano uma autorização para fazermos uma marcha oficial. Não obtivemos autorização. E isso fez com que a gente saísse às ruas sem avisar.

DW África: Foi então que houve confrontos com a polícia?

HF: Sim. Houve prisões, ferimentos e tres mortes.

DW África: Pretendem parar com as manifestações?

HF: Enquanto o governo não nos der o nosso dinheiro, os nossos salários atrasados, nós não vamos parar.

DW África: Mas a polícia disse que a manifestação houve lugar com a infiltração - na marcha - de pessoas que não tinham nada a ver com os ex-combatentes ou veteranos de guerra.

HF: Isso não corresponde a verdade. Na semana antepassada recebemos a visita do Sr. Humberto Calamba, quadro do MPLA, dizendo que ele poderia ajudar para que o governo resolvesse este problema. Ele disse que iria falar com o Presidente e que nos traria uma resposta. Esperamos mas ele não apareceu. Então ficamos revoltados e saímos às ruas.

DW África: Ao que tudo indica, este movimento dos ex-militares e veteranos de guerra de Angola está a alargar-se também para outras províncias. Há uma certa solidariedade para que o governo responda às vossas exigências.

HF: A província de Lubango vai cair na rua nesta sexta-feira. Acredito também que Cabinda fará o mesmo. Enfim, todo o país, todas as províncias. Se as nossas preocupações fossem respondidas seria muito bom para o governo angolano nesta fase que antecede as eleições. Principalmente para o partido MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) que quer ganhar as próximas eleições.

DW África: Então quer dizer que o MPLA, que apoia o governo angolano, não tem o vosso voto enquanto não atender às vossas exigências?

HF: Se, por acaso, o governo executivo não resolver o nosso problema até lá, nós vamos boicotar as eleições.

DW África: Não sentem medo de sair às ruas e manifestar novamente depois das últimas prisões que ocorreram?

HF: Por que isso deveria dar medo ? Em primeiro lugar, a nós nos impressiona. Segundo, nos dá coragem. E em terceiro, nos dá força para marchar enquanto o governo não resolver o nosso problema.

Autor: António Rocha
Edição: Bettina Riffel

Ouvir o áudio 02:59

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