Valores ″soviéticos″ em munícipios causam estranheza nas eleições em Angola | Angola | DW | 08.09.2012

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Angola

Valores "soviéticos" em munícipios causam estranheza nas eleições em Angola

A vitória esmagadora do MPLA em muitos municípios angolanos suscita dúvidas aos analistas. Já a vitória da UNITA, noutros municípios, é sinal que os eleitores começam a mostrar sinais de cansaço face ao governo do MPLA.

Angola Presidenciais 2012

Angola Presidenciais 2012

Os resultados das eleições angolanas evidenciam algumas tendências novas no cenário político. De acordo com dados da Comissão Nacional de Eleições, o MPLA, o partido no poder, venceu com grande maioria em todas as províncias, chegando mesmo a ter mais de 95% dos votos em vários municípios. Por exemplo, no Cuito Cuanavale, Nancova, Gonguembo, Conda, Cahama, Curoca e Quipungo, Cahiombo, Marimba, Lucuano, Bibala, Camacuio, Virei e Santa Cruz.

Qual será a explicação para estes números quase “soviéticos”? Uma pergunta para a qual o analista político Orlando Castro não encontra uma resposta lógica. "Não me admira que o MPLA tenha este resultado. Até me admira que no Andulo, no município do fundador da UNITA, Jonas Savimbi, aí não conseguiram ganhar, mas por pouco. Há coisas que não são racionalmente explicáveis".

Cidadão angolano a votar nas eleições gerais

Cidadão angolano a votar nas eleições gerais

Oposição dividida em Cabinda

Também falta uma explicação para o alto nível de votação na província de Cabinda, onde os movimentos independentistas prometeram um boicote às eleições. E a juntar-se a este calcanhares de Aquiles do governo do MPLA, a CASA-CE foi uma revelação no centro da discórdia.

"Os movimentos estão divididos aliás historicamente sempre estiveram divididos", aponta Orlando Castro, "ainda não emergiu uma figura que possa congregar em Cabinda a insatisfação da população local, que é maior do que a insatisfação em Angola. A população de Cabinda dividiu-se pelos partidos existentes”.

Já a UNITA, o maior partido da oposição, ficou quase sempre em segundo lugar, mas muitas vezes com diferenças abismais face ao MPLA. Conseguiu a primeira posição nos municípios de Andulo, no Bié, e Mavinga, no Cuando Cubango e Cacuaco, em Luanda.

Abel Chivukuvuku, presidente da CASA-CE, partido que foi uma surpresa nestas eleições

Abel Chivukuvuku, presidente da CASA-CE, partido que foi uma surpresa nestas eleições

Perda de simpatia popular do MPLA explica bons resultados da UNITA

Contrariando as expectativas a UNITA não conseguiu o primeiro lugar no Bailundo, Huambo, que já foi um dos seus bastiões. Os bons resultados deste partido, embora em pouquissímos lugares, tem origens externas, de acordo com Orlando Castro.

"O MPLA estará a perder alguma simpatia popular. Creio que os 18, 19 por cento que a UNITA obteve nestas eleições devem-se mais ao demérito do MPLA do que ao mérito da UNITA e dos outros partidos".

O PRS não tem motivos para se considerar muito satisfeito neste escrutínio. Perdeu alguns assentos no Parlamento, todavia na Lunda Sul contrariou a UNITA e ficou quase sempre em segundo lugar. Desta vez também factores externos terão ditado esta posição, embora pela negativa, explica Orlando Castro. "O PRS não se saiu bem. O seu eleitorado coincide com o da CASA-CE, e como a CASA-CE representava um projecto inovador e alternativo conseguiu roubar o eleitorado do PRS".

O nível de abstenções deverá rondar os 40%, segundo dados não oficiais. O desencantamento da população será a provável causa da não comparência às urnas. Se comparados com os níveis de abstenção das eleições anteriores, em 2008, o número quase duplicou. Os votos em branco, de acordo com a CNE, passam os 3,5%.

Autora: Nádia Issufo
Edição: Helena Ferro de Gouveia / António Rocha

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