Vítima de racismo na Ilha de Luanda tem ação judicial em vista | Angola | DW | 04.09.2018
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Angola

Vítima de racismo na Ilha de Luanda tem ação judicial em vista

Simão Hossi conta como foi agredido, humilhado e expulso de estabelecimento na Ilha de Luanda. Ao invés de desculpar-se, "Café Del Mar" justifica o ato. Ativista ouvido pela DW África exige encerramento do restaurante.

Angola Promenade in Luanda (Getty Images/AFP/S. de Sakutin)

Vista parcial da cidade de Luanda

O episódio registou-se no domingo (26.08), quando a alegada vítima e um grupo de colegas escolheram o restaurante "Café Del Mar", na Ilha de Luanda, uma das zonas mais turísticas da capital angolana, para um encontro. O objetivo era despedirem-se de um amigo norte-americano, em fim de missão de serviço em Angola.

O ativista cívico e fotógrafo angolano Simão Hossi Sajamba explicou à Rádio Despertar, na noite desta segunda-feira (03.09), que foi interpelado pelo corpo de segurança quando regressava do banheiro.

"Transportaram-me até o exterior do restaurante e um deles deu-me algumas bofetadas. Para além de proferir aquelas palavras como “estás a ficar maluco, aquele não é lugar para mim, que eu não tenho juízo," descreveu a vítima.

Ouvir o áudio 02:44

Vítima de racismo na Ilha de Luanda tem ação judicial em vista

Racismo, "ato deplorável"

A situação está a gerar polémica na sociedade angolana e está a ser entendida como um ato racista. O ativista Jeremias Benedito, do conhecido "caso 15+2", é um dos amigos de Hossi Sajamba que também estava presente no restaurante.

"Aquilo foi um ato deplorável, indignante e de falta de respeito para com o ser humano. Não se pode permitir que no nosso país haja indivíduos, estabelecimentos e instituições que pratiquem racismo," critica.

O restaurante "Café Del Mar" veio a público justificar o sucedido, sem se desculpar. Num comunicado, o estabelecimento afirma que o ativista e fotógrafo angolano estava "mal apresentado". Ou seja, "sujo".

Entretanto, o caso já é do conhecimento das autoridades angolanas. Nesta segunda-feira (03.09), a suposta vítima que diz tencionar intentar uma ação judicial contra os agressores, já recebeu da polícia a cópia do processo.

Jeremias Benedito não acredita que os implicados venham a ser responsabilizados. Mas pede das autoridades o encerramento do restaurante.

"O racista tem rosto e voz em Angola. O racista sabe que aqui a justiça não funciona. Racismo é o maior perigo à humanidade. Racismo enterra milhões e milhares de pessoas em todo mundo," avalia.

Assistir ao vídeo 01:54

Angola: Treinar campeões contra a discriminação

Reflexão necessária

Ainda é tabu falar sobre racismo em Angola apesar de ser uma realidade visível. Rappers como MCK e Yanick Afroman já abordam o assunto nos seus temas.

Na música "Realista", Afroman descreve como vê a situação. "Há sítios em que negro é barrado, mesmo bem apresentado. Mas o branco pode entrar de chinelo, calção," canta o rapper.

Mas, uma ampla reflexão sobre o racismo em Angola tarda acontecer, segundo Jeremias Benedito.

"Nós não estamos contra quem quer que seja que venha para o nosso país investir e conviver connosco - de forma harmoniosa, respeitando as regras estabelecidas e também as pessoas tal como são. No entanto, situações do género remetem-nos à seguinte reflexão: Quem é que está a sustentar o racismo em Angola? Qual é a sua origem? De onde parte?" questiona o ativista.

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados