Um ano de investigações à presidência Zuma | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 15.08.2019
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Internacional

Um ano de investigações à presidência Zuma

Foi há um ano que começaram, na África do Sul, os trabalhos da comissão de inquérito Zondo, que investiga alegações de corrupção durante o mandato do ex-Presidente Zuma. Analistas fazem balanço positivo, mas pedem mais.

Ex-Presidente sul-africano, Jacob Zuma, durante interrogatório

Ex-Presidente sul-africano, Jacob Zuma, durante interrogatório

Pouco a pouco, a chamada comissão de inquérito Zondo tem desvendado uma alegada teia de corrupção formada enquanto Jacob Zuma esteve na Presidência sul-africana, entre 2009 e 2018.

Até agora, uma das maiores conquistas da comissão foi desvendar circunstâncias que terão conduzido a crimes de corrupção, comenta o analista Ralph Mathekga - essas informações são agora do conhecimento geral e podem ter consequências políticas.

"Os eleitores que acompanham o trabalho da comissão têm uma perspetiva diferente dos que não acompanham", afirma Mathekga em entrevista à DW.

Revelações

A comissão de inquérito é presidida pelo juiz do Tribunal Constitucional Raymond Zondo e abriu uma caixa de pandora.

Ouvir o áudio 03:09

Um ano de investigações à presidência Zuma

Desde o início das investigações, em agosto de 2018, a comissão ouviu dezenas de políticos, empresários e funcionários públicos. Por exemplo, o ex-vice-ministro das Finanças Mcebisi Jonas, que revelou que os irmãos empresários Gupta lhe ofereceram o cargo de ministro e até o ameaçaram matar se não aceitasse um suborno de 600 milhões de rands (o equivalente a cerca de 35 milhões de euros).

Themba Maseko, antigo chefe do gabinete de comunicação de Jacob Zuma, também testemunhou perante a comissão de inquérito: o então Presidente sul-africano tê-lo-ia incumbido de o ajudar nos negócios com os Gupta. Mas Maseko terá preferido renunciar ao cargo.

Zuma rejeita ser "rei dos corruptos"

Até agora, o ponto alto dos trabalhos da comissão de inquérito foi a audição de Jacob Zuma.

O antigo chefe de Estado sul-africano tentou adiar a audição o mais possível, mas acabou por testemunhar em meados de julho. Zuma refutou todas as acusações e queixou-se de estar a ser alvo de uma conspiração para "assassinar o seu caráter".

"Tem havido uma vontade de me tirar de cena", disse, rejeitando ser o "rei dos corruptos".

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Sul-africanos pedem ação da Justiça

Não é tarefa da comissão de inquérito levar os acusados a tribunal. Ainda assim, o trabalho da comissão tem sido importante, segundo o analista Ralph Mathekga: "Mesmo que esta comissão não tenha consequências diretas, agora sabemos que houve muita coisa que correu mal, e se os políticos não são responsáveis, quem é?"

Mas quanto mais se abre a caixa de pandora, mais sul-africanos pedem para que se leve os acusados a tribunal.

David Lewis, da organização anticorrupção Corruption Watch, diz que não deveria ser sequer preciso esperar pelo relatório final da comissão de inquérito Zondo para avançar com um processo na Justiça.

"Quando mais se sabe, mais as pessoas ficam furiosas por não se instaurar um processo e por os culpados continuarem a andar à solta", diz Lewis em entrevista à DW. "Há muito que as autoridades criminais têm matéria com que podem trabalhar."

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