Ucrânia: Ataques continuam após promessa russa de reduzir bombardeamentos | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 30.03.2022

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Internacional

Ucrânia: Ataques continuam após promessa russa de reduzir bombardeamentos

Kiev e Chernigiv foram alvo de novos bombardeamentos "durante toda a noite", segundo as autoridades ucranianas. Na terça-feira, Moscovo havia garantido uma redução da sua atividade militar naquelas áreas.

Edifício residencial em Chernigiv alvo de ataques russo

Edifício residencial em Chernigiv alvo de ataques russo

"Chernigiv foi bombardeada durante toda a noite" por artilharia e aviões, anunciou, esta quarta-feira (30.03), o governador regional, Vyacheslav Tchaous, numa mensagem publicada na rede social Telegram, acrescentando que uma infraestrutura civil havia sido destruída e que a cidade ainda estava sem água e eletricidade.

Esta cidade, que tinha 280 mil habitantes antes da guerra, está "sem comunicações" e estas já não podem ser reparadas, segundo declarações do governador à televisão local, referindo também ataques a Nizhyn, na mesma região.

"A situação não mudou, Chernigiv é alvo de artilharia e bombardeamentos aéreos", indicou Tchaous.

Promessa russa

Na terça-feira, o Governo russo anunciou que ia "reduzir drasticamente" as operações militares contra Kiev e Chernobyl, na sequência de "conversações construtivas" com a Ucrânia, na cidade turca de Istambul. 

Türkei Gespräche zwischen Russland und der Ukraine in Istanbul

Negociações entre ucranianos e russos em Istambul

Mas as autoridades ucranianas acreditam que é "muito cedo" para confirmar se os russos cumprirão o seu compromisso de reduzir os ataques às cidades de Kiev e Chernigiv, já que ao longo da noite houve bombardeamentos e as sirenes antiaéreas continuaram a soar.

"Sirenes antiaéreas soaram em quase toda a Ucrânia à noite, houve bombardeamentos em Chernigiv, na região de Khmelnytsky e vários foguetes foram abatidos sobre Kiev", disse Vadym Denysenko, assessor do Ministério do Interior ucraniano, de acordo com a agência de notícias Interfax-Ucrânia.

Portanto, "infelizmente, não é possível dizer que os russos estejam a reduzir a intensidade das hostilidades em torno de Kiev e Chernigiv", acrescentou o assessor, em declarações transmitidas pela televisão local.

Bombardeamentos em Kiev

"Em Kiev, pelo que sabemos agora, vários mísseis foram derrubados sobre a capital. Agora a situação está a ficar mais clara", disse Vadym Denysenko.

Em toda a região de Kiev, na noite de terça-feira, foram ouvidos os combates que estão a ocorrer nas proximidades de Irpin, uma cidade que os ucranianos dizem ter recuperado após ser ocupada pelos russos, segundo Denysenko.

Ukraine-Krieg | Angriff in Byshiv am Stadtrand von Kiew

Arredores de Kiev destruídos pela guerra

"Podemos dizer ainda que certas unidades e equipamentos (russos) estão a entrar no território da Bielorrússia. Isso é mais uma troca de tropas para lamber as feridas do que uma verdadeira suspensão das hostilidades", disse o assessor ministerial.

Sinais "positivos", mas…

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse esta terça-feira que os sinais transmitidos das negociações russo-ucranianas são "positivos", mas lembrou que a Rússia ainda tem um potencial significativo para continuar a invasão da Ucrânia.

"Podemos dizer que os sinais que estamos a observar das negociações são positivos, mas não silenciam as explosões ou os projéteis russos", realçou o chefe de Estado da Ucrânia numa mensagem de vídeo divulgada na rede social Telegram, depois de delegações dos dois países terem hoje retomado na Turquia negociações presenciais sobre um cessar-fogo.

No mesmo dia em que Moscovo anunciou uma redução das ações militares no oeste ucraniano, em particular nas proximidades de Kiev, Zelensky alertou ainda que a Rússia tem um potencial significativo para continuar os ataques contra a Ucrânia.

"Não vemos razões para acreditar nas palavras ditas por vários representantes de um Estado [Rússia] que continua a lutar com a intenção de nos destruir", acrescentou o governante, ressaltando que a situação "não ficou mais fácil" e "a escalada dos desafios não diminuiu".

Ukraine Krieg | Angriffe auf Mariupol

Rastos da guerra em Mariupol

Corredor humanitário

Desde o início da guerra, a 24 de fevereiro, a ONU estima que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

Entretanto, na cidade portuária sitiada de Mariupol e outras cidades próximas, um total de 1.665 pessoas foram retiradas nas últimas horas em veículos particulares, através de três corredores humanitários.

A ministra para a Reintegração dos Territórios Temporariamente Ocupados da Ucrânia, Iryna Vereshchuk, disse que a retirada foi concluída, de acordo com a agência de notícias local Ukrinform. A mesma responsável indicou que 936 pessoas conseguiram deixar Mariupol e 729 da região de Zaporijia, que inclui as cidades de Berdiansk, Melitopol, Enerhodar, Polohy, Orykhiv, Huliaypole e Vasylivka. 

Balanço da guerra

Até ao momento, a ofensiva militar russa na Ucrânia matou pelo menos 1.179 civis, incluindo 104 crianças, e feriu 1.860, entre os quais 134 crianças, segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra provocou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas, incluindo mais de 3,9 milhões de refugiados em países vizinhos e quase 6,5 milhões de deslocados internos.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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