Tensão política e social aumenta na véspera das eleições na Guiné-Conacri | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 26.02.2020
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Internacional

Tensão política e social aumenta na véspera das eleições na Guiné-Conacri

A poucos dias das eleições legislativas, milhares de pessoas protestaram terça-feira, em Conacri, contra o referendo sobre a alteração da Constituição, que o Presidente Alpha Condé marcou também para o próximo domingo.

Protestos em Conacri contra o Presidente Alpha Condé

Protestos em Conacri contra o Presidente Alpha Condé

O país vive um clima tenso com manifestações e protestos. Os partidos da oposição da Guiné-Conacri acusam o chefe de Estado de estar a preparar um terceiro mandato para o final do ano, algo limitado pela atual Constituição da República do país.

Dizem que as alterações constitucionais servem de pretexto para que Alpha Condé passe para zero o número de mandatos enquanto Presidente. Condé, de 81 anos, está prestes a terminar o segundo e último mandato previsto na lei magna ainda em vigor no país.

O deputado Ousmane Gaoual Dialló, do partido da oposição União das Forças Democráticas, criticou o silêncio da CEDEAO e da União Africana (UA). "Esperamos que tomem uma medida. As recentes deslocações do chefe de Estado mostram que ele está preocupado com essas organizações. Não estamos desesperados e acreditamos que a CEDEAO e a UA sigam o caminho da Organização Internacional da Francofonia", declarou.

Denúncia de irregularidades

A Organização Internacional da Francofonia (OIF), que acompanha o processo eleitoral na Guiné-Conacri, já alertou para algumas irregularidades para as eleições legislativas do próximo domingo (01.03), considerando que há mais de dois milhões de eleitores "problemáticos" nas listas.

Ouvir o áudio 03:44

Tensão aumenta na véspera das eleições na Guiné-Conacri

O último comunicado da CEDEAO sobre a situação política no país foi divulgado em 5 de novembro de 2019. A União Africana, por sua vez, terá pedido ao Presidente Alpha Condé para evitar quaisquer passos para manter-se no poder. O pedido foi feito durante a 33.ª cimeira realizada há duas semanas em Addis Abeba, capital da Etiópia.

O jurista Karamo Mady Camara criticou também a cumplicidade institucional dos chefes de Estados membros da CEDEAO e da UA: "A maioria dos líderes africanos destas organizações apoia este tipo de referendo constitucional para manter-se no poder."

Oposição ameaça boicotar eleições

Os partidos da oposição ameaçam boicotar o processo eleitoral por falta de confiança. Alpha Bah Fischer, membro do partido de Alpha Condé, no poder, minimiza as alegadas irregularidades no processo eleitoral.

"Talvez haja falhas, mas não são falhas que possam distorcer as próximas eleições na Guiné-Conacri. O Parlamento da CEDEAO foi claro: a Guiné-Conacri é um país soberano e livre, como qualquer outra nação, de propor ao seu povo uma nova Constituição, através de um referendo. A União Africana alinha-se sempre com as decisões da CEDEAO. E a própria CEDEAO não tem motivos para condenar a Guiné-Conacri", frisou.

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