Tempos difíceis para os músicos do Mali | MEDIATECA | DW | 05.07.2013

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MEDIATECA

Tempos difíceis para os músicos do Mali

A crise no Mali não é apenas política, mas tem também consequências econômicas e sociais. Particularmente afetados são os músicos que desde o início do ano estão proibidos de fazer concertos no país.

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O ngoni, o alaúde maliano, e o tamani, o típico tambor do ocidente africano, dão o tom moderno à música do famoso mestre do Ngoni e cantor maliano, Bassekou Kouyaté. Recentemente ele se apresentou na cidade de Würzburg, no sul da Alemanha.

No país de origem de Kouyaté, o Mali, no entanto, atualmente não é possível promover ou frequentar um concerto. Na capital, Bamako, onde há seis meses, bandas se apresentavam ao vivo diariamente, agora impera o silêncio.

O motivo: em 11 de janeiro, quando o exército francês começou a sua ofensiva contra os islamistas no norte do Mali, o Governo declarou o estado de emergência. Manifestações e grandes aglomerações de pessoas estão proibidas, o que inclui também os concertos.

Expectativas e dificuldades

O Mali é famoso por sua música. Atualmente, muitos músicos lutam por sua existência e estão cheios de expectativas para as eleições presidenciais, marcadas para o próximo dia 28 de Julho.

Para Abdoul Wahab Berthe, baixista de Habib Koité, uma estrela da música maliana, a suspensão dos eventos é uma verdadeira catástrofe. Ele conta que, quando o estado de emergência foi decretado, os músicos foram os que mais tiveram problemas.

"Não se pode mais nada: nem gravações em estúdio, nem eventos. Nada, nada, nada. No momento, nós, músicos, vivemos com as mãos na boca." Wahab Berthe diz ainda que os bons amigos, que normalmente ajudam, agora também têm problemas. "Estamos todos em apuros - é o que o estado de emergência faz com a gente," conclui.

Refúgio no estrangeiro

Por isso, Abdoul Wahab Berthe está feliz em poder, de tempos em tempos, se apresentar na Europa. No entanto, apenas pouquíssimos músicos têm esta oportunidade.

Aly Keita é um mestre do balafon, o grande xilofone de madeira da África Ocidental. Keita vive em Berlim e com frequência acompanha estrelas da música ocidental africana em turnês pelo mundo. Recentemente, quando esteve em visita ao Mali, encontrou uma terrível situação.

Amigos do artista, que costumam tocar em festas, casamentos e eventos tradicionais, têm enfrentado muitas dificuldades porque não há mais música.

"Ninguém mais pega nas mãos seu instrumento musical, exceto em casa. Não há mais concertos, nem mesmo em bares ou discotecas! É como se o país estivesse de luto. Uma terra sem música. Isso não é possível, isso não é o Mali."

Segundo Aly Keita, muitos músicos perderam a esperança e começaram a vender seus instrumentos.

Questão de segurança

Muitas pessoas não entendem por que as autoridades proibiram a música e as aglomerações de pessoas. O músico reconhece a necessidade das medidas de segurança. "Homens-bomba podem se misturar à multidão e explodir a si mesmos - este é o ponto," diz Aly Keita.

Apesar disso, ele lamenta as consequências delas. "Foi uma medida de segurança, mas que, lamentavelmente, deixa muitos insatisfeitos," afirma.

O mestre do ngoni, Bassekou Kouyate, mostra sobretudo compaixão para com os músicos que fugiram do norte de Mali no ano passado. Lá, os islamistas que ocuparam a região por vários meses proibiram a música em muitos lugares. Ela era considerada como "anti-islâmica".

Agora, estes músicos não podem se apresentar também em Bamaco. Para Kouyaté, no entanto, uma vez que o Estado diz que os shows estão proibidos por causa do estado de emergência, então o Governo deveria apoiar financeiramente os músicos.

"A comunidade internacional, que gasta muito dinheiro com a operação militar no Mali, também deveria pensar nos músicos que já não podem mais trabalhar. Nós também somos malianos e apoiamos este país com todas as nossas forças," garante.

O som da paz

Há muito tempo, Bassekou Kouyaté se empenha pela paz em seu país. Como um dos mais famosos cantores do Mali, ele engaja-se também politicamente. Suas músicas clamam ao entendimento entre os diferentes grupos étnicos do Mali, à tolerância e à liberdade religiosa.

A pedido do Governo, Kouyaté apareceu também, e por diversas vezes, na televisão estatal e convocou os malianos à união - particularmente os tuaregues que lutam pela autonomia no norte do país.

"No Mali, já foi derramado sangue o suficiente. Precisamos agora de solidariedade, de modo que os mesmos problemas não se repitam," defende.

O músico explica que em seu país vivem mais de 300 etnias e pondera: "se cada uma delas reivindicar uma parte do país para si, então restam apenas 100 metros quadrados para cada grupo! É melhor exigir os seus direitos com palavras que com armas."

"União" dá o tom ao terceiro álbum

"Jama Ko", ou "União" na tradução literal, é a faixa título do terceiro albúm de Bassekou Kouyaté e mantém viva a ideia de que o Mali deve permanecer democrático.

Mas este mais recente CD não traz apenas discussões políticas. Nele, o músico apresenta também temas locais e histórias que revelam a luta pela sobrevivência e a generosidade do povo maliano.

Em "Djadje", por exemplo, Kouyaté faz uma homenagem a um homem de negócios do Mali que teria criado mil postos de trabalho para os mineiros na pequena cidade de Niafunké, próximo a Tombuctu, dando-lhes portanto a oportunidade de alimentar suas famílias. A atitude nobre de seu compatriota, Bassekou Kouyaté imortalizou nesta canção.