Suspensão de exportações de carvão pode ter consequências para economia moçambicana | Moçambique | DW | 26.06.2013

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Moçambique

Suspensão de exportações de carvão pode ter consequências para economia moçambicana

A empresa mineira anglo-australiana Rio Tinto suspendeu as exportações de carvão de Moçambique. A suspensão poderá ter um impacto negativo não só para o gigante mineiro, como também para a economia moçambicana.

Suspensão de exportações de carvão ameaça economia

Suspensão de exportações de carvão ameaça economia

A suspensão das exportações de carvão de Moçambique pela empresa mineira Rio Tinto veio depois de ameaças feitas por ex-guerrilheiros contra a linha ferroviária de Sena, da qual depende o transporte do carvão. A Linha de Sena liga a localidade de Moatize, na província de Tete – onde se encontram grandes reservas de carvão e onde a Rio Tinto, entre outros gigantes mineiros, opera – e a cidade portuária da Beira, de onde é exportado o carvão de Tete.

Já esta segunda-feira (24.06.), um dos comboios da Rio Tinto descarrilou na fronteira com o Malawi, sem que haja ainda certezas sobre as causas do incidente. O governador da província de Tete, Ratxide Gogo, adiantou apenas que estava em curso uma investigação.

Para a empresa, a decisão da suspensão das exportações, anunciada esta quarta-feira (26.06.), também pelo governador de Tete, trará certamente prejuízos, diz Paula Carvalho, economista-chefe do Banco Português de Investimentos, BPI, especializada em Moçambique, visto que o investimento da empresa mineira terá sido feito, tendo em conta determinada previsão de produção e escoamento da produção para o mercado externo.

Perde a Rio Tinto e perde a economia nacional

20 Jahre Frieden in Mosambik Sena-Eisenbahnlinie

Empresas mineiras escoam o seu carvão até ao porto da Beira pela Linha de Sena

Atualmente, uma parte crescente da atividade económica de Moçambique está a ter origem no setor da indústria extrativa, diz Paula Carvalho. “Em 2012, a indústria extrativa, sobretudo o aumento da produção do carvão, contribuiu com cerca de 0,8 pontos percentuais para o crescimento [económico de Moçambique]".

Na base de todas as previsões de organismos internacionais, que, segundo a analista, "antecipam o crescimento da economia moçambicana acima de 8% ao ano, está a expectativa de aumento da capacidade de produção do setor mineiro e consequente exportação". Daí que as consequências possam vir a ser, de facto, negativas e possam implicar “eventualmente um abrandamento de canalização de investimento direto estrangeiro para o país”.

De acordo com Paula Carvalho, o investimento direto estrangeiro para Moçambique duplicou em 2012, tendo sido canalizado sobretudo para estes megaprojetos de investimento, como a exploração de carvão, cujo objetivo é direcionado para a exportação. Tal significa que o investimento direto estrangeiro poderá ver cortes se a situação de tensão a nível político continuar no país. Porque, afinal, a estabilidade política é uma das condições fundamentais para a atração de investimento.

Tensão pode ter repercussões na ajuda e no investimento direto estrangeiro

Ouvir o áudio 04:36

Suspensão de exportações de carvão pode ter consequências para economia moçambicana

“As exportações", afirma a economista portuguesa, "nao têm ainda um peso muito expressivo na economia de Moçambique: pesam cerca de 25% do Produto Interno Bruto”. No entanto, há muitos setores de atividade a nível interno que estão relacionados com este setor exportador, nomeadamente o setor financeiro, o setor dos transportes, a construção “e, portanto, a interrupção das exportações acabaria por ter reflexos mesmo nos setores não transacionáveis”.

Além disso, a situação tensa também poderia ter reflexo na canalização da ajuda ao desenvolvimento, da qual Moçambique também depende. Isto porque, para a economia moçambicana, o investimento direto estrangeiro, os megaprojetos e a ajuda ao desenvolvimento são, precisamente, fatores fundamentais.

Na semana passada, a Resistência Nacional Moçambicana, RENAMO, ex-movimento guerrilheiro e maior partido da oposição, ameaçou ainda bloquear o tráfego no centro do país para travar um alegado reforço do exército e da polícia na Gorongosa, antiga base central do movimento, onde se encontra o Presidente da força política, Afonso Dhlakama.

Bloqueio da zona centro traria impactos muitos negativos

Ora, um dos piores cenários para a economia moçambicana seria o encerramento de todas as ligações na zona Centro – tanto as rodoviárias como as ferroviárias, ou seja, o Corredor da Beira, a Estrada Nacional 1 e a Linha de Sena, já que a grande maioria dos recursos naturais se encontra na região mais a Norte.

A Renamo exige, entre outros, uma melhor representação nas forças armadas nacionais e um quinhão mais importante das receitas de gás e carvão, mas nem na sétima ronda de negociações com o Governo, realizada esta segunda-feira (24.06.), as duas partes alcançaram um consenso de forma a travar a crise político-militar.

Leia mais