Sudão levanta estado de emergência imposto desde golpe | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 30.05.2022

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Internacional

Sudão levanta estado de emergência imposto desde golpe

Junta Militar do Sudão levanta o estado de emergência imposto desde o golpe de Estado de outubro do ano passado. Medida visa "preparar o país para um diálogo frutuoso".

O chefe do exército sudanês Abdel Fattah al-Burhan levantou, no domingo (29.05), o estado de emergência imposto desde o golpe militar do ano passado, disse o conselho soberano no poder.

O Sudão tem vindo a sofrer uma profunda agitação desde que Burhan liderou o golpe de 25 de outubro, interrompendo uma frágil transição após a expulsão do Presidente Omar al-Bashir, em 2019.

Burhan "emitiu um decreto de levantamento do estado de emergência em todo o país", disse o conselho numa declaração.

A ordem foi dada "para preparar o país para um diálogo frutuoso e significativo que alcance a estabilidade durante o período de transição", acrescentou.

A decisão de domingo foi tomada após uma reunião com altos funcionários militares recomendando o levantamento do estado de emergência e a libertação de pessoas detidas ao abrigo de uma lei de emergência.

Sudan Protest in Khartoum

Protestos em Cartum na semana passada

A medida veio também após os apelos mais recentes do representante especial da ONU Volker Perthes para o levantamento do estado de emergência, na sequência do assassinato de dois manifestantes durante protestos pró-democracia no sábado.

Morte de manifestantes

Segundo ativistas, centenas de pessoas marcharam sábado em Cartum, onde as forças de segurança dispersaram e perseguiram de forma violenta a multidão.

"Estou chocado com a morte violenta de dois jovens manifestantes em Cartum ontem [sábado]. Mais uma vez: é hora de parar a violência", disse Volker Perthes, enviado da ONU, no Twitter.

As duas mortes ocorreram durante os protestos ocorridos em Kalakla, nos arredores de Cartum. Um foi morto com um tiro pelas forças de segurança enquanto o segundo sufocou após ter inalado gás lacrimogéneo, revelou o Comité de Médicos do Sudão, que integra o movimento pró-democracia.

Perthes instou as autoridades militares a levantar o estado de emergência imposto desde o golpe de estado de 25 de outubro e a encontrar "uma solução pacífica para a crise".

Repressão 

O Sudão tem sido abalado por protestos em massa desde o golpe, que foram marcados por uma violenta repressão que deixou quase 100 mortos e centenas feridos, de acordo com os médicos pró-democracia.

No domingo, os militares também recomendaram que a estação de TV da rede Al Jazeera, sediada no Qatar, fosse autorizada a retomar as operações no Sudão, depois de as autoridades a terem proibido em janeiro para cobertura "não profissional" de protestos.

A tomada do poder pelos militares desencadeou uma condenação internacional generalizada e medidas punitivas, incluindo cortes cruciais de ajuda por parte dos governos ocidentais, enquanto se aguarda o recomeço da transição para um governo civil.

Leia mais